"O mundo-cão da nossa TV"

O texto a seguir, escrito em junho de 1967 pela revista "Realidade", se fosse escrito hoje não haveria necessidade de se tirar uma vírgula, é claro, excetuando os "personagens". Vejamos:

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"O mundo-cão da nossa TV"

“No vale-tudo pela audiência, alguns produtores exploram as feridas da sociedade. Sílvio Santos foi condenado publicamente pelo O São Paulo, jornal da Arquidiocese paulistana, por ter levado ao seu programa alguns suicidas frustrados, que receberam prêmios para contar com detalhes as experiências que tinham vivido. O mesmo Sílvio Santos promovia um programa, Rainha por um Dia, que mostrava mulheres miseráveis contando seus sofrimentos. Depois, o auditório escolhia, batendo palmas, a história mais triste. E a mulher que a tinha contado se transformava em Rainha por um Dia.: vestia um manto, punha uma coroa na cabeça e sentava-se no trono, além de ganhar o prêmio maior. As outras ganhavam prêmios de consolação.

Abelardo Barbosa, Chacrinha, até hoje mantém audiência elevada no Rio, explorando a irreverência e o protesto de um tipo com o qual acabou por confudir-se. Mas não deixa de explorar coisas como o maior nariz, ou a mulher mais gordo, provocando um desfile de deformidades físicas diante das câmaras.

Jacinto Figueiras Júnior, que apresentou no Rio e São Paulo O Homem do Sapato Branco, levou prostitutas, ladrões e homossexuais à televisão, para fazer sensacionalismo. Recentemente, recolheu nas sarjetas de São Paulo alguns marginais, colocou-os diante das câmaras e realizou uma Mesa Redonda dos Mendigos.

Até pouco mais de dois anos, os chamados enlatados batiam recordes de público. Foi o tempo de Richard Chamberlain — o dr. Kildare — e de Vincent Edwards — Ben Casey — que recebiam centenas de cartas por dia, endereçadas às TVs e revistas especializadas.”

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É isso!

Um comentário:

  1. O mundo-cão deve ser exposto, jamais ocultado.

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