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Para quem tem estômago de avestruz

"A abundância de alimentos entorpece a inteligência." - Sêneca
Para quem tem estômago de avestruz

Para proteger a saúde da população brasileira, a Anvisa determinou  a suspensão de fabricação, distribuição, comercialização e consumo de todos os lotes dos alimentos com soja da marca AdeS, produzidos pela fábrica da empresa Unilever Brasil Industrial Ltda., em Pouso Alegre/MG. Segundo foi amplamente divulgado pela imprensa, o suco estava contaminado com  soda cáustica, produto altamente alcalino, que pode provocar queimaduras na mucosa da boca e garganta.

Toddynho tinha pH parecido com o de soda cáustica, afirma laudo
 O caso do suco Ades não é o único a vir a público no Brasil. Em 2011, por exemplo, foi constatado que o famoso achocolatado Toddynho tinha o seu PH semelhante também à soda cáustica. Como conseqüência, a empresa fabricante, PepsiCo, foi multada por "fabricar, embalar, armazenar, expedir, transportar e colocar à venda produtos sem qualidade e segurança, expondo a risco a saúde dos consumidores".

No ano passado,  Vigilância Sanitária de Porto Alegre proibiu a venda de um lote de esfihas do Habib's, uma famosa rede brasileira de fast-food, especializada em comida árabe.  A medida foi tomada após uma análise revelar a presença de três tipos de bactérias patogênicas nos recheios de sabor carne, espinafre e queijo dos salgados.  Segundo especialistas, estas bactérias podem causar diarreia, vômitos e, em alguns casos, até aborto. 


No início deste ano, a Vigilância Sanitária após vistoriar  a franquia da rede McDonald's do shopping Praia de Belas, na zona sul de Porto Alegre, encontrou sujeira e insetos, incluindo baratas. A lanchonete foi interditada e obrigada a realizar os procedimentos de dedetização.



Outro caso noticiado pela imprensa, veio de João Pessoa/PB, onde um consumidor foi surpreendido quando se preparava para degustar seu biscoito favorito,  no qual encontrou como “recheio” um   Aleurocanthus woglumi, a nossa popular “mosca” caseira. 



Recentemente uma moradora de Franca, cidade do  interior de São Paulo, teve uma surpresa desagradável ao preparar uma macarronada para a família, quando encontrou, no molho de tomate, um objeto estranho identificado como sendo um sapo.

Em 2012 foi a vez da da fabricante de alimentos Sadia, que teve de indenizar uma consumidora que encontrou unha humana dentro do produto Hot Pocket Sadia. Segundo a autora da ação, depois de comer mais da metade do produto, ela percebeu que havia uma unha no alimento.  Isso mesmo: uma unha!

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Esse é  o preço que pagamos pela falsa comodidade de ter à mão “tudo prontinho” e com os mais variados aromas e sabores. É o preço da modernidade e dos tempos em que não se tem tempo para se preparar, como faziam nossos avós, aquele maravilhoso bolo quase que artesanal,  ou aquele delicioso suco da fruta colhida no próprio quintal. Hoje pagamos caro para não termos saúde. Lamentavelmente...

É isso!

Edir Macedo e Valdemiro Santiago: "O sujo falando do mal lavado"

A Rede Record de Televisão transmitiu em seu "Domingo Espetacular" uma longa reportagem sobre o líder religioso Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus. Segundo o repórter Marcelo Rezende, o “apóstolo” adquiriu com dinheiro vivo da instituição religiosa duas fazendas, cuja soma em moeda corrente chega a R$ 50 milhões, o que corresponderia ao valor de 20 Ferraris 0 km ou dez coberturas em Nova York (EUA), ambas adquiridas com dinheiro dos fiéis. São mais de 26 mil hectares, o equivalente a 13,4 mil estádios do Maracanã.

Para quem não sabe, a Rede Record é de propriedade do Bispo Edir Macedo, e, segundo consta, fora igualmente comprada com o dinheiro suado dos fiéis, adquirida por 45 milhões de dólares, sendo que hoje é avaliada em quarenta vezes mais. Ademais, segundo levantamento feito pela revista Veja, o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, é possuidor de dois apartamentos em Miami, avaliados em US$ 6,8 milhões, sem falar numa frota de, pelos menos, sete aeronaves. O grupo de Macedo, afirma a revista, possui também editoras, jornais, emissoras de rádio e uma financeira, entre outros negócios, além de 5.000 templos próprios, em oitenta países.

É sabido que Valdemiro Santiago pertencia outrora ao quadro de pastores da Igreja de Edir Macedo. Após desavenças, retirou-se fundando a “concorrente” Igreja Mundial do Poder de Deus. Uma das estratégias de Santiago é abrir templos na mesma redondeza de onde situam os tempos da Igreja Universal do Reino de Deus, com o intuito de granjear seus membros.

Ou seja: é o sujo falando do mal lavado.

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É isso!

Pinheirinho e a incompetência do Governo de São Paulo


Cerca de 6.000 mil pessoas do bairro Pinheirinho (São José dos Campos), incluindo idosos, crianças, doentes e mulheres grávidas, foram expulsos de suas casas a pretexto da "Lei". "Obra" essa do governo de São Paulo, que não mediu esforço para dar reintegração de posse do local para a massa falida de uma empresa. O governador nada fez, se não para evitar o sofrimento dos moradores, ao menos para oferecer uma alternativa digna de habitação a este sofrido povo. A Rede Globo, que teve um de seus veículos queimados durante a desocupação, acabou de afirmar no seu "Fantástico" que o local era usado para fins criminosos por traficantes, como se os demais bairros de São Paulo fossem um recanto de paz e harmonia! Veículo hipócrita, que sempre esteve ao lado dos poderosos ao longo de sua existência, recebendo seus abundantes "favores"...
Este governo, que há mais de 20 anos dirige o Estado, tem se mostrado um verdadeiro fracasso, tanto no combate à violência, quanto na execução de projetos de habitação para os menos favorecidos socialmente. Pauta sua propaganda no CDHU, que, embora tenha beneficiando inúmeras pessoas, está longe de suprir com alguma notoriedade a questão habitacional no Estado.
Esta Justiça que retira famílias de suas casas, é a mesma que mantém em pleno gozo de seus "proventos", os poderosos que, a pretexto da mesma "Lei", esguiam-se de seus suplícios.
Contra esta justiça injusta, deixo aqui este simples protesto!

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Fonte da imagem

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É isso!

A suprema incoerência


Sobre os últimos acontecimentos, no Brasil, envolvendo o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça, publico, aqui, este pertinente questionamento do professor da PUC, Luiz Tarcísio Ferreira, que saiu em matéria do Estadão On-Line:



É isso!

Quem realmente é o animal?

Costumo analisar o caráter de uma pessoa pela forma como ela trata as crianças, os idosos e os animais. Em relação aos animais já dizia Arthur Schopenhauer que a compaixão pelos bichos está intimamente ligada a bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é maldoso com os animais não pode ser uma boa pessoa. Vejo assim desnecessária a avaliação de um psicólogo para concluir de alguém que maltrata um desses maravilhosos seres, como sendo uma pessoa altamente prejudicial ao bem estar da sociedade e, portanto, perigosa ao convívio humano.
Alguém que, na sua extrema covardia, faz o que se lê nas notícias seguintes, não pode ser considerada uma pessoa mentalmente saudável. A severidade da Lei deveria ser aplicada de maneira cabal a tal pessoa, se é que podemos substantivá-la como realmente uma “pessoa”. Nunca me esqueço de que, quando criança, presenciei a brutal cena de um homem atirando ao duro asfalto a vários filhotinhos de gatos, que miando se espatifavam como se fossem frutas maduras.
Atribui-se a Leonardo da Vinci esta frase: “Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade”. Fique, pois, esta sábia reflexão...
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"Beijos impossíveis"


"A única linguagem verdadeira no mundo é o beijo" - Alfred de Musset

Uma campanha publicitária batizada de “Unhate” (“não o ódio” ou “contra o ódio”) e lançada no dia de hoje pela famosa empresa italiana Benetton suscitou uma jibóica polêmica mundo afora. A publicidade que mostra fotomontagens de conhecidos líderes mundiais se beijando mexeu com a sensibilidade religiosa de alguns e despertou o apoio e a curiosidade de muitos outros. Seja como for, a empresa conseguiu seu objetivo de chamar a atenção para divulgação de sua marca. Aliás, a Benetton é pioneira em fazer uso da propaganda pelo viés do “politicamente incorreto”, como uma freira beijando um padre e uma mulher negra amamentando uma criança branca.

A campanha lançada hoje, embora não tenha o toque pessoal de Oliviero Toscani, está diretamente inspirada nele. Toscani causou a fúria dos publicitários quando teceu ferrenhas críticas aos moldes tradicionais de se fazer propaganda. Em 1995, por exemplo, numa entrevista ao programa “
Roda Viva” da TV Cultura, ele manifestou abertamente diante de seus críticos a sua visão particular de publicidade. Disse ele sobre os publicitários: “Não penso que os publicitários sejam burros. Mas aceitam o jogo da estupidez, este jogo hipócrita que é a publicidade. Os publicitários não são burros, mas jogam um jogo estúpido. Contudo – não para me desculpar, para justificar o que faço – na realidade, não sou publicitário. Sou um fotógrafo que começou a fazer fotografias de reportagens, a utilizar a mídia. Fascinou-me o mundo da publicidade porque descobri que é um mundo incrivelmente complexo e pouco analisado. Tudo que faço na publicidade é de um modo natural. Penso que, na realidade, a publicidade propriamente dita, a publicidade tradicional, é uma associação de delinqüentes.” E, destacando a diferença entre a sua propaganda e aquela cultivada pela tradição, afirmou: “As diferenças são muitas, sobretudo na forma. A forma filosófica da utilização da comunicação. Enquanto a GM vende um sistema, a Benetton não vende um sistema. Enquanto a GM diz que consumindo um carro você pode chegar ao paraíso, a Benetton não diz isso, ela faz um discurso diferente. Como os senhores publicitários, posso dizer, por que não apreciam alguém que tem coragem de fazer alguma coisa diferente do que vocês fazem. Por que não observam a experiência? Por que ter medo? Por que criticam? Deixem fazer. Observar pode ser útil. Para ser criativo é preciso ter coragem. Vocês publicitários não tem coragem. Vocês se baseiam em uma realidade, em uma segurança que, na verdade, não existe. Quem disse que a GM, ou seus modelos, vendem mais? Já vi grandes companhias falirem com a publicidade perfeita que vocês fazem. Não existe, na realidade, uma regra. Agora, se alguém não reproduz a regra, por favor, sejam tolerantes e esperem. Não sejam intolerantes como são em sua comunicação publicitária, porque a publicidade é apenas racismo e intolerância, do tipo tradicional A beleza é somente daqueles homens, os carros são apenas as Ferrari vermelhas, e o sucesso é ter aquelas fantásticas casas de campo. Na verdade isso não corresponde à verdade. Quando alguém tem a coragem de experimentar algo diferente, deixem-no fazer. Não o acusem.”

Das imagens que mais chocaram, dentre aquelas divulgadas na campanha de hoje, a que mais gerou controvérsia refere-se à do papa beijando um líder religioso islâmico. O Vaticano incomodado, reagiu: a empresa já anunciou a retirada dessa imagem da campanha.

Sou um admirador da propaganda que nos faz pensar, que inspira à filosofia e que não torna o espectador um mero expectador de ilusão; p
essoalmente prefiro ver a imagem de Benjamin Netanyahu, o líder israelense, beijando Mahmoud Abbas, o líder palestino, a ter que assistir a ambos na TV declarando uma nova guerra. É muito mais agradável ver o papa Bento XVI dando um ósculo em Ahmed Mohamed el Tayeb, do que avistar um e outro conclamando uma nova guerra santa!


O presidente americano, Barack Obama, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez

O líder chinês, Hu Jintao, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

A Chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy

O Papa Bento XVI, e o imã do Cairo, Ahmed Mohamed el Tayeb

O líder palestino, Mahmoud Abbas, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu

O líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak

A espécie humana e os políticos (brasileiros)






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A espécie humana e os políticos (texto republicado)
Se fosse possível separar os humanos em duas espécies distintas, uma delas seria os políticos. A capacidade dessas pessoas em manipular a sociedade e de fazer uso do poder segundo seus próprios critérios e benefícios, só me leva a concluir que são uma outra estirpe de gente, talvez até geneticamente diferente do resto da humanidade. Pensando como Darwin, eles estariam no estágio mais primitivo da evolução humana; australopithecus da selvageria e da imoralidade pública; despudorados e surripiadores da dignidade alheia. Astutos pela própria natureza. Forjando suas falsas verdades, enganando e mentindo assumem pela força da manipulação o direito de dirigir os nossos destinos. Lobos vorazes a zelar pelos cordeiros, como se fossem seus próprios pastores. Lídimos atores de uma comédia trágica, dissimulando suas escancaradas hipocrisias sob a falsa máscara de um sorriso pré-fabricado. Sepulcros caiados, alvejados com cosméticos da moralidade. Fariseus draconianamente maquiavélicos. Verdadeiros pinóquios sob o disfarce de fadas madrinhas. Vós, políticos, não sois da espécie humana, mas hidras mutantes ou sanguessugas da involução desumana. Desprezo-vos como desprezo a dor.

É isso!

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Fonte vídeo:
Jornal Estado de S. Paulo
Fonte imagem:
Jornal O Globo

De volta a Capim Grosso

A fotografia acima é o símbolo de uma pequena cidade do interior baiano: CAPIM GROSSO, situada a 272 quilômetros de Salvador, no cruzamento das BRs 407 e 324, com uma população, segundo dados do IBGE, de 26.577 habitantes. Capim Grosso é minha cidade natal, daí a razão desse inútil protesto.

Quando a deixei, em 1988, vindo “a vagar em São Paulo”, como diria o poeta Patativa do Assaré na voz do grande Luiz Gonzaga, a cidade, embora com sérios problemas estruturais, era bonita e, de certa, até bem organizada. Passados 20 longos anos “bateu no peito uma saudade de móio” e então deliberei retornar ao “meu aconchego”, a fim de matar um pouco a saudade e tornar a ver parentes e amigos. Todavia, lá chegando notei logo de chofre que a cidade não era mais a mesma. Obviamente que não deveria ser a mesma. Mas não precisava ter chegado a tanto!

A cidade, esta foi minha impressão, ficou totalmente abandonada. As bem elaboradas pistas de asfaltos que outrora circundavam os seus quatro belos contornos estão simplesmente “em petição de miséria”. Não há rede de esgotos na cidade. As pessoas ainda bebem água da cisterna que vem da bica, pois a água distribuída na torneira é salgada. O monumento acima que simboliza a cidade, sintetiza a forma como ela é administrada atualmente. Está enferrujado e sua ferrugem denuncia que “há algo de podre no reino de Capim Grosso”. Quiçá seja o momento da população “derrubar sua Bastilha” e “guilhotinar” aqueles que fazem da cidade o seu próprio e próspero “cartão postal”.

É isso!

Lula e seu "grande irmão" Kadafi

IMAGEM: BLOG DO JOSÉ PEDRIALI

"Único convidado de honra presente à Cúpula da União Africana, aberta ontem, em Sirte, na Líbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou os países industrializados pela crise do sistema financeiro e pelo caráter perverso da ordem internacional. A fala do brasileiro, aplaudida por chefes de Estado e de governo e por líderes tribais africanos, foi sucedida por críticas à imprensa pelo que considerou preconceito premeditado por sua proximidade com ditadores da região. O discurso começou com Lula dizendo ao ditador líbio Muammar Kadafi: Meu amigo, meu irmão e líder" (O Estado de S. Paulo: 02/07/2009).

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É isso!

O que é LIBERDADE?

"A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras."
Carlos Drummond de Andrade

É isso!

A Nobel da Paz e o Maquiavel de Garanhuns

"Lula visitou Teerã, abraçou o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, deu um beijo no rosto e foi embora. Parece que se esqueceu das pessoas que morrem e são presas no Irã."

"Quando Lula esteve no Irã, Mansour Osanlou, um líder sindical como ele, já cumpria uma pena de cinco anos. A Organização Mundial do Trabalho pediu sua libertação, mas Lula ignorou."
14/11/2010

Humor Darwinista: Momento da Provocação


PRECONCEITO LINGÜÍSTICOAdicionar imagem

A MITOLOGIA DO PRECONCEITO LINGÜÍSTICO

Do livro: Preconceito lingüístico o que é, como se faz, de Marcos Bagno. Edições Loyola. São Paulo, 1999.

Mito n
º 4: As pessoas sem instrução falam tudo errado
"O preconceito lingüístico se baseia na crença de que só existe, como vimos no Mito n° 1, uma única lingua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. Qualquer manifestação lingüística que escape desse triângulo escola-gramática-dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito lingüístico,errada, feia, estropiada, rudimentar, deficiente, e não é raro a gente ouvir que isso não é português.

Um exemplo. Na vis
ão preconceituosa dos fenômenos da língua, a transformação de I em R nos encontros consonantais como em Craudia, chicrete, praca, broco, pranta é tremendamente estigmatizada e às vezes é considerada até como um sinal do atraso mentaldas pessoas que falam assim. Ora, estudando cientificamente a questão, é fácil descobrir que não estamos diante de um traço de atraso mental dos falantes ignorantes do português, mas simplesmente de um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria língua portuguesa padrão. Basta olharmos para o seguinte quadro:

PORTUGU
ÊS-PADRÃO > ETIMOLOGIA > ORIGEM
branco > blank (do germânico)
brando > blandu (do latim)
cravo > clavu (do latim)
dobro > duplu (do latim)
escravo > sclavu (do latim)
fraco > flaccu (do latim)
frouxo > fluxu (do latim)
grude > gluten (do latim)
obrigar > obligare (do latim)
praga > plaga (do latim)
prata > plata (do provençal)
prega > plica (do latim)

Como é fácil notar, todas as palavras do portuguêspadrão listadas acima tinham, na sua origem, um I bem nítido que se transformou em R. E agora? Se fôssemos pensar que as pessoas que dizem Craudia, chicrete e pranta têm algum defeito ou atraso mental, seríamos forçados a admitir que toda a população da província romana da Lusitânia também tinha esse mesmo problema na época em que a língua portuguesa estava se formando. E que o grande Luís de Camões também sofria desse mesmo mal, já que ele escreveu ingres, pubricar, pranta, frauta, frecha na obra que é considerada até hoje o maior monumento literário do português clássico, o poema Os Lusíadas. E isso, é craro, seria no mínimo absurdo.

Existem, evidentemente, falantes da norma culta urbana, pessoas escolarizadas, que t
êm problemas para pronunciar os encontros consonantais com L. Nesses casos, sim, trata-se realmente de uma dificuldade física que pode ser resolvida com uma terapia fonoaudiológica. Não é dessas pessoas que estamos tratando aqui, mas dos brasileiros falantes das variedades não-padrão, em cujo sistema fonético simplesmente não existe encontro consonantal com L, independentemente de terem ou não dificuldades articulatórias. Quando, na escola, se depararem com os encontros consonantais com L, é preciso que o professor tenha consciência de que se trata de um aspecto fonético estrangeiro para eles, do mesmo tipo dos que encontramos, por exemplo, nos cursos de inglês, quando nos esforçamos para pronunciar bem o TH de throw ou o I de live. É preciso separar bem os dois aspectos do fenômeno.

Se dizer
Craudia, praca, pranta é considerado errado, e, por outro lado, dizer frouxo, escravo, branco, praga é considerado certo, isso se deve simplesmente a uma questão que não é lingüística, mas social e política as pessoas que dizem Craudia, praca, pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação formal e aos bens culturais da elite, e por isso a língua que elas falam sofre o mesmo preconceito que pesa sobre elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada feia,pobre,carente, quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola.

Ora, do ponto de vista exclusivamente ling
üístico, o fenômeno que existe no português não-padrão é o mesmo que aconteceu na história do português-padrão, e tem até um nome técnico: rotacismo. O rotacismo participou da formação da língua portuguesa padrão, como já vimos em branco, escravo, praga, fraco etc., mas ele continua vivo e atuante no português não-padrão, como em broco, chicrete, pranta, Craudia, porque essa variedade não-padrão deixa que as tendências normais e inerentes à língua se manifestem livremente. Assim, o problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o que. Neste caso, o preconceito lingüístico é decorrência de um preconceito social.

É isso!

Imagem:
Falha Nossa