Alonso Quijano autor de Dom Quixote



“Antônio Candido (1995, pp. 51-79), em seu texto “A personagem do romance”, estabelece uma interessante classificação de personagens de acordo com o grau de afastamento em relação à realidade:

1) Personagens transpostas com relativa fidelidade de modelos dados ao romancista por experiência direta — seja interior ou exterior. O caso da experiência interior é o da personagem projetada, em que o escritor incorpora sua vivência, os seus sentimentos (...). O caso da experiência exterior é o da transposição de pessoas com as quais o romancista teve contato direto (...).
2) Personagens transpostas de modelos anteriores, que o escritor reconstitui indiretamente por documentação ou testemunho, sobre os quais a imaginação trabalha (...).
3) Personagens construídas a partir de um modelo real, conhecido pelo escritor, que serve de eixo, ou ponto de partida. O trabalho criador desfigura o modelo, que todavia se pode identificar (...).
4) Personagens construídas em torno de um modelo direta ou indiretamente conhecido, mas que apenas é um pretexto básico, um estimulante para o trabalho de caracterização, que explora ao máximo as virtualidades por meio da fantasia, quando não as inventa de maneira que os traços da personagem resultante não poderiam, logicamente, convir ao modelo. (...)
5) Personagens construídas em torno de um modelo real dominante, que serve de eixo, ao qual vêm juntar-se outros modelos secundários, tudo refeito e construído pela imaginação. (...)
6) Personagens elaboradas com fragmentos de vários modelos vivos, sem predominância sensível de uns sobre outros, resultando uma personalidade nova. (...)
7) Ao lado de tais tipos de personagens, cuja origem pode ser traçada mais ou menos na realidade, é preciso assinalar aquelas cujas raízes desaparecem de tal modo na personalidade fictícia resultante que, ou não têm qualquer modelo consciente, ou os elementos eventualmente tomados da realidade não podem ser traçados pelo próprio autor (...). [Trata-se do arquétipo]. [pp. 71-73].

Aplicando a teoria de Candido às personagens cervantinas, veremos que muitas delas são baseadas em modelos reais. Ginés de Pasamonte, por exemplo, é apontado por alguns críticos como tendo sido inspirado em Jerómino de Pasamonte, uma pessoa com quem o autor teve contato direto, pois foi seu companheiro de cativeiro em Argel. Outra personagem histórica é Roque Guinart, um famoso bandoleiro catalão, contemporâneo de Cervantes; nesse caso, não sabemos qual o grau de conhecimento que Cervantes teria do bandoleiro. Dom Quixote, por sua vez, foi criado, por um lado, a partir de modelos reais — um tio da esposa de Cervantes, chamado “Quijano”, que adorava ler livros de cavalarias e, como vimos, dos cômicos italianos Botarga e Ganassa —, e, por outro, a partir de uma projeção do próprio autor. Cervantes, fracassado e desiludido, divide-se entre as letras e as armas, projetando-se em um Dom Quixote-Alonso Quijano igualmente desiludido e dividido entre seu entusiasmo pelos livros de cavalaria e seu desejo de tomar armas e lutar por um mundo mais justo.

Entretanto, no universo das personagens cervantinas, notamos que elas não estão todas no mesmo plano. Algumas se movem dentro da realidade ficcional de Alonso Quijano-Dom Quixote, como, por exemplo, Sancho, a ama, a sobrinha, o estalajadeiro, os duques, e muitos outros. Algumas personagens estão relacionadas aos diversos níveis de narração: Cide Hamete, o narrador cristão, o tradutor que também interfere na narração, os narradores anônimos (os apócrifos e a voz popular introduzida pela expressão: “dicen que...”). ainda personagens que se desdobram como Dorotéia que também é a princesa Micomicona ou Alonso Quijano que também é Dom Quixote.

Como sabemos, no primeiro capítulo da primeira parte, o fidalgo Alonso Quijano enlouquece, contaminado pela leitura dos livros de cavalaria aos quais era aficionado. Embora Dom Quixote cresse que Dom Belanís tivesse o rosto e o corpo cheio de cicatrizes das feridas que recebeu, admirava seu autor que, ao final da obra, prometia uma continuação das aventuras:

Pero, con todo, [Don Quijote] alababa en su autor aquel acabar su libro con la promesa de aquel a inacabable aventura, y muchas veces le vino deseo de tomar la pluma y dal e fin al pie de la letra como al í se promete; y sin duda alguna lo hiciera, y aun saliera con el o, si otros mayores y continuos pensamientos no se lo estorbaran.
[I, 1].

Mais adiante, ficamos sabendo que esses “otros mayores y continuos pensamientos”, que o impediam de tomar a pena e escrever a continuação da história de Don Belianís, referiam-se a sua decisão de “hacerse cabal ero andante y irse por todo el mundo con sus armas y cabal o a buscar las aventuras” [I, 1].

Alonso Quijano abandona seu projeto inicial de escrever um livro de cavalaria por outro, mais ousado, que é viver um livro de cavalaria. No primeiro capítulo, Alonso Quijano procede como um escritor, planejando sua história (“Imaginábase el pobre ya coronado por el valor de su brazo...” [I,1]) e criando suas personagens.

Nesse primeiro momento, as personagens criadas são inspiradas em modelos reais. Seu velho e doente pangaré é o modelo real para a criação de sua personagem Rocinante. Notemos que até o processo de criação dessa personagem assemelha-se ao ato criador do escritor. Ao escolher o nome do cavalo, Alonso Quijano:

(...) después de muchos nombres que formó, borró y quitó, añadió, deshizo y tornó a hacer en su memoria e imaginación, al fin le vino a l amar “Rocinante”, nombre a su parecer, alto, sonoro y significativo de lo que había sido cuando fue rocín, antes de lo que ahora era, que era antes y primero de todos los rocines del mundo [I,1].

O ato de fazer, desfazer, apagar, voltar a fazer imaginariamente, remete-nos ao mundo do escritor em processo de criação, assim como a preocupação pela musicalidade do nome e de sua composição (Rocin + antes: antes era rocim).

A segunda personagem criada é Dom Quixote de La Mancha, o modelo real é o próprio autor do romance que será vivido: Alonso Quijano. Dom Quixote é uma projeção de Alonso Quijano. Considerando a tipologia estabelecida por Candido, podemos dizer que Dom Quixote incorpora a vivência e os sentimentos de Alonso Quijano (seria o primeiro tipo proposto por Candido). Muito pouco sabemos de Quijano: consta-nos que era um fidalgo decadente, solteiro, vivia com sua sobrinha e uma criada, gostava de caçar, tinha um galgo e um velho cavalo, era aficionado pelos livros de cavalaria, esteve durante um tempo apaixonado por sua vizinha e seu epíteto era Quijano “el bueno”. Talvez este último qualificativo seja um dos poucos vínculos que podemos estabelecer entre os dois: Dom Quixote, assim como Alonso Quijano, era bom.

A terceira personagem criada pelo fidalgo é Dulcinéia del Toboso, inspirada também num modelo real Aldonza Lorenzo —, sobre a qual falaremos mais adiante.

Como dissemos, a ficção que está sendo planejada e construída por Alonso Quijano não é um romance escrito, porém, um romance que será vivido. Se Alonso Quijano tivesse escrito uma obra de cavalaria, como pensou fazê-lo, ele seria o autor, senhor absoluto das ações de suas personagens; porém, ao decidir viver a história em vez de escrevê-la, ele se confrontará com a realidade e com o livre arbítrio de pessoas reais (obviamente, quando falamos em “realidade” e “pessoas reais” estamos nos referindo estritamente à realidade ficcionalmente instaurada). Ele perde o controle das ações de seu romance, pois essas pessoas agem e interferem na construção de sua ficção, atuando também como autores ou co-autores da história, inicialmente criada por Alonso Quijano e vivida por Dom Quixote. O que teremos, ao longo da obra, é uma série de personagens-autores, que entram no jogo de Dom Quixote e criam pequenas histórias que serão vividas (porém não escritas) por eles mesmos ou por outras personagens.

É curioso observar que, se considerarmos Alonso Quijano uma personagem criada por Cervantes e Dom Quixote, ficcionalmente, uma personagem criada por outra personagem, um desdobramento de personagens (assim como tantas outras personagens ao longo da obra): poderíamos dizer que essas personagens criadas por outras personagens seriam uma espécie de personagem de segundo grau, pois elas estão em um nível diferente de seus modelos reais. Algumas personagens serão apenas autoras; outras, além de autoras, serão também atores/atrizes e representarão suas próprias personagens. Essas personagens de segundo grau em ação nos remetem ao teatro: daí o caráter teatral das histórias que serão encenadas. Vejamos isso na prática.

Tomemos, como exemplo, o episódio da princesa Micomicona [I, 29]. O autor do ardil para enganar Dom Quixote é o cura:

(...) vino el cura en un pensamiento muy acomodado al gusto de don Quijote y para lo que el os querían; y fue que dijo al barbero que lo que había pensado era que él se vestiría en hábito de doncel a andante, y él procurase ponerse lo mejor de pudiera como escudero, y que así irían adonde don Quijote estaba, fingiendo ser el a una doncella afligida y menesterosa, y le pediría un don, él cual no podrá dejársele de otorgar, como valeroso cabal ero andante. Y que el don que le pensaba pedir era que se viniese con ella donde ella l evase, a desfacelle un agravio que un mal cabal ero le tenía fecho; y que le suplicaba ansimesmo que no la mandase quitar su antifaz, ni la demandase cosa de su facienda fasta que la hubiese fecho derecho de aquel mal cabal ero, y que creyese sin duda que don Quijote vendría en todo cuanto le pidiera por este término, y que de esta manera le sacarían de allí y le llevarían a su lugar, donde procurarían ver si tenía algún remedio su extraña locura. [I, 26]

No capítulo seguinte, o cura e o barbeiro preparam os disfarces e se põem, com Sancho, em busca de Dom Quixote. No caminho, os dois encontram Cardênio, que lhes conta sua história; mais adiante, encontram a bela Dorotéia vestida de homem, lavando os pés no riacho: Dorotéia também conta sua história. No capítulo 29, o barbeiro e o cura contam a Dorotéia sua intenção de enganar Dom Quixote para devolvê-lo a sua casa. Dorotéia aceita fazer o papel de donzela necessitada. Quando Sancho pergunta quem era aquela bela jovem, o cura continua criando sua história:

Esta hermosa señora respondió el cura —, Sancho hermano, es, como quien no dice nada, es la heredera por línea recta de varón del gran reino de Micomicón, la cual viene en busca de vuestro amo a pedirle un don, el cual es que le desfaga un tuerto o agravio que un mal gigante le tiene fecho; y a la fama que de buen cabal ero vuestro amo tiene por todo lo descubierto, de Guinea ha venido a buscarle esta princesa. [I, 29]

Dorotéia, o barbeiro vestido de escudeiro barbado e Sancho vão ao encontro de Dom Quixote; Dorotéia representa o papel de donzela aflita e tira dom Quixote de sua penitência.

No capítulo 30, Dorotéia conta a história de Micomicona. Diz o narrador que Cardênio e o barbeiro se sentam ao seu lado “deseosos de ver cómo fingía su historia” [I, 30].

Notamos que há uma íntima relação entre a história da princesa Micomicona e a história da própria Dorotéia, o que inseriria Micomicona na condição de personagem que é uma projeção de seu autor (Dorotéia). Vejamos rapidamente as relações entre as duas histórias.

Dorotéia é filha de um rico lavrador e cuida dos negócios de seu pai; é assediada por Dom Fernando, filho de nobres. O pai, pressentindo o perigo que corria sua filha, quer casá-la com outro (da mesma classe social que ela). Dom Fernando seduz Dorotéia, prometendo-lhe casamento, desaparece e ela então fica sabendo que ele se casou com outra (uma nobre). Ela se veste de homem, pede a um criado que a acompanhe e vai ao encalço de Dom Fernando. Chegando à cidade onde havia acontecido o casamento, conhece pormenores da cerimônia: a noiva (Luscinda) desmaia; encontram-se sob sua roupa um punhal e uma carta, na qual se descobre que ela estava apaixonada por outro e pretendia suicidar-se após o casamento com Dom Fernando.

A princesa Micomicona, por sua vez, é filha de um rei, estudioso das artes mágicas, que prevê o futuro: ele e sua mulher morrerão deixando a filha órfã. No reino vizinho, há o terrível Gigante Pandafilando de la Fosca Vista, que invadirá as terras do pai de Micomicona e deixará a princesa despossuída, a menos que ela se case com ele. Para evitar que isso ocorra, ela deverá ir a Espanha, procurar Dom Quixote de La Mancha, que matará o Gigante e, se quiser, poderá desposá-la.

Nas duas histórias, temos referências aos pais das protagonistas (Dorotéia e Micomicona) e, nas tramas, as filhas assumem os negócios dos pais. O pai de Micomicona prevê sua tragédia; o pai de Dorotéia pressente o perigo que ronda sua filha. As duas histórias tratam de casamentos entre desiguais: Dorotéia, sendo filha de lavradores, pretende casar-se com um nobre e o horrível e malvado gigante pretende casar-se com a linda princesa16. Outro elemento em comum é o tema do casamento forçado. Micomicona casaria com Pandafilando contra sua vontade; no caso da história de Dorotéia, temos Luscinda, que se casará com Dom Fernando, estando apaixonada por outro. Micomicona sai de seu reino em busca de ajuda; Dorotéia sai de sua casa em busca de Dom Fernando. Tanto Micomicona como Dorotéia são jovens que sofreram “agravios”. um paralelismo entre Dom Fernando e o gigante Panfilando: além da coincidência das terminações dos nomes em “ando”, Dom Fernando age com Dorotéia com um monstro lascivo, destruidor de sua honra e vai casar-se com Luscinda contra a vontade desta. No capítulo 37, após o reconhecimento dos casais, temos a associação definitiva entre Dorotéia e Micomicona e entre Dom Fernando e Panfilando, quando diz o narrador que Sancho se entristeceu porque “la linda princesa Micomicona se le había vuleto en Dorotea, y el gigante en don Fernando” e, com isso, o escudeiro ficaria sem seu reinado.

Em nosso modo de ver, Dorotéia é uma das autoras que parte da realidade para construir sua personagem: uma história iniciada pelo cura e pelo barbeiro, e arrematada pela bela lavradora. Entretanto, não podemos nos esquecer que a personagem criada por Dorotéia é também baseada nas donzelas aflitas da literatura cavalheiresca. Micomicona, portanto, é uma junção de dois modelos: por um lado, é uma projeção da personalidade de Dorotéia; por outro, é uma imitação de um modelo literário. Ao longo do Quixote, várias personagens serão criadas a partir de modelos ficcionais, como Merlim e Clavilenho. O próprio Dom Quixote, em seus momentos de sonho ou alucinação, resgatará personagens como Montesinos, Durandarte, Belerma e outros.

Notamos também que há um paralelo entre a transformação de Dorotéia em Micomicona e a de Alonso Quijano em Dom Quixote. Os ideais de Alonso Quijano são nobres (resgatar os valores da cavalaria andante); os de Dorotéia também o são: levar o pobre louco de volta a sua casa para se tratar. Alonso Quijano parte de sua própria pessoa para criar Dom Quixote; também a história de Micomicona está relacionada com a história pessoal de Dorotéia. A diferença é que Alonso Quijano cada vez mais crê ser Dom Quixote — pois as demais personagens colaboram para alimentar sua fantasia —, enquanto Micomicona tem consciência de estar representando uma personagem criada pelo cura e por ela mesma.

Várias personagens serão autores e ao mesmo tempo atores, pois representarão suas personagens como o fez Dorotéia. É o caso dos episódios em que Sansão Carrasco transforma-se no Cavaleiro da Branca Lua ou no Cavaleiro dos Espelhos. Nesse segundo episódio citado, o paralelismo com a relação Alonso Quijano/Dom Quixote é ainda maior: assim como Alonso Quijano, Sansón Carrasco é autor de uma história e muda seu nome, transformando-se no Cavaleiro dos Espelhos; porém, a história, por ser vivida e não escrita, foge ao seu controle e suas expectativas são frustradas. Ele esperava vencer Dom Quixote; no entanto, é vencido.

Ao longo da obra, Dom Quixote se deparará com várias “personagens reais” (dentro, obviamente, do mundo ficcional); algumas, cientes de sua loucura, entrarão em seu jogo, com o objetivo de ajudá-lo, como Dorotéia, Sansão Carrasco, o cura e o barbeiro; outras, com a intenção de se divertirem às suas custas, transformam-no em verdadeiro bufão, como o fazem os duques e seus criados.

Após a derrota sofrida pelas mãos do Cavaleiro da Branca Lua, Dom Quixote e seu escudeiro planejam viver outro gênero literário: o romance pastoril. Agora, as duas personagens, enquanto autores, iniciam o mesmo processo de transformações realizado no primeiro capítulo: começam a dar nomes às suas personagens a partir de modelos reais: Dom Quixote ou Alonso Quijano será o pastor Quijotiz, Sancho será o pastor Pancino e assim por diante.

A maior parte dessas personagens de segundo grau tem um ou dois autores ficcionais (no caso de Micomicona, são dois: o cura e Dorotéia). Quando há mais de uma personagem-autor, em geral, há um entrosamento entre eles, o que propicia uma uniformidade na personagem de segundo grau criada (novamente, é o caso de Micomicona). Entretanto, casos em que dois ou mais autores divergem na concepção de uma mesma personagem, apresentando uma série de diferentes pontos de vista que propiciam a criação de uma personagem distorcida e pouco definida. É o caso de Dulcinéia del Toboso...[...]"

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Fonte:
CÉLIA NAVARRO FLORES: "DA PALAVRA AO TRAÇO: DOM QUIXOTE, SANCHO PANÇA E DULCINÉIA DEL TOBOSO". (Natureza: Tese Grau pretendido: Doutor Instituição: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Universidade de São Paulo Departamento de Letras Modernas Área de concentração: Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana Orientador: Prof. Dr. Mario Miguel González Co-orientador: Prof. Dr. José Manuel Lucía Megías). São Paulo, 2007.

Nota
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A imagem (Escudo da casa de Cervantes - Manuscrito da Biblioteca Nacional de Madri, nº 3.390) inserida no texto não se inclui na referida tese.
As notas e referências bibliográficas de que faz menção o autor estão devidamente catalogadas na citada obra.
O texto postado é apenas um dos muitos tópicos abordados no referido trabalho.
Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.
Disponível digitalmente no site: Domínio Público

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