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"Os argumentos de Dawkins aparecem em três qualidades principais. Primeiro ele alega que a evolução tem plena responsabilidade pela complexidade biológica e pelas origens da humanidade. Portanto, não há mais necessidade de Deus. Embora esse argumento libere justificadamente de Deus a responsabilidade pelos numerosos atos de criação especial de cada espécie sobre o planeta, decerto não invalida a idéia de que Deus elaborou Seu plano criativo por meio da evolução. O primeiro argumento de Dawkins é, assim, irrelevante para o Deus venerado por Santo Agostinho, ou por mim. No entanto, Dawkins é um mestre em criar um alvo fácil e destruí-lo com muito prazer. Na verdade, é difícil fugir da conclusão de que essas caracterizações repetidas e errôneas da fé denunciam uma lista de assuntos pessoais mordazes, dependentes de argumentos racionais que Dawkins tanto acalenta no campo da ciência.

A segunda objeção da escola de ateísmo evolucionário de
Dawkins é outro alvo fácil: a de que a religião é anti-racional. Ele parece ter adotado a definição da religião atribuída ao estudante apócrifo de Mark Twain: "Fé é acreditar que aquilo que você conhece não é bem assim". A definição de fé de Dawkins é: "uma confiança cega, na ausência de evidências, até mesmo nos dentes das evidências". Isso decerto não descreve a fé dos seguidores mais sérios da história, nem da maioria daqueles que conheço. Apesar de a argumentação racional jamais poder provar, de forma conclusiva, a existência de Deus, pensadores considerados, de Agostinho a Tomás de Aquino, passando por C. S. Lewis, demonstraram que a crença em Deus sempre teve uma aceitação intensa. E não é menos hoje. É fácil para Dawkins atacar a caricatura de fé que ele nos apresenta, mas não se trata da fé real.

A terceira objeção de Dawkins é a de que muito mal tem sido
causado em nome da religião. Não há como negar essa verdade, embora atos de compaixão de grandiosidade inegável também tenham sido abastecidos pela fé. Contudo, os atos cruéis cometidos em nome da religião de maneira alguma contestam a verdade da fé; em vez disso, contestam a natureza dos seres humanos, esses recipientes enferrujados nos quais a água pura da verdade foi colocada.

É interessante que, embora alegue que são o gene e seu
impulso inflexível pela sobrevivência que explicam a existência de todos os seres vivos, Dawkins argumente que nós, humanos, somos, por fim, adiantados o bastante para ter a capacidade de nos rebelar contra as imposições genéticas. "Podemos até debater maneiras de cultivar e alimentar um altruísmo puro e desinteressado de forma voluntária — algo que não existe na natureza, algo que nunca existiu antes na história do mundo." Eis aqui um paradoxo: Dawkins aparenta contribuir para a Lei Moral. De onde pode ter vindo essa urgência de bons sentimentos? Isso não deveria levantar as suspeitas de Dawkins sobre a "indiferença cega e impiedosa" que, segundo ele, condiz com toda a natureza, incluindo ele e o resto da humanidade, por meio de uma evolução perversa? Que valor, então, ele deveria ligar ao altruísmo?

A mais importante e inevitável falha da afirmação de Dawkins, de
que a ciência obriga ao ateísmo, é que isso vai além das evidências. Se Deus se acha fora da natureza, a ciência não pode confirmar nem negar a existência dele. Portanto, o próprio ateísmo deve ser considerado uma forma de fé cega, pois assume um sistema de crenças que não pode ser defendido com base na razão pura. Talvez a síntese mais pitoresca desse ponto de vista venha de uma origem improvável: Stephen Jay Gould, que, sem contar Dawkins, provavelmente foi o porta-voz público da evolução mais lido na geração anterior. Ao escrever a resenha de um livro que de outro modo seria pouco percebida, Gould castigou a perspectiva de Dawkins:

Para dizer isso a todos os meus colegas pela zilhonésima
milionésima vez: a ciência simplesmente não pode, por seus métodos legítimos, julgar o tema sobre a possível superintendência de Deus na natureza. Não podemos afirmar nem negar isso; apenas não podemos comentar como cientistas. Se algum de nós fez afirmações inconvenientes de que o Darwinismo desmente Deus, irei atrás da senhora Mclnerney [a professora de Gould na universidade] e botá-la-ei abaixo com minhas críticas. [...] A ciência só pode trabalhar com explicações naturalistas. Não pode afirmar nem negar outras espécies de atores (como Deus) em outras esferas (o setor moral, por exemplo). Esqueça a filosofia um instante; o simples empirismo de cem anos atrás deve bastar. O próprio Darwin era agnóstico (por ter perdido suas crenças religiosas com a morte trágica de sua filha predileta). No entanto, a grande botânica dos Estados Unidos, Asa Gray, que era favorável à seleção natural e escreveu um livro intitulado Darwiniana, era uma cristã devota. Mais cinqüenta anos adiante: Charles D. Walcott, descobridor dos Burgess Shale Fossils, era darwinista convicto e um cristão igualmente fervoroso, que acreditava que Deus tinha organizado a seleção natural para construir a história da vida de acordo com Seus planos e finalidades. Avançando mais cinqüenta anos, chegamos aos dois grandes evolucionistas de nossa geração: G. G. Simpson era um agnóstico humanista, Theodosius Dobzhansky, seguidor da Igreja Ortodoxa Russa. Ou metade dos meus colegas são muito idiotas, ou então a ciência do darwinismo é inteiramente compatível com as crenças religiosas convencionais — e igualmente compatível com o ateísmo.

Assim, os que optam por ser ateus devem procurar outra base
para assumir essa posição. A evolução não fará isso.

Fonte:
Francis S. Collins. "
A Linguagem de Deus".Tradução: Giorgio Cappel. Editora Gente, 2007, p. 69-71.

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"Tem que ser do meu jeito"
“Simplesmente não acredito que Gould possa ter querido dizer mesmo boa parte do que escreveu em Pilares do tempo. Como costumo dizer, todos nós já recuamos de nossas posições para ser gentis com um adversário pouco merecedor mas mais poderoso, e só posso imaginar que era isso que Gould estava fazendo. É concebível que ele tenha tido mesmo a intenção de fazer sua declaração inequivocamente contundente de que a ciência não tem nada a dizer sobre a dúvida a respeito da existência de Deus: "Nem a afirmamos nem a negamos; simplesmente não podemos comentá-la como cientistas". Isso soa como o agnosticismo do tipo permanente e irrevogável, o APP em sua plenitude. Implica que a ciência não pode nem fazer juízos de probabilidade sobre a ques-tão. Essa falácia extraordinariamente disseminada — muitos a repetem como um mantra, mas suspeito que poucos pensaram bem sobre ela — personifica o que chamo de "a pobreza do agnosticismo". Gould, aliás, não era um agnóstico imparcial, mas tinha fortes inclinações para o ateísmo de facto. Com que fundamento ele fez esse juízo, se não há nada a ser dito sobre a existência ou inexistência de Deus?"

Fonte:
Richard Dawkins. “Deus, um Delírio. Companhia das Letras. São Paulo, 2006, p. P. 70.

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Bases ideológicas do darwinismo
“A própria disputa por uma prioridade na publicação pareceria algo forçada, uma vez que havia várias outras teorias evolutivas já propostas, além das de Darwin e Wallace, algumas com bastante superposição a estas. O que fez com que a de Darwin fosse tão amplamente divulgada? A resposta está na ideologia na qual se apoiava implicitamente Darwin: no laissez-faire do liberalismo econômico (que nada tem a ver com os princípios do liberalismo como doutrina da liberdade individual, consagrados como direitos universais) defendido por Adam Smith em A Riqueza das Nações (1776) - e que ainda é usado, até mesmo por darwinistas “revisionistas” como Stephen Jay Gould. Toda uma tradição da filosofia empiricista britânica que deságua em Adam Smith, ao prever a regulação do conjunto da economia pela “mão invisível” do mercado, se casava bem também com a teoria econômica de Thomas Malthus. Este, em seu ensaio sobre as populações (publicado em 1798 e confessamente livro de cabeceira de Darwin), propunha que a demografia humana cresceria geometricamente, enquanto que os recursos cresceriam menos, de forma aritmética.

São conhecidas as soluções de Malthus para a “superpopulação” resultante desse suposto desencontro: epidemias, guerras, a fome e outras catástrofes se incumbiriam de estabelecer um equilíbrio, o que se casava bem com os ensinamentos de Adam Smith sobre a auto-regulação do mercado. Certamente no auge do imperialismo e colonialismo britânico, uma teoria evolutiva que defendia aspectos como uma inevitável luta pela vida, espécies mais favorecidas e uma seleção natural regida pelo acaso, tinha condições de atrair a seu favor a opinião pública da sociedade vitoriana, que se enxergou justificada pela “ciência” e ajudou a promover ideologicamente a teoria de Darwin.

O darwinismo legitima assim a desigualdade das classes e das raças, bem como aceita a luta, e por extensão as guerras, como fator crucial para a civilização, pois determina quem é o mais apto (Ruffié, 1988). Esta é uma tendência peculiar e coerente com toda a corrente filosófica do empiricismo britânico, como por exemplo no conceito de sociedade apresentado por Thomas Hobbes, que concluiu pela afirmação de que "o homem é o lobo do homem". O “neo-liberalismo” de hoje, especialmente depois da era Thatcher, e que chegou mais tarde ao poder no Brasil pelas mãos principalmente dos governos de Collor e Fernando Henrique Cardoso, admite os mesmos princípios que os similares do liberalismo da era vitoriana, apenas intensificados pela atuação global do capital.

A teoria malthusiana é igualmente a base ideológica de movimentos mais atuais, como o que propunha o “crescimento nulo” da população na década de 1970, embora tenha havido um abrandamento do radicalismo dessa proposta, que deu lugar àquela outra aparentemente mais suave, a do “crescimento sustentável”. E na biologia, o espectro da ameaça do crescimento populacional tem sido a justificativa de ações ambientalistas de cunho ecológico conservador, que defendem o darwinismo ferozmente (como em Ehrlich, 1993). Essas propostas se baseiam em inferições estatísticas tão duvidosas que, não obstante sua aparente convicção, são passíveis de contestação também matematicamente, em “perigos” como o aumento populacional, o super-aquecimento do planeta, o fim da biodiversidade e a escassez de alimentos e de energia, como já o demonstrou recentemente um ecologista arrependido e ex-militante do movimento Greenpeace (Lomborg, 2001).

De fato, as análises estatísticas de Lomborg demonstram que, pelo contrário, a crescente urbanização tende a minorar os problemas econômicos da sociedade, e que a Terra ainda tem muito potencial para crescimento demográfico e possibilidades imensas de alimentar adequadamente essa população. Historicamente as pessoas da atualidade estão sendo melhor alimentadas do que antigamente, mas o espectro da fome existe devido a um problema distributivo, ou seja político, e não técnico ou de falta de alimentos. A saúde e a expectativa de vida só têm aumentado, até mesmo nos países subdesenvolvidos. Claro que é necessário cuidar nacional e internacionalmente do referido problema da distribuição de bens e riquezas, mas a decisão de fazer as economias crescerem e acelerarem cada vez mais também é vital para se resolver o problema. Aprofundar a industrialização é a melhor alternativa para todos e de todos os pontos de vista, apesar da ideologia anti-industrialista que se associou ao mito de sociedade “pós-industrial”. A industrialização pode ajudar inclusive a diminuir a concentração de poluentes no ar; em particular, já foi demonstrado que a chuva ácida não está correlacionada com a emissão de NOx ou SO2 (Lomborg, 2001).

Recuperando uma agenda perdida na pregação romântica por um planeta mais “limpo”, insistimos que a industrialização intensificada também é o único remédio adequado para problemas como a poluição das águas e o processamento do lixo. O uso de pesticidas (tanto industriais quanto naturais) não pode ser descartado para a produção de alimentos e eliminação da fome, tendo baixíssima correlação com doenças. Estudos mais desapaixonados também questionam que a variação do tamanho do buraco de ozônio seja função de efeitos de emissão causados pela industrialização (Maduro, 1990). Mesmo o aquecimento global tem sido contrariado por diversos especialistas em meteorologia, que em verdade apontam para a hipótese contrária, a de estarmos caminhando para uma nova era glacial (Hecht, 1994). O desflorestamento do planeta é certamente um problema, mas é localizado e a área cortada pode ser reflorestada, até mesmo se recuperando a diversidade vegetal e animal. Aliás, a propalada redução da biodiversidade em 40.000 espécies por ano (mesmo não havendo consenso entre os biólogos que permita saber exatamente o que é uma espécie) se revelou falsa, pois está mais perto de 200 espécies por ano – e a extinção pode ser desacelerada (Lomborg, 2001). Água e matérias-primas, inclusive os combustíveis não dão sinal de exaustão e novas tecnologias têm tornado possível tanto seu reaproveitamento quanto a descoberta de mais fontes energéticas. Em contrapartida, todas as propostas ambientalistas radicais têm um fundo na matriz malthusiano-darwinista.

Os antecedentes econômicos e ideológicos citados fizeram com que a obra de Darwin fosse muito bem divulgada pelos seus incentivadores, inclusive pela sempre citada contribuição do confronto público entre seu arquidefensor Thomas Huxley e o bispo criacionista Sam Wilberforce. Com o alarde e sensacionalismo criados em torno do episódio, logo a idéia de Darwin chegou a outros países. A propósito daquele debate, ele continha algumas sutilezas que a sua apresentação caricatural não deixa perceber, e algumas questões por ele levantadas continuaram sendo disputadas até hoje (Hellman, 1999). O grande impulso para a popularização das idéias darwinistas foi dado pela adesão de Herbert Spencer, na Inglaterra, e de Ernst Haeckel, na Alemanha, dois escritores muito populares e com afinidades ideológicas com a teoria de Darwin. No Brasil, o darwinismo teria chegado já na década de 1860, através de traduções francesas das obras de Darwin, Spencer, Haeckel e outros. Sua entrada nos meios acadêmicos brasileiros se deu com o médico Miranda de Azevedo em 1874, tendo-se divulgado pelo uso dos conceitos de evolução darwinista tão marcantes nas obras dos pensadores Sílvio Romero e Tobias Barreto (Collichio, 1988).

Por outro lado, houve sérias objeções a que nem Darwin nem seus patrocinadores souberam responder na época, tais como a idade da Terra e a diluição pouco a pouco das características dos progenitores, e portanto das variações, ao longo das gerações (o chamado “paradoxo de Jenkin”). Esta última dificuldade precisou esperar pela integração do mendelismo ao darwinismo, que se deu com a “teoria sintética”, uma forma de neo-darwinismo. Deve-se notar porém o ataque plenamente contemporâneo a Darwin, de origem mais filosófica e especulativa, feito pelo inglês Samuel Butler, que publicou já em 1863 seu artigo “Darwin entre as Máquinas”. A este se seguiu seu romance “Erewhon”, uma vigorosa sátira contra a hipocrisia moral vitoriana, na qual as máquinas seguem um esquema evolutivo darwiniano, para desnudar o que eram justificativas de domínio das classes abastadas sobre as mais pobres. O tema de Butler se presta admiravelmente à discussão da possibilidade de “inteligência artificial” - lembrando porém que a inteligência humana é um desafio não respondido pelo darwinismo (Blanc, 1994). As idéias de Butler foram modernamente retomadas em conexão sobre a discussão de máquinas que fazem outras máquinas, juntamente com uma hipótese de que o lamarckismo explicaria o mecanismo da evolução nos primórdios da vida (Dyson, 1998), sendo gradativamente substituído pelo mecanismo da seleção natural.

A teoria darwinista da evolução é, para seus atuais adeptos extremados, tão poderosa que mesmo para eventuais formas de vida alienígena, eles acreditam que esta terá se desenvolvido forçosamente de acordo com os princípios desta teoria (Dawkins, 1998). Os argumentos contrários ao darwinismo, quando expostos por darwinistas ortodoxos como Ernest Mayr ou Richard Dawkins, são sofismas que admitem o darwinismo como ponto de partida - para chegarem ao mesmo ponto de onde partiram. Por outro lado, embora seja como se verá adiante uma aparente dissidência, o chamado "saltacionismo" procura no fundo defender a teoria darwinista e atualizá-la, ainda que às custas de seu axioma de transformações lentas e graduais. Os seguidores da linha saltacionista afirmam que a evolução é materialista, não é finalista e não admite uma noção de progresso (Gould, 1979). Mesmo havendo subscrito a hipótese contrária à da teoria sintética, de que a seleção natural não é o único mecanismo determinante da evolução, ao longo de seus livros Stephen Jay Gould lembra que o próprio Darwin também falava de outros mecanismos além da seleção natural e Gould acaba fazendo concessões para nada mudar de fundamental, pois discorda veementemente de que o darwinismo esteja em crise ou em vias de ser superado – seus esforços são, pelo contrário, para revigorá-lo.

Uma das aplicações mais esdrúxulas dos seguidores do darwinismo tem sido a da epistemologia científica. Segundo essa visão, filósofos das ciências bastante renomados, entre os quais Karl Popper e David Hull, de maneiras e com alcances diferentes, teriam proposto que o próprio conhecimento avança por hipóteses que são selecionadas por mecanismos análogos ao da seleção natural: as idéias evoluem, sendo selecionadas as mais aptas na luta por sua existência (Ruiz e Ayala, 1998). Pode-se contra-argumentar notando que a história das ciências mostra que, diferentemente da evolução biológica, há idéias que vão e vêm, dando-se o retorno e atualização de uma idéia muito tempo depois do seu abandono (como por exemplo o sistema heliocêntrico de Aristarco e outros gregos, que só retorna após o Renascimento). Julgamos que a epistemologia, enquanto estudo do processo geral do conhecimento depende de se exercer um dom, este sim resultado da evolução biológica e não da seleção natural, que é a criatividade humana.

Fonte:
Gildo Magalhães (prof. História da Ciência – FFLCH/USP): “Darwin: Herói ou Fraude?

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Era Nietzsche anti-semita?


"Vários excertos da obra do filósofo alemão mostram que sua associação com idéias racistas, anti-semitas ou relativas a um “arianismo” ou “germanismo” não passa de um erro grosseiro. Como exemplo, apresentamos uma citação sobre o anti-semitismo e outra sobre os alemães:

“É certo que os judeus [por serem a raça mais forte e mais rija que vive na Europa], se quisessem – ou, se fossem obrigados a tal, como os anti-semitas parecem querer -, poderiam desde já ter a preponderância, mais ainda, falando de modo completamente literal, o domínio da Europa; é também certo que não trabalham nem fazem projetos nesse sentido. Ao contrário, o que pretendem e querem, no momento, até com certa insistência, é ser absorvidos e integrados à Europa, pela Europa; desejam se fixar seja onde for e ser admitidos, respeitados e dar um fim à vida nômade, ao “judeu errante” (Nietzsche, Para além de bem e mal § 251).

“A minha desconfiança do caráter germânico já se exprimiu aos vinte e seis anos (terceira consideração extemporânea). Os alemães são, para mim, insuportáveis. Quando pretendo imaginar uma espécie de homens absolutamente opostos a todos meus impulsos, é sempre um alemão que se apresenta ao meu espírito” (Nietzsche, Ecce homo “Caso Wagner” § 4).

Não bastassem esses e outros textos de Nietzsche, alguns elementos apresentados acima invalidam uma associação séria entre a filosofia nietzschiana e um projeto eugenista tal como o dos darwinistas sociais não-liberais (Francis Galton, por exemplo) ou dos nacional-socialistas alemães.

Sabemos que a luta dos impulsos ocorre pela superação: tanto a criação de uma nova moral como a transformação radical de uma forma biológica em outra dependem de uma luta de impulsos - o domínio absoluto de um sobre os outros causa a estagnação. Uma luta dinâmica garante o revezamento de comando e de obediência, o que propicia a transformação. Nesse contexto, os ideais de uma raça pura ou de uma raça superior que deva dominar todas as outras, assim como a idéia de uma meta suprema da humanidade ou progresso, são considerados por Nietzsche estratégias de conservação de tipos decadentes.

Nietzsche, portanto, não propõe um tipo ideal que deva ser o ponto culminante do desenvolvimento da espécie humana. O filósofo alemão despreza o objetivo de um tipo fixo, ou seja, não propõe nem a “besta loura”, nem o “bom samaritano” puros. O tipo proposto por Nietzsche, inclusive através de uma seleção cultural, é aquele capaz de uma superação contínua. Assim como um impulso absolutamente dominante destrói o organismo, um tipo absoluto provocaria estagnação. Pelo mesmo motivo, a luta por dominação não pode levar à aniquilação dos combatentes.

Não há, na filosofia nietzschiana, nenhum tipo ideal a ser atingido: o filósofo alemão não acredita no progresso da humanidade como um todo, pois considera apenas o surgimento de homens diferentes. Além disso, o homem superior ou a exceção (ou mesmo o homem inferior e a aberração), ao surgir, pode sucumbir ao peso do numérico da média ou ainda se desagregar devido a sua maior complexidade. Não há nenhuma garantia de que a exceção sobreviva e, ainda mais, exerça um papel de destaque em seu meio. Não há coincidência entre ser melhor e ser dominante.

Além disso, o processo de auto-superação, ao ocorrer no nível do próprio organismo não deve ser institucionalizado. As críticas que Nietzsche faz ao Estado, especialmente ao totalitário, nos permite afirmar que os processos educacionais não devem estar nas mãos dessa instituição. O Estado, para o filósofo alemão, é outro aparato que visa à conservação porque nele ocorre a cristalização do domínio. O Estado, para Nietzsche, é uma estupidez.

Podemos afirmar, portanto, pelo exposto acima, que Nietzsche não propõe processos eugenistas e, muito menos, como política de Estado. Tal como a vida, que é, para o filósofo alemão, um fluxo contínuo de auto-superação, o desenvolvimento do homem deve ocorrer por criação contínua, ou seja, pela possibilidade de transformação e não de conservação ou cristalização. À perpetuação e à monotonia do sempre igual (o mesmo) dos eugenistas, Nietzsche contrapõe a superação e a presença das múltiplas possibilidades humanas: para o filósofo, o homem deve criar-se constantemente".

Fonte:
WILSON ANTONIO FREZZATTI JUNIOR. “EQUÍVOCOS A RESPEITO DE NIETZSCHE:O DARWINISMO, A EUGENIA E A DEMOCRACIA PÓS-MODERNA”.

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"O livro Origin of species publicado em 1859 produziu um grande impacto dentro da comunidade científica britânica constituída principalmente por anglicanos que acreditavam que as espécies eram fixas. Charles Darwin defendia nessa obra que as espécies se transformavam umas nas outras e que o processo evolutivo ocorre principalmente de maneira lenta e gradual através de acúmulo de pequenas modificações sobre as quais age a seleção natural. A seleção natural seria para ele, o principal mecanismo de transformação das espécies, embora não o único. Apesar de admitir que a transformação de espécies pudesse também ocorrer em um único passo, considerava que isso teria uma importância mínima no processo evolutivo. Além disso, Darwin aceitava a existência de herança com mistura (às vezes chamada de hereditariedade “soft”) que era um modo pelo qual a natureza podia conservar a uniformidade das espécies apesar da variabilidade que ocorria em cada geração. Alguns anos mais tarde, para explicar a herança, ele propôs a hipótese da pangênese que permitiria a produção de uma variabilidade suficiente para que a seleção natural pudesse atuar. Porém, a teoria de Darwin tinha problemas, pois não explicava adequadamente como as variações sobre as quais a seleção natural agia eram produzidas.

Muitos investigadores acreditavam que a seleção natural não era suficiente para produzir uma diversidade nas espécies.No final do século XIX vários estudiosos como Karl Ernst von Baer (1792-1876), Rudolph Albert von Kölliker (1817-1905) e Karl Wilhelm von Nägeli (1817-1891) criticavam a seleção natural e procuravam explicar as variações que ocorriam nos organismos de modo diferente, considerando a influência do meio. Nesta época havia diversos estudos sobre a influência direta das condições do meio sobre a variação na estrutura dos organismos e discutia-se se os fatores responsáveis pela mesma estavam relacionados ao própr io meio ambiente ou à seleção natural. Vários deles admitiam que o grau de salinidade da água, por exemplo, poderia alterar a estrutura de protozoár ios, crustáceos e ouriços do mar.

Os estudos sobre a hereditariedade sofreram uma grande mudança depois da adoção dos princípios mendelianos, a partir de 1900. A proposta de Mendel que apareceu em seu artigo sobre a formação de híbridos (1866) baseada principalmente em estudos envolvendo cruzamentos experimentais de ervilhas do gênero Pisum admitia a existência de elementos celulares encontr ados nos gametas responsáveis pela transmissão das características hereditár ias os quais não se misturavam e que seguiam determinados padrões que não eram universais.

William Bateson (1861-1926) publicou a tradução para o inglês do artigo de Mendel em seu livro Mendel’s principles of heredity: a defence (1902), já trabalhava com cruzamentos experimentais envolvendo não apenas vegetais mas também animais como borboletas e galinhas. Juntamente com seus colaboradores (Leonard Doncaster, Reginald Crundall Punnett e Edith Saunders) procurou verificar se os princípios que Mendel tinha encontrado em ervilhas se aplicavam aos outros organismos. Além disso, buscou desvios dos padrões mendelianos propondo novas leis, desenvolvendo o chamado “ programa de pesquisa mendeliano”. Os resultados obtidos nos cruzamentos experimentais que Bateson realizou reforçavam a idéia da descontinuidade das variações e minimizavam o papel da seleção natural no processo evolutivo, priorizando o papel da evolução saltacional8. Na época, além de Bateson, diversos pesquisadores como Thomas Hunt Morgan (1866-1945), por exemplo, consideravam que a seleção natural sozinha, não poder ia dar conta da formação de novas espécies.

O livro Mendel’s principles of heredity: a defence, de autoria de Bateson, foi uma resposta às inúmeras críticas que haviam sido feitas por parte do biólogo Walter Frank Raphael Weldon (1860-1906) e do matemático e estatístico Karl Pearson (1857-1936) não apenas aos princípios mendelianos como também à forma pela qual Bateson os interpretava. Pearson e Weldon desenvolviam estudos estatísticos em populações sobre a herança de características que eram herdadas de modo contínuo como, por exemplo, a estatura do povo inglês, em cuja herança existe uma gradação de possibilidades entre estaturas mais baixas e as mais elevadas. Este tipo de estudo substanciava, portanto, a idéia de que a evolução era principalmente gradual e conferia um papel importante à seleção natural no processo. As diferentes interpretações acerca do processo evolutivo bem como de aspectos relacionados à hereditariedade provocaram uma das mais acirradas controvérsias da história da biologia: a controvérsia mendeliano-biometricista. Esta se deu principalmente entre 1902 e 1906 na Grã Bretanha, envolvendo por um lado William Bateson, Charles Chamberlain Hurst e outros e, por outro lado, Weldon e Pearson e outros. Esta dizia r espeito, entre outr os, a aspectos relacionados ao processo evolutivo (continuidade / descontinuidade das variações) e a relevância da seleção natural no processo” (p. 5-8).

Fonte:
Waldir Stefano. “Os estudos experimentais de Herbert Spencer Jennings com protozoários (1908-1912): aspectos evolutivos e genéticos". (Tese apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de Doutor em História da Ciência, sob a orientação da Profa. Doutora Lilian Al-Chueyr Pereira Martins. São Paulo, 2009).

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"A seleção natural consiste num mecanismo gerador de um alto grau de improbabilidade, principalmente quando depende da adaptividade. Explica que a Seleção Natural é atuação de viabilidades e fertilidades diferenciais por motivos genéticos (FREIRE-MAIA, 1988). O mesmo cita alguns autores a fim de elucidar a seleção natural, como por exemplo, Dobzhansky e, para quem: a essência da seleção natural é a reprodução diferencial dos portadores de diferentes dotações hereditárias . Depois, cita Ayala, para quem: a seleção natural é simplesmente o processo de reprodução diferencial de variantes genéticas alternativas ou uma distorção estatística da eficiência reprodutiva a favor das variantes genéticas, mais adaptativas . Outro mencionado é Julian Huxley que diz: a teoria da seleção natural baseia-se em três fatos e duas deduções, primeiro nas tendências gerais dos seres vivos em aumentar em número; segundo, apesar dessa tendência, o seu número mantém-se mais ou menos constante . De acordo com os pr incípios dar winianos, sob a ótica Huxleyana, Freire-Maia (1988, p. 108), apresenta seis itens importantes ao entendimento da seleção natural, a saber:

1. O número de indivíduos em qualquer população tende a aumentar geometricamente quando as condições permitem a sobrevivência de toda a progênie.
2. O potencial para rápido aumento raramente se cumpre.
3. Darwin deduziu destes fatos que ocorre uma competição ou luta pela sobrevivência na qual muitos indivíduos são eliminados.
4. Variação na forma de diferenças individuais existe em cada espécie ou
população.
5. Pelas diferenças observadas entre indivíduos e entre variedades, Darwin deduziu que o processo de eliminação era seletivo.
6. Evolução é uma mudança gradual na composição hereditária da espécie.

Esses pontos que levantamos aqui são relevantes para perceber o processo evolutivo dos seres vivos e do homem em geral e os critérios metodológicos oriundos das pesquisas de Darwin que nos auxiliaram até agora. A história evolutiva do homem é composta de mudanças e adaptações comportamentais e anatômicas. Os padrões de alteração ambiental e do desenvolvimento comportamental são, portanto, partes da história da evolução da nossa espécie. O primeiro está gravado no registro geológico e paleontológico, o segundo nos restos materiais que constituem a base da arqueologia. Os humanos se tornaram o que são através de uma aprendizagem intensa das habilidades de sobrevivência e costumes sociais que os diferenciam em grande parte dos outros animais.

A evolução da espécie humana é apenas mais uma dentre as milhões de espécies que evoluíram com o passar do tempo, e tem habitado este planeta. Para tentar compreender a evolução do bicho homem e dos hominídeos como um todo é necessário considerá-la sob o ponto de vista da evolução da vida em geral (FOLEY, 1993, p. 29-31).

O
s caminhos percorridos pelo homem moderno, assim como suas origens, são pontos primordiais de muitas pesquisas no mundo todo. Os achados em arqueologia e paleontologia traçam as possíveis migrações populacionais que oc orreram ao longo da história. Na busca das nossas origens precisamos estar atentos à ancestralidade e ao processo evolutivo humano, que se fazem necessários para melhor entendermos os aspectos biológicos dos nossos antepassados. O foco até aqui foi à descrição do processo de formação e consolidação da Teoria da Evolução e seu percurso nestes últimos 150 anos quanto à origem do homem, sobretudo e fundamentalmente, a partir dos escritos darwinianos, refazendo a trajetória da espécie" (p. 32-34).

Fonte:
ANDRÉA PORTO LUIZ MADEIRA. “FÉ E EVOLUÇÃO: A INFLUÊNCIA DE CRENÇAS RELIGIOSAS SOBRE A CRIAÇÃO DO HOMEM NA APRENDIZAGEM DA TEORIA DA EVOLUÇÃO COM ALUNOS DO 3º ANO DO ENSINO MÉDIO” (Dissertação apresentada ao Progr ama de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP, como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre, sob a orientação do Prof. Dr. Eduardo Rodrigues da Cruz. PUC – SP, 2007).

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"Quando a pangênese foi publicada por Darwin em 1868, seu meio-primo Francis Galton (1822-1911) a considerou um possível modo de explicar as leis da hereditariedade, e propôs que a parte da hipótese, que admitia a circulação das gêmulas pelo corpo e sua transmissão através das gerações, deveria ser testada.

Galton considerava que a hipótese da pangênese era a melhor e mais elaborada proposta para explicar a hereditariedade, pois afirmou:

Nenhum a teoria da hereditariedade foi enunciada com mais clareza e plenitude que a Pangênese do Sr. Darwin, e a afirmação preparatória da teoria contém a m ais elaborada epítome que existe, dos mais variados fatos que uma teoria da herança completa deve dar conta.

Pode-se perceber aqui que Galton conferiu um status superior à proposta de Darwin já que se referiu a ela como teoria e não como hipótese, como Darwin o fez.

Mas, embora otimista em relação a alguns aspectos da hipótese da pangênese, Galton percebeu que esta apresentava alguns problemas tais como:

a) Sob o ponto de vista físico, era difícil compreender como um corpo coloidal (como as gêmulas deviam ser) poderia passar livremente através das membranas encontradas no organismo.
b) Havia dificuldades em entender como se dava a passagem das gêmulas do pai para o corpo da mãe. Se elas se difundiam no corpo da mãe, então um número mais limitado das gêmulas paternas passaria para o feto, que então apresentaria m enos características paternas levando os descendentes a serem muito mais parecidos com as mães e com as avós.

Galton entendeu que as gêmulas circulariam pelo corpo, pois Darwin afirmara que as unidades lançariam grânulos que seriam disseminados por sistema. Nas palavras do próprio Darwin: eu assumo que as unidades todo o lançam grânulos minúsculos que são dispersados através de todo o sistema (...). E a fim de testar a transmissão das gêmulas, Galton realizou um experimento usando coelhos de variedades, que ele considerou puras, da raça Silvergrey:

Eu, portanto, decidi injetar sangue de natureza diferente na corrente circulatória de animais de variedades puras (claro, sob a influência de anestésicos) e a partir do cruzamento entre eles, perceber se sua prole apresentava ou não sinais de mistura" (p. 26-27).

Fonte:
Andreza Polizello. “Modelos microscópicos de herança no século XIX: a teoria das estirpes de Francis Galton” (Dissertação apresentada à banca examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em História da Ciência, sob a orientação da Profa. Dra. Lilian Al-Chueyr Pereira Martins. SÃO PAULO, 2009).

Eu li isso...

“O bioquímico russo Alexandre Ivanovicth Oparin publica, em 1924, na antiga União Soviética, um artigo contendo sua hipótese acerca de um ponto considerado nevrálgico da história da biologia: o problema da origem da vida na Terra. Oparin propõe sua hipótese sobre a origem da vida relacionando o evolucionismo biológico, principalmente a teoria da seleção natural de Charles Darwin, com o materialismo dialético de Karl Marx e Friedrich Engels. Há divergências quanto à natureza de tal relação, considerada, por alguns autores, coerente e, por outros, “forçada” por pressões políticas presentes no contexto em que Oparin viveu, sob o regime stalinista da antiga União Soviética. A partir de uma análise comparativa entre os livros de Engels – principalmente Dialética da natureza , no qual sua concepção de natureza e do materialismo dialético são presentes – e publicações de Oparin, este trabalho mostra que tais concepções serviram a este último para o desenvolvimento posterior de sua hipótese, como uma certa “sofisticação” em termos de argumentos, tanto do ponto de vista filosófico como experimental.”

É isso!

Fonte:
CARLOS NEGRETTI: “As relações entre a concepção de natureza de F. Engels e a hipótese de A. I. Oparin sobre o problema da origem da vida na Terra” (Dissertação apresentada à Banca da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em História da Ciência, sob a orientação da Profª Doutora Maria Elice Brzezinski Prestes. PUC/SP São Paulo, 2006).

Darwin: "o quinto elemento"

Sinceramente não é possível aceitar as razões com as quais algumas pessoas buscam isentar Darwin da pecha do Darwinismo Social. Mas, como aqui a gente mata a cobra e mostra a cobra, trago novos fatos, que mais uma vez faz cair a máscara do “naturalista politicamente correto”. Vejamos...

O Darwinismo Social como é sabido, foi uma corrente teórica da segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX, que aplicou na esfera social alguns princípios darwinistas, como a Seleção Natural, o lema “sobrevivência do mais apto” e o conceito de evolução como progresso. Dos muitos nomes que se engajaram em prol dessa ideologia, quatro deles são bem conhecidos: Hebert Spencer, Francis Galton, Lewis Henry Morgan e Edward Burnett Tylor.

Pois bem. “Coincidentemente”, a aqui as aspas são propositais e indispensáveis, os nomes desses quatro evolucionistas aparecem como referências bibliográficas, onde mesmo?

Aqui: “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”. De quem mesmo? Charles Darwin, o homem que, segundo andaram dizendo por aí, elaborou sua teoria a favor de “uma causa sagrada”. Vejamos...

1. HERBERT SPENCER:
"O nosso grande filósofo Herbert Spencer recentemente explicou as suas ideias sobre o senso moral. Diz ele: "Creio que as. experiências úteis, organizadas e consolidadas através de todas as gerações humanas passadas, têm vindo produzin­do modificações correspondentes que, com a contínua trans­missão e acumulação, tornaram-se em nós determinadas fa­culdades de intuição moral, correspondendo certas emoções, que não têm base aparente na experiência individual de uti­lidade, à conduta certa ou errada" (p. 148).

2. FRANCES GALTON:
"Baseados na lei do desvio da média, tão bem ilustrada por Galton em seu livro Hereditary Genius, podemos também concluir que, se em muitas disciplinas os homens são decididamente superiores às mulheres, o poder mental médio do homem é superior àquele destas últimas (p. 648).

3. LEWIS HENRY MORGAN:
"Morgan está convencido, porém, de que tal hipótese deve ser considerada como válida. Segundo este autor, os termos que exprimem vínculo, usa­dos nas várias partes do mundo, dividem-se em duas grandes classes: a classificatória e a descritiva, sendo que esta última é a que nós usamos. É o sistema da classificação que nos leva a concluir que o matrimónio comum e os outros vínculos muito frágeis teriam constituído a união originariamente uni­versal" (p. 677).

4. EDWARD BURNETT TYLOR:
"Conforme mostrou Tylor, é também pro­vável que os sonhos tenham sido os primeiros a dar origem à ideia dos espíritos, visto que os selvagens de fato não distin­guem entre as impressões subjetivas e objetivas. Quando um selvagem sonha, crê que as imagens que lhe aparecem prove­nham de longe para se deterem diante dele; ou então: "o espí­rito do sonhador divaga durante suas viagens e volta para casa com a lembrança daquilo que viu". Mas enquanto as faculdades da imaginação, da curiosidade, da razão, etc. não tiverem alcançado um desenvolvimento completo na mente do homem, os seus sonhos não levarão a crer nos espíritos mais do que um cão acredita" (p. 115).

Ou seja, se Darwin bebeu nos darwinistas sociais, e se fez uso das premissas que nortearam essa ideologia, pode-se concluir tranquilamente que ele seria, entre estes, o "quinto elemento":

5. CHARLES DARWIN:
"Ambos os sexos de­veriam abster-se do matrimônio se acentuadamente fracos no corpo e na mente; mas estas esperanças são utópicas e nunca serão concretizadas nem mesmo parcialmente, enquanto as leis da hereditariedade não forem conhecidas amplamente" (p. 709).

Fonte:
A Origem do Homem e a Seleção Sexual”. Charles Darwin. Hemus Editora. São Paulo, 1974.

As incertezas das evidências

Quem já travou algum tipo de debate com os devotos de Darwin, deve ter notado a obstinação de muito deles em sempre confundir “evolução” com Teoria da Evolução. Daí aquela enfadonha pergunta: “Em que isso invalida a evolução?”, como se uma cousa fosse obrigatoriamente sinônima da outra.

Embora a Teoria da Evolução se paute também na “evolução”, o seu conteúdo epistêmico vai muito além da simples constatação de que os seres vivos mudam ao longo do tempo. Em seu bojo incluem-se aspirações e crenças que extrapolam qualquer observação da Natureza. Obviamente que uma afirmação desse tipo sempre vai ser recebida como sendo fruto da ignorância e do desconhecimento do que seja “evolução”. Mas essa é uma maneira que eles encontraram de se sentirem cada vez mais os donos da verdade. Cada louco com sua mania, diz o dito popular.

Isso me remete a um texto de James George Frazer, um antropólogo evolucioniasta, autor de “O Ramo de Ouro”, escrito em 1890, no período em que o darwinismo fincava sua base também na esfera social.

Defendendo a tese de que a sociedade humana desenvolveu-se em estágios sucessivos e obrigatórios, numa trajetória unilinear e ascendente rumo à civilização, escreveu ele:

Em suma, a definição pressupõe que a civilização, sempre e em toda parte, tem evoluído a partir da selvageria. A massa de evidências sobre a qual se baseia esse pressuposto é, em minha opinião, tão grande que torna indiscutível este raciocínio indutivo. Pelo menos, penso que, se alguém discorda disso, não vale a pena discutir com ele. Ainda existem, creio, na sociedade civilizada, pessoas que sustentam que a terra é plana e que o sol gira ao seu redor; mas nenhum homem sensato perderá seu tempo na vã tentativa de convencer tais pessoas de seu erro, muito embora esses aplanadores da terra e giradores do sol apelem, com perfeita justiça, para a evidência de seus sentidos em apoio a sua alucinação, algo que os oponentes da primitiva selvageria do homem não são capazes de fazer.”

Segundo Frazer “em comparação com o homem civilizado, o selvagem representa um estágio estacionado, ou melhor, retardado do desenvolvimento social, e, portanto, um exame de seus costumes e crenças fornece o mesmo tipo de evidência da evolução da mente humana que o exame de um embrião fornece da evolução do corpo humano. Em outras palavras, um selvagem está para um homem civilizado assim como uma criança está para um adulto” (“O Escopo da Antropologia Social”, in: “Evolucionismo Cultural”, tradução e organização: Celso Castro. Zahar Editor. Rio de Janeiro, 2009, p. 107).

Já há bom tempo que esses ideais de evolução como progresso foram devidamente superados. Todavia, fica aqui a lição da interinidade das evidências. O que hoje é tão claro como o Sol, amanhã pode tornar-se mais sombrio que o abismo de Dante.

Para Frazer suas teses eram tão óbvias que desmereceria qualquer discussão. Isso me remete mais uma vez aos devotos atuais de Darwin, os quais da mesma forma que o citado antropólogo, acreditam que seus amontoados de "evidências" sejam o óbvio multiplicado por mil. Mas, como já dizia J. Bailey: “A
primeira e pior de todas as fraudes é enganar-se a si mesmo. Depois disto, todo o pecado é fácil.”

É isso!

O deus de Hawking

Em termos “científicos”, digamos assim, ou seja, do ponto de vista daquilo que se pode pesar, medir e testar, qual a diferença entre crer numa divindade e acreditar em extraterrestres?

Esta pergunta dispensa a questão de “lógica” ou “probabilidade”, uma vez que isso também não entra no escopo daquilo que se
pode demonstrar, patentear, comprovar, provar ou colocar em tubos de ensaio.

Qual a probabilidade de haver vida inteligente em Marte, por exemplo? Matematicamente ela pode ir ao infinito, todavia, ainda assim tudo fica no mero plano da especulação. Já se calculou a probabilidade de a vida ter se originado e se desenvolvido ao mero acaso. O resultado, embora tenha sido imensamente desfavorável a tal hipótese, não é aceito cientificamente como fato comprovado. A probabilidade, portanto, no máximo servirá apenas como motivo ou indício para se presumir a verdade ou a possibilidade de que as coisas se sucederam ou não de determinado modo, porém nunca é prova segura da realidade.

Sendo assim, por que um cientista de renome internacional como Stephen Hawking, um ateu confesso, nutre tanta obsessão por ETs?

A resposta do físico parece fundamentar-se, essencialmente, na vontade ou no desejo de que as coisas fossem da forma como ele queria que fosse. Isso parece claro quando disse: “Para meu cérebro matemático, os números faz pensar em extraterestres como algo perfeitamente racional. O verdadeiro desafio é inquerir como são eles de verdade”. Segundo Hawking, a maioria dos extraterrestres seriam equivalentes a micróbios, a animais simples, do tipo daqueles que dominaram a terra durante a maior parte de sua história. Contudo, diz que algumas formas de vida poderiam ser inteligentes, constituindo-se em forte ameaça à Terra. A par disso, aconselha ele aos humanos que evitem contato com esses seres imagináveis.

Numa matéria publicada no início do ano pelo jornal
La Nación (Chile), quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu:
- Não creio em um Deus pessoal. Isso são apenas bons desejos.

Hawkins pode não acreditar em um Deus pessoasl, mas faz questão de anunciar ao mundo que em algum lugar do planeta os aliens podem estar tramando contra os pobres e indefesos terráqueos. Se isso não for apenas bons desejos, depressa, mandem apriosionar a mula-sem-cabeça!

É isso!

Eu li isso...

"Na 'luta pela sobrevivência' que forneceu a metáfora básica do pensamento econômico, político, social e biológico do mundo burguês, somente os 'mais capazes' sobreviveriam, sendo sua "capacitação" comprovada não apenas por sua sobrevivência mas também por sua dominação. A maior parte da população mundial tornou-se vítima daqueles cuja superioridade econômica, tecnológica e consequentemente militar era inconteste e parecia indestrutível: as economias e Estados da Europa central e setentrional e os países estabelecidos alhures por seus imigrantes, especialmente os Estados Unidos” (Eric Hobsbawn, em “A Era do Capital”).

É isso!

Humor Darwinista: Momento da Vida

Belíssimas fotografias de embriões em seus respectivos úteros:










Fonte das imagens:
Suchablog

É isso!

Depressão e adaptação

Dentre os muitos significados atribuídos pelo “Aurélio” à palavra “adaptação”, um deles diz tratar-se de “ajustamento de um organismo, particularmente do homem, às condições do meio ambiente”. Os darwinistas costumam afirmar que a Seleção Natural atua para adaptar cada vez mais e melhor os organismos às necessidades do ambiente onde vivem.

E para exemplificar o funcionamento do adaptacionismo a la Darwin, faço menção de um artigo intutulado “O lado bom da depressão”, publicado tempos atrás pela revista Galileu, no qual Darwin mais uma vez se faz presente:

“Segundo Darwin — ele próprio um notório deprimido, como explicitou em várias cartas ao longo da vida —, as espécies passam por um inexorável processo de adaptação em que características mais favoráveis a sua existência acabam sendo passadas de geração a geração. Trata-se de um afinadíssimo mecanismo de seleção e especialização que garante a permanência de traços que nos deixam mais aptos a encarar os obstáculos. Adeptos da psicologia evolucionista acreditam que a seleção natural não envolve apenas o corpo. As características da mente humana também seriam o resultado de uma longa jornada de depuração em nome da sobrevivência e reprodução. Se a teoria de Darwin é amplamente aceita até hoje no meio científico, argumentam Thomson e Andrews, então a depressão não pode ficar de fora. Em outras palavras, a depressão seria uma adaptação humana que chegou até nós com tamanha incidência não por acidente, mas porque precisamos dela como indivíduos.”

Como contra-argumento à explicação adaptativa acima, faço menção de uma postagem interessante que encontrei num fórum popular da Internet, numa comunidade dedicada à Teoria da Evolução:

“Não se observa essa correlação: depressão => indivíduos mais aptos e fortes. Pelo contrário. Como já foi dito, doença mental é algo que atrapalha a vida normal. Se depressão deixasse os indivíduos mais aptos e fortes não seria doença. E é doença.

É uma das maiores causas de incapacidade para o trabalho. O risco de suicídio entre depressivos é muito maior do que na população geral. O grau de desagregação familiar e de insatisfação com a vida é imenso.

Além disso, depressão somente é considerada curável em 1/3 dos casos. Em 1/3 existem recaídas. No outro 1/3 praticamente é uma crise atrás da outra.

Somente consigo imaginar a depressão como algo útil para artistas. Parece que o sofrimento traz alguma inspiração para pintores, músicos, escritores e outros. Pelo menos até eles se matarem. Para o restante da população certamente depressão não é agradável nem traz qualquer vantagem evolutiva" (por: Leandro).

É isso!

A função adaptativa da pança ((rs))

No darwinismo é raro encontrar algo que não possa ser explicado evolutivamente. Alguns órgãos do corpo humano possuem óbvias funções: o naraiz, para cheirar; o boca, para comer e falar; o ouvido, para escutar; as mãos para segurar; os pés, para andar etc. Se há algo que não tenha uma função aparente, provavelmente deve ser um vestígio da evolução, como os mamilos masculinos, o dente do siso, o cóccix, entre tantos outros. Todavia, algumas características próprias dos homens, como a barriga (bojo, saliência, protuberância, pança, como queiram) parecem fugir dos subterfúrgios adaptativos empregados pelos devotos de Darwin.

E foi com o objetivo de deixar a galera de Darwin ainda mais de barriga cheia, e também para evitar que continue empurrando esta situação embaraçosa com a barriga, que descobrir uma função toda peculiar para este tão imprescindível órgão do corpo humano, como se pode ver na fotografia abaixo: ((rs))

É isso! ((rs))

"Os feias que me perdoem, mas beleza é fundamental"

Esta famosa frase de Vinícius de Moraes, embora politicamente incorreta, é excelente para explicar a evolução do homem sob a lógica do gradualismo ortodoxo darwinista. E para isso sirvo-me das diversas gravuras, as quais abundantemente povoam o fértil imaginário dos devotos de Darwin.

Se atenteramos bem a árvore genealógica humana, como aquela divulgada na Wikipédia, notamos que a evolução seguiu-se num movimento ou marcha para adiante, sempre progressivamente. O homem, saindo de uma forma menos organizada, avança rumo ao ápice de sua evolução, muito bem refletido no branco europeu, preferencialmente os ingleses com o cérebro superior a 1.500 gramas.

Nos primórdios da Teoria da Evolução, o conceito de “mais evoluído” estave sempre associado à idéia de progresso e civilização. Darwin ao ver pela primeira vez os fueguinos, considerados por eles como selvagens e incivilizados, escreveu: “Jamais esquecerei o espanto que tive quando pela primeira vez vi uma reunião de fueguinos numa praia selvagem e impérvia, diante da ideia que logo me veio à mente — assim eram os nossos antepassados. Esses homens estavam completamente pelados e tinham o corpo pintado, com os longos cabelos emaranhados, as bocas espumavam de excitação e tinham uma expressão selvagem, apavorada e cheia de suspeita. Malmente tinham alguma arte e viviam como animais selvagens daquilo que conseguiam capturar e eram impiedosos com o que não fosse da sua tribo. Quem tiver visto um selvagem em sua terra nativa não sentirá muita vergonha se for constrangido a reconhecer que em suas veias corre o sangue das mais humildes criaturas” (“A Orogem do Homem e a Seleção Sexual”, Hemus Editora, 1974, p. 711).

Outro aspecto interessante sobre esta questão, refere-se a evolução em termos de estética. A beleza vai progredindo segundo o aumento da inteligência e o desenvolvimento do cérebro (na época de Darwin, por exemplo, era muito comum ligar-se o tamanho do cérebro ao nível de inteligência da pessoa. Paul Broca e Francis Galton sabiam que alguém era civilizado baseando-se no peso e na dimensão de sua cachola).

De Lucy até Emma, a beleza passou por pequenos e variados estágios. Quanto mais antiga é a espécie de hominídeo, mais esteticamente feia ela vai se representar nas gravuras. À medida que se aproxima a civilização, as feições vão ganhando cotornos mais harmoniosos, ao mesmo tempo em que se distianciam de suas primitivas características semiescas. Até que o homem, por fim, consegue chegar ao topo da civilização, ao cimo da evolução: Inglaterra e Charles Darwin!

É isso!