Fotos antigas de inundações - V

As inundações no Brasil através de fotografias publicadas em nossos periódicos aos longos dos anos.  
Paty de Alferes - Vendo-se a casa do sr. Pedro Chain inundada (1923) 

Itajubá - MG: A Rua Xavier Lisboa sob as águas (1924)

Itajubá - MG: A periferia inundada (1924) 

Campos - RJ: A Avenida 15 de Novembro completamente alagada (1924) 
Campos - RJ: Aspecto da Rua Barão de Cotegipe até quase a esquina da Sete de Setembro (1924)

Campos - RJ: Inundação da Rua 15 de Novembro desde a Rua Goytacazes (1924)


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Fonte:

Revista "Fon-Fon", edição 07 de 1923
Revista "Fon-Fon", edição 03 de 1924
Revista "Fon-Fon", edição 05 de 1924
Acervo da Biblioteca Nacional Digital

Fotos antigas de inundações - IV


As inundações no Brasil através de fotografias publicadas em nossos periódicos aos longos dos anos.  

Região de Orós - CE: Inundação produzida na zona ribeirinha do Rio Jaguaribe (1960) 

Região de Orós - CE: Inundação produzida na zona ribeirinha do Rio Jaguaribe (1960) 

Região de Orós - CE: Inundação produzida na zona ribeirinha do Rio Jaguaribe (1960) 

Blumenau - SC: Aspecto da grande enchente de 1911 

Blumenau - SC: Aspecto da grande enchente de 1911


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Fonte:

Revista "Careta", edição 2703, de 1960
Revista "Fon-Fon", edição 043 de 1911
Acervo da Biblioteca Nacional Digital

Fotos antigas de inundações - III

As inundações no Brasil através de fotografias publicadas em nossos periódicos aos longos dos anos. 
Rio de Janeiro: Rua dos Inválidos, em 1911 

Rio de Janeiro: Rua Frei Caneca, em 1911 

Rio de Janeiro: Rua Mariz e Barros, em 1911 

Santa Catarina: Uma fábrica de laticínios inundada na semana da inauguração (1911) 

Blumenau - SC: Uma das ruas inundadas, em 1911


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Fonte:

Revista "Careta", edição 148 de 1911
Acervo da Biblioteca Nacional Digital

Fotos antigas de inundações - II


As inundações no Brasil através de fotografias publicadas em nossos periódicos aos longos dos anos. 

Rio de Janeiro - Capital: Vendo-se aspecto da inundação na Praça da Bandeira em 1922. 

Rio de Janeiro - Capital: Vendo-se aspecto da inundação na Praça da Bandeira em 1922. 

Rio de Janeiro - Capital: Vendo-se aspecto da inundação na Praça da Bandeira em 1922. 

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923 

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro - Luz - Casa Verde, em 1923 

Rio de Janeiro - Capital: Região da Barra Funda - Bom Retiro e Luz, em 1923


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Fonte:

O Malho, edição 446 de 1922
O Malho, edição 1022 de 1922
O Malho, edição 1074 de 1923
Acervo da Biblioteca Nacional Digital

Fotos antigas de inundações

As inundações no Brasil através de fotografias publicadas em nossos periódicos aos longos dos anos. 

Penedo - Alagoas. Vendo-se a Praça Marechal Floriano inundada pele enchente do Rio São Francisco, em 1906 

Cidade Nova - Rio de Janeiro. Vendo-se o Largo do Matadouro inundado pela cheia do Rio Comprido, em 1910 

Rio de Janeiro - Capital. Vendo-se aspecto da inundação no bairro de São Cristóvão, em 1922.  

Rio de Janeiro - Capital. Vendo-se aspecto da inundação no bairro de São Cristóvão, em 1922. 

Rio de Janeiro - Capital. Vendo-se aspecto da inundação no bairro de São Cristóvão, em 1922. 


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Fonte:
O Malho, edição 201 de 1906
O Malho, edição 388 de 1910
O Malho, edição 1022 de 1922
Acervo da Biblioteca Nacional Digital 

ANÚNCIOS ANTIGOS DA "NESTLÉ"

A história de importantes marcas de produtos alimentícios, como a famosa Companhia Nestlé, através de anúncios publicados ao longo do século XX

Nestlé - "Leite Moça" - Anúncio de 1922 


Nestlé - Anúncio 1924
 
Nestlé - "Farinha Láctea" - Anúncio de 1926 

Nestlé - "Farinha Láctea" - Anúncio de 1926 

Nestlé - "Lactogeno" - Anúncio de 1929

Nestlé - Anúncio de 1936 

Nestlé - "Leite Moça" - Anúncio de 1937  

Nestlé - Anúncio de 1939


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Fonte:
Revista Careta - Acervo da Biblioteca Nacional Digital

A MENORIDADE DENUNCIADA POR KANT E SUA ATUALIDADE



A menoridade denunciada por Kant e sua atualidade

A seguir faremos uso do texto kantiano limitando-nos a expor o que dele Foucault extraiu. A característica de assujeitamento se aproxima da noção de menoridade. Kant, respondendo à pergunta Que é esclarecimento (...), denunciou o estado de menoridade no qual se encontrava o homem de seu tempo, estado este estabelecido por sua própria conta.


A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu próprio entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento.

A preguiça e a covardia são causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha (naturaliter maiorennes), continuem no entanto de bom grado menores durante toda vida. São também as causas que explicam por que é tão fácil que os outros se constituam em tutores deles. É tão cômodo ser menor. Se tenho um livro que faz as vezes de meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que por mim decide a respeito de minha dieta, etc, então não preciso esforçar-me eu mesmo. (KANT, 2005).


A atualidade das palavras de Kant pode ser notada mesmo sem muito esforço. A temática por ele levantada é hoje presentificada. Menoridade diz respeito a um agir sem orientar-se pela razão, a não autonomia. Essa menoridade é percebida quando nosso comportamento depende da orientação de outrem. Delegamos aos outros a responsabilidade de decisão, e é justamente na comodidade de que alguém decida por nós que reside o perigo.

Retomando o texto kantiano, Foucault escreve O Que são as Luzes (FOUCAULT, 2005, p.351), e por admirar Kant, dialoga com ele de maneira crítica. Nesse texto o pensador francês considera ser preciso interrogar sobre o que somos, fazer uma análise dos limites impostos ao indivíduo, vislumbrando uma possibilidade de ultrapassagem dessas fronteiras.

A denúncia feita por Kant coloca-nos frente à comodidade de deixar nossa vida ser guiada por outros. É mais fácil ser como os outros, assim ninguém nos perturba, já que não oferecemos perigo à ordenação instituída. Sentirmo-nos enquadrados nessa ordem pode parecer a melhor escolha para quem deseja perpetuar a dinâmica do assujeitamento, para aqueles que delegam a função de pensar a própria vida aos outros. A decisão de como pensar e proceder cabe a outro, assim não assumimos a responsabilidade pelos erros; não teremos que nos indispor com a ordenação; não será preciso pensar a respeito de nossas ações, agiremos de acordo com a direção de outros. Como disse Kant “outros se encarregarão em meu lugar dos negócios desagradáveis” (Kant, 2005). A facilitação da vida afasta de nós a infâmia, e em não havendo confronto, segue-se potencializando a preguiça e a covardia.

A noção de infâmia parece ser cara a quem ousar sair da menoridade, ela aparece quando o pensador francês encontra breves descrições a respeito de vidas no mínimo intrigantes. Num dos trabalhos de investigação de Foucault , enquanto garimpava os registros da Biblioteca Nacional, deparou-se com um registro de internamento redigido no início do século XVIII. Para Foucault o termo que melhor convém para designar esses relatos seria, na verdade, notícias – dado à brevidade da descrição e à realidade dos acontecimentos relatados. A princípio sua atenção se voltou para a leitura de dois casos  descritos no texto A vida dos homens Infames que destacaremos a seguir: “Mathurin Milan, posto no hospital de Charenton no dia 31 de agosto de 1707:” Sua loucura sempre foi a de se esconder de sua família, de levar uma vida obscura no campo, de emprestar com usura a fundo perdido, de vaguear seu pobre espírito por estradas desconhecidas, e se acreditar capaz das maiores ocupações.”

“Jean Touzard, posto no Chateau de Bicêtre no dia 21 de abril de 1701:” Recoleto apóstata, sedicioso capaz dos maiores crimes, sodomita, ateu, se é que se pode sê-lo; um verdadeiro monstro de abominação que seria menos inconveniente sufocar do que deixar livre “. (p.204)

A partir da leitura do resumo da vida desses homens o autor busca outros casos com características semelhantes, as descrições deveriam, contudo, tratar de existências reais – às quais se poderiam dar um lugar e uma data. Dessa forma a escolha dos casos se daria basicamente pela operação efetuada na realidade.

O que chama a atenção do filósofo é a limitação dessas vidas a breves frases. Vidas reduzidas a um modesto número de palavras. A vida dos homens e mulheres infames se condensaria àquilo que deles se disse. As expressões nas quais estas vidas foram encerradas, não se trata de nenhum modo de sentido figurado, o que se pode inferir é que “sua liberdade, sua infelicidade, com frequência sua morte, seu destino, foram ali, ao menos em parte decididos”.(p.207) Podemos dizer que os discursos produzidos a respeito desses cidadãos marcaram e delimitam suas vidas.

Para Foucault essas existências relâmpagos, essas vidas poemas, coloca a vida dos homens infames estritamente limitada àquilo que deles se disse. O que levaria essas vidas comuns a atravessarem os limites de seu tempo e chegar até nós? O que poderia desarraigá-las do ambiente sombrio em que se encontravam? A luminosidade sobre essas vidas comuns, a visibilidade dada a elas pelo menos por poucos instantes tem como causa o seu encontro com o poder. Entenda-se encontro como um choque, embate, um ato de guerra talvez.

O que nos chega em palavras sobres essas vidas infames é sem dúvida um produto do poder, é ele quem faz dizer tais palavras. Só podemos hoje deduzir algo sobre estes cidadoas porque o poder produziu sobre eles verdades que foram registradas. A infâmia é ditada pelo poder, é ele quem a proclama, quem põe a verdade a caminho, quem a faz chegar aos ouvidos de todos. Todavia, há que se lembrar que se estes homens e mulheres não tivessem provocado o poder, provavelmente elas continuassem sem luminosidade, sem visibilidade. Este clarão, ainda que breve, sobre essas vidas só foi possível pelo encontro com o poder, ou melhor, pelo confronto com este.

A condição de vida comum dá lugar a uma vida combativa. São os atos considerados infames, que colocam a existência em evidência. O poder não suporta provocações, uma vez provocado ele reage. Sua reação se traduz em fazer ver aquele que o confronta e dele produz algo que se possa dizer. Limita a existência ao que ele pode dizer sobre tal. Uma verdade produzida pelos jogos de poder.

Desse modo, alguém torna-se infame exatamente pelo que se diz dele, a esse alguém não é dado o direito de ser nada além daquilo que dele se disse e se registrou. A infâmia parece assim configurar um descaminho, mas na perspectiva foucaultiana ela aparece justamente como via para uma vida que se fará de modo diferente – ainda que levada pela infelicidade, raiva ou incerta loucura. A vitalidade dessas atitudes infames está ligada à resistência ao poder. Não mais uma vida comum, não mais previsibilidade, mas tomar o poder de assalto, surpreendê-lo – trocar com ele “palavras breves e estridentes”.

Depois de refletir sobre a vida infame de homens do passado, cabe analisar criticamente o presente a partir da noção de resistência, de transgressão ao poder. Pensando as palavras que tem como característica a brevidade, e com as quais se designou as vidas infames, podemos ver como o saber é produzido, disseminado na estrutura social e apreendido por todos. O cotidiano é colocado em discurso, a vida em todos os aspectos, ou os episódios que a compõem são postos em discurso, já que tomados pelo poder.

Seguindo a opção pela menoridade, tudo o que diz respeito a nossa compreensão do mundo e de nós mesmos, nossas interpretações, aquilo que almejamos e consequentemente o que alcançaremos estará em conformidade com o desejo de outros. Não teremos condição de perceber que poderia ser diferente. Dentre as ideias apresentadas no texto kantiano, a que mais assusta é que a condição de não esclarecido, a menoridade, é culpa do próprio homem. Tal afirmação coloca cada um diante de uma dívida para consigo mesmo, visto que não é a falta de entendimento a principal constatação, mas sim a falta de decisão e coragem de acreditar em si e deixar guiar-se por si mesmo. Andar sozinho pode ser perigoso, o medo pode paralisar ou encorajar. Desvencilhar-se da supervisão de outrem pode parecer um caminho difícil, mas a possibilidade de pensar por si parece ser digna de aposta. Resta escolher entre agir ou entregar-se à passividade onde o temor nos impedirá de tentar. Ser audacioso é uma atitude volitiva. Sirva-se de si mesmo! Afaste-se da preguiça e da covardia! Insistir em legitimar o modo de vida oferecido pelos outros em nada auxiliará o alcance da maioridade. Não conceder o direito do livre pensamento aos ‘especialistas’, aos instituídos como capacitados, ou melhor, não permitir que se constituam para si tutores. Tem coragem! Esse parece ser o primeiro passo em direção ao esclarecimento. Disposição e coragem em oposição à preguiça e à covardia.

Nesse pequeno texto de Kant, encontramos ainda apontamentos sobre o uso público e privado da razão.

Denomino uso privado aquele que o sábio pode fazer de sua razão em um certo cargo público ou função a ele confiado. Ora, para muitas profissões que se exercem no interesse da comunidade, é necessário um certo mecanismo, em virtude do qual alguns membros da comunidade devem comportar-se de modo exclusivamente passivo para serem conduzidos pelo governo, mediante uma unanimidade artificial, para finalidades públicas, ou pelo menos devem ser contidos para não destruir essa finalidade. (...) O cidadão não pode se recusar a efetuar o pagamento dos impostos que sobre ele recaem; até mesmo a desaprovação impertinente dessas obrigações, se devem ser pagas por ele, pode ser castigada como um escândalo (que poderia causar uma desobediência geral). Exatamente apesar disso, não age contrariamente ao dever de um cidadão se, como homem instruído, expõe publicamente suas ideias conta a inconveniência ou a injustiça dessas imposições. Do mesmo modo também o sacerdote está obrigado a fazer seu sermão aos discípulos do catecismo ou à comunidade, de conformidade com o credo da Igreja a serve, pois foi admitido com esta condição. Mas, enquanto sábio tem completa liberdade, e até mesmo o dever, de dar conhecimento ao público de todas as suas ideias, cuidadosamente examinadas e bem intencionadas, sobre o que de errôneo naquele credo, e expor suas propostas no sentido da melhor instituição da essência da religião e da Igreja.

Quando Kant fala de dever, quer dizer que é dever moral agir de acordo com a razão, referindo-se, portanto, a um imperativo. Dever é direito, quando nos afastamos desse imperativo nos distanciamos da razão. A razão em seu uso público é livre,e nesse sentido deve-se manifestar as opiniões e críticas. A liberdade é assim identificada, e para efetivação do esclarecimento nenhum aspecto suplanta o exercício de liberdade. Em seu uso privado a razão é submissa, mas não tola. Não se trata de uma obediência irrefletida, a proposta é a adaptação da razão às circunstâncias e situações que se apresentem.

Porém enquanto membro da humanidade racional, sem considerar-se parte de uma máquina, o indivíduo deve contemplar em suas práticas o livre uso da razão. Se no uso privado da razão esbarramos na obediência, no uso público gozamos de liberdade para nos expressarmos e pensarmos livremente. Alcançada a autonomia é possível finalmente fazer uso do próprio entendimento, abandonando a culpa pela condição de menoridade. Fugir à maioridade, dar lugar à covardia, no dizer de Kant, significa “ferir os sagrados direitos da humanidade.”


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Fonte:
Adriane Terra Alves: “A ESTÉTICA DA EXISTÊNCIA SEGUNDO MICHEL FOUCAULT”. (Dissertação apresentada ao Mestrado em Estética e Filosofia da Arte do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto como requisito parcial para obtenção do título de mestre em Filosofia. Área de concentração: Estética. Orientador: Prof. Dr. Olímpio José Pimenta Neto). Ouro Preto, 2009.

Notas:
A imagem inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.
Disponível digitalmente no site: Domínio Público

A TELEVISÃO NO BRASIL


 A televisão no Brasil

Os brasileiros não vivem sem a televisão, constatação facilmente comprovada pela quantidade de aparelhos de televisão que existem nos muitos lares do nosso País. Segundo dados do último censo do IBGE, de 2001, há televisores em cerca de 87% (38.906.707) dos domicílios brasileiros. Sem contar os inúmeros aparelhos que são encontrados em empresas e locais de trabalho e lazer, através dos quais as pessoas que não possuem televisor em casa podem usufruir das vantagens e comodidades desse fantástico veículo de comunicação.

São 170 milhões de telespectadores. A partir do início da década de 1950, o Brasil tornou -se o país da televisão, num processo de conquista que começou quando as câmeras da PRF3 – TV, a extinta Tupi de São Paulo, deram início à sedução. O país abraçou com gosto o eletrodoméstico, que determina padrões estéticos, modifica a linguagem popular, dita comportamentos, oferece entretenimento fácil e, no fundo, não quer ser nada mais que uma luminosa e colorida vitrine para a venda de produtos e serviços (REVISTA CULT, 2007, p. 40).

Nascida oficialmente a 18 de setembro de 1950, em São Paulo, com o nome de PRF-3 TV Tupi-Difusora, Canal 3, a TV Tupi foi a primeira emissora de televisão brasileira, e também a primeira da América Latina. A TV Tupi fazia parte dos Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand, os quais se constituíram num império da comunicação que chegou a compreender quase 100 empresas entre jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, além de uma editora, de duas agências de notícia entre outros empreendimentos.

Na noite histórica da primeira transmissão oficial, um show de variedades foi transmitido para pouco mais de 200 televisores, contrabandeados e distribuídos pelo lendário Assis Chateaubriand para políticos, empresários e amigos. Um ano e alguns meses depois (Simões, apud Reimão, 2000), o Brasil já fabricava seus próprios aparelhos de televisão – os televisores Invictus, e calcula-se que já existiam no País cerca de sete mil aparelhos.

Nos primeiros anos de televisão no Brasil, eram exibidos teleteatros, telefilmes, seriados estrangeiros, shows que copiavam modelos radiofônicos e alguns programas inspirados em produções da TV americana, a qual já funcionava desde 1941. Nessa época, a televisão ainda era um produto que somente as classes abastadas possuíam condições de comprar, e a própria programação das emissoras refletia o poder aquisitivo dos telespectadores:

A programação da TV brasileira em seus primeiros anos é considerada como tendo sido “elitista” devido à apresentação, em teleteatros, de textos de teatro clássico e de vanguarda, e por apresentar também alguns programas de música erudita. Nestes primeiros anos, o próprio aparelho de TV era um objeto apenas possuído por uma elite (REIMÃO, 2000, p.69).

Essa percepção de que a televisão tenha surgido como um produto elitista, no entanto, pode ser questionada diante de dados que dão conta de como as primeiras exibições foram abertas ao público nas grandes lojas, ou do quanto era comum as pessoas que não dispunham de aparelho de TV se reunirem na casa de vizinhos e amigos, para assistirem a telenovelas ou a programas de auditório.

Além disso, há que se ter um certo cuidado com o uso da expressão elitismo ao se falar de televisão, tanto em função do quanto seu consumo se ampliou e se popularizou com o tempo quanto devido ao caráter quase imensurável que caracteriza seu alcance Brasil afora:

A verdade é que a televisão opera numa tal escala de audiência, que nela o conceito de “elitismo” fica completamente deslocado. Mesmo o produto mais “difícil”, mais sofisticado e seletivo encontra sempre na televisão um público de massa. A mais baixa audiência de televisão é, ainda assim, uma audiência de várias centenas de milhares de telespectadores, e, portanto, muito superior a mais massiva audiência de qualquer outro meio, equivalente à performance comercial de um best seller na área da literatura (MACHADO, 2001, p. 30).

Segundo Reimão (2000), de 1950 a 1964 a TV concentrava-se no Rio de Janeiro e em São Paulo, e a partir de 1964 ela começa a se expandir por todo o território nacional. Apesar do maior alcance geográfico da televisão, a programação passou a ter sua produção concentrada nas grandes cidades, principalmente a partir do surgimento das gravações em videoteipe. Se de 1950 a 1964 havia duas grandes emissoras que concorriam pela conquista da audiência — TV Tupi e TV Record —, a partir da metade da década de 70 a Rede Globo de Televisão alcançou o primeiro lugar na preferência dos telespectadores, conseguindo assim uma hegemonia no campo da comunicação brasileira, até hoje mantida.

Com o passar do tempo, a televisão se tornou utensílio indispensável para a grande maioria das pessoas, as quais inclusive já estabeleceram uma relação de dependência com esse eletrodoméstico que ocupa lugar de destaque nas residências. Pelo menos uma vez ao dia, em algum momento de folga ou de intervalo entre as atividades, as pessoas ligam a televisão, mesmo que seja para dar uma “passada” geral por vários canais, sem se deter em nenhum.

No entanto, essa prática, comumente chamada de zapping, vem modificando a relação do público com a TV e com a própria concepção de televisão, não mais essencialmente constituída apenas pela imagem, mas também pelo ritmo e pela diversidade de suas imagens.

Os alarmados executivos de emissoras e agências de publicidade vêem no zapping um atentado à lealdade que os espectadores deveriam continuar cultivando. Contudo, seria razoável aceitarem o fato de que hoje, sem o zapping, ninguém mais assistiria à televisão. O que até quase meio século era uma atração baseada na imagem converteu -se numa atração sustentada na velocidade (SARLO, 1997a, p. 58).

De qualquer maneira, mesmo sendo a televisão uma atração que se sustenta na velocidade — e talvez justamente por fazer uso do dinamismo que é inerente a essa velocidade —, o contato que ela estabelece com o telespectador segue sendo intenso, uma vez que, mesmo dividindo espaço com outras formas de comunicação, ela continua imbuída de um poder imensurável de informar e entreter as pessoas.

A importância que foi sendo dada à televisão como espaço privilegiado para a informação e o entretenimento fez com que ela alcançasse, no Brasil, a audiência expressiva que mantém até hoje. Em função disso, pode-se dizer que, para se tornar pública e chegar até as pessoas, uma informação, por exemplo, tem que ser noticiada  pela TV, caso contrário corre o risco de ser ignorada ou ter sua credibilidade questionada:

A televisão penetrou tão profundamente na vida política das nações, espetacularizou de tal forma o corpo social, que nada mais lhe pode ser “exterior”, pois tudo o que acontece de alguma forma pressupõe a sua mediação, acontece portanto para a tevê. Aquilo que não passa pela mídia eletrônica torna-se estranho ao conhecimento e à sensibilidade do homem contemporâneo (MACHADO, 1990, p.8).

Diante dessas reflexões, percebe-se que ao homem contemporâneo tornam-se mais ou menos conhecidos, mais ou menos próximos e cotidianos os assuntos dos quais trata a televisão, uma vez que ela, de acordo com Sarlo (1997a, p. 83), “faz circular tudo o que pode ser convertido em assunto: desde os costumes sexuais até a política. E também reduz à poeira do esquecimento os assuntos de que não trata: desde os costumes sexuais até a política”.

Diante dessas noções de circulação e de esquecimento de determinados assuntos, é possível afirmar que o homem contemporâneo brasileiro conta com a presença de mais de 50 anos, em crescente ampliação, do domínio da televisão. Muito do que sabemos de nós mesmos, do País e do mundo nos foi informado e revelado através dos telejornais, dos programas jornalísticos, dos filmes, das telenovelas e seriados apresentados pela TV. Rosa Maria Bueno Fischer ressalta o quanto os modos de conhecer o mundo e de se relacionar com a vida do homem estão ligados à produção, veiculação e consumo intermediados pela televisão:

Pode-se dizer que a TV, ou seja, todo esse complexo aparato cultural e econômico – de produção, veiculação e consumo de imagens e sons, informação, publicidade e divertimento, com uma linguagem própria – é parte integrante e fundamental de processos de produção e circulação de significações e sentidos, os quais, por sua vez estão relacionados a modos de ser, a modos de pensar, a modos de conhecer o mundo, de se relacionar com a vida (FISCHER, 2001, p.15).

Conflitos como a Guerra do Golfo ou a recente Guerra do Iraque, por exemplo, os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA ou o acidente com o avião da TAM ocorrido no Brasil em julho de 2007, jamais teriam os mesmos efeitos, em nível de informação e comoção, se não tivessem tido seus sons e imagens acompanhados quase que simultaneamente por milhões de pessoas, em todas as partes do mundo. A transmissão praticamente imediata dessas tragédias humanas, bem como a divulgação de possíveis causas e culpados envolvidos nesses conflitos, fornece aos telespectadores ideias e percepções específicas, quando não incentiva julgamentos e conclusões equivocadas.

Pode-se dizer que são os sons e as imagens os principais responsáveis pelo domínio e encantamento da televisão sobre as pessoas, uma vez que eles revestem fatos e circunstâncias de forte apelo dramático, extrema visibilidade e uma sedutora aura de magia e emotividade.

Os sons e as imagens também participam do processo de construção da identidade das pessoas e participam de sua constituição subjetiva, de modo que os brasileiros podem ser definidos em grande parte a partir do que costumam assistir na televisão, nesse mais de meio século de programação. Segundo Rosa Fischer, trata-se de

(...) modos de existência narrados através de sons e imagens que, a meu ver, têm uma participação significativa na vida das pessoas, uma vez que de algum modo pautam, orientam, interpelam o cotidiano de milhões de cidadãos brasileiros – ou seja, participam da produção de sua identidade individual e cultural e operam sobre a constituição de sua subjetividade (FISCHER, 2001, p.16).

Levando-se em consideração que, desde muito cedo, a televisão brasileira ofereceu uma incrível variedade de produções ficcionais, capazes de mobilizarem o interesse de um público surpreendente, como no caso da telenovela Selva de Pedra (1972), cujo capítulo 152 atingiu 100% de audiência dos televisores ligados, fica evidente a participação da teledramaturgia brasileira na rotina das pessoas e no desenvolvimento de sua identidade. Mais do que servir como distração ou mero instrumento de descanso mental, após um dia árduo de serviço, as telenovelas e minisséries contribuem para práticas de interlocução dos telespectadores. Estes, mesmo sem conversarem com a pessoa ao seu lado, partilham ideias, emoções e posturas com os demais telespectadores de todo o País, construindo de forma coletiva e quase imperceptível uma subjetividade comum a milhares de brasileiros.

Essa subjetividade é caracterizada por uma constante e árdua busca de compreensão e reconstrução do conflito entre razão e emoção, entre imaginário e realidade, entre o objetivo e o subjetivo. Pode-se dizer, então, que muitas produções da televisão, principalmente as telenovelas e as minisséries, têm em comum, com os demais textos culturais produzidos pela sociedade, a importância de participarem de formas de reelaborar esse conflito:

Nascem, então, as narrativas míticas, que partem como resposta ao eterno conflito entre bem e mal, vida e morte, herói e anti-herói; numa trama básica que vai se complexificando, normalmente, em tramas paralelas, gerando num segundo momento matrizes ternárias, quaternárias e outras (CONTRERA, 1996, p.76).

Com isso, pode-se entender um pouco mais do sucesso das telenovelas e demais histórias, representadas pela teledramaturgia brasileira, nas quais os embates entre valores sociais e culturais e as distâncias entre espaços físicos e econômicos, aspectos sempre acentuados nas peripécias dos personagens, apresentam-se como fortes ilustrações de dramas e desejos, próprios da vida de cada telespectador.

Seduzidos tanto pelo mote principal quanto pelas tramas secundárias das produções da teledramaturgia, os brasileiros têm demonstrado uma surpreendente fidelidade a esse gênero televisivo, creditando à televisão um papel importante, como instrumento de expressão e de reflexo da realidade. Qual a intensidade e a importância dessa realidade, transformada em ficção, bem como quais os elementos dessa transposição do dia-a-dia “real” para um cotidiano imaginário, que de fato falam da sociedade brasileira, são temas que precisam ser analisados e discutidos, associados, principalmente, aos constantes debates acerca da qualidade da televisão.

Muito se tem dito, praticamente desde que a televisão surgiu, a respeito de críticas aos programas televisivos e à sua suposta falta de qualidade, os problemas em relação ao excesso de violência ou de cenas de sexo, bem como acerca de abordagens muitas vezes parciais de determinadas situações. Em meio a essas polêmicas, com frequência o termo “televisão de qualidade” é usado de forma equivocada, como diz Arlindo Machado:

Ademais, a expressão televisão de qualidade nem sempre é utilizada no mesmo sentido por todos. Para alguns, ela pode estar servindo apenas de rótulo para designar uma televisão meramente pedagógica, segundo o modelo das televisões estatais oficialmente encarregadas da educação infanto-juvenil, enquanto para as forças mais conservadoras ela pode estar servindo também de bandeira para a defesa de valores moralistas na televisão. O público mais careta, por exemplo, que está constantemente reivindicando restrições à exploração de sexo, violência e palavrão na tela, também chama de “qualitativa” a televisão que eles querem: uma televisão asséptica, destilada dos problemas e desligada da vida real (MACHADO, 2001, p.13).

Mesmo que, por um lado, os discursos sobre uma televisão de qualidade preconizem seu caráter mais pedagógico ou uma “programação educativa”, ou que, por outro, condenem a exploração da violência, das mazelas humanas ou da vulgaridade, todos eles parecem correr o risco de defender uma televisão que, preocupada demais em ensinar ou difundir valores morais, acabe por se tornar distante da realidade e apartada de questões do cotidiano.

Nesse sentido, é importante destacar que a busca de qualidade em televisão, por mais complexo que seja esse processo, exige da programação um compromisso com a “vida real”, com as problemáticas do dia-a-dia e com todas as diversidades brasileiras de ordem social, cultural e política. Além disso, também é necessário que a televisão paute seus produtos por uma ética, por mais que esse conceito seja tensionado constantemente, conforme analisa o jornalista Eugênio Bucci:

Não há programação ideal no sentido da ética. A tensão sempre deve existir. Ela é própria da dinâmica linguística, da dinâmica da cultura, da dinâmica dos costumes e da própria política. O ideal é que as pontes de diálogo subsistam (REVISTA CULT, 2007, p. 44).

São as pontes de diálogo que podem garantir ao ritmo próprio da televisão a reflexão sobre sua programação, de modo a manter questões como a ética e a qualidade sempre em constante reavaliação, a qual se torna fundamental, tendo em vista os inúmeros casos de invasão de privacidade, de falso moralismo ou de ausência de equidistância em batalhas eleitorais, sobre os quais reflete o filósofo Vladimir Safatle:

(...) a verdadeira questão que envolve toda a ética da comunicação de massa diz respeito à exigência de criação de espaços onde a diferença (política, religiosa, ideológica, cultural) não seja tratada de maneira estereotipada e espetacularizada (REVISTA CULT, 2007, p. 43).

A criação de espaços para as diferenças de toda ordem, bem como a abordagem dessas diferenças de maneira respeitosa e honesta, evitando a criação e a reiteração de estereótipos e a espetacularização das graças e desgraças alheias, se configura como possibilidade de alcançar uma televisão cuja programação possa se aproximar cada vez mais da idealização que se faz dela.

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Fonte:
Fernando Favaretto: “A literatura de Ariano Suassuna na TV: um estudo de formação estética”. (Dissertação apresentado ao Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Educação. Orientadora: Profª Drª Rosa Maria Bueno Fischer). Porto Alegre, 2008.

Notas:
A imagem inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.
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