Fotos antigas de São Paulo - XLI

Mais um pouco da história visual da grande e bela cidade de São Paulo, em fotografias publicadas ao longo dos séculos XIX e XX


  SÃO PAULO -  Quiosque em frente à igreja do Carmo, 1900

  SÃO PAULO - Teatro São José
SÃO PAULO - Esta imagem, feita do alto do “Canudo do Dr. João Theodoro” e retirada do livro “São
Paulo Antigo e S. Paulo Moderno”, mostra o Jardim Público no ano de 1886.
SÃO PAULO - Aqui se pode observar o “Canudo do Dr. João Theodoro”, em 1886, em imagem extraída do livro “São Paulo Antigo e S. Paulo Moderno”.
 SÃO PAULO - Ao lado da linha do bonde Cambuci-Ipiranga vê-se o Museu do Ipiranga em 1904. (Acervo da Fundação Eletropaulo)

---

Fonte:

“São Paulo A imperial Cidade e a Assembléia Legislativa Provincial”. Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo - Secretaria Geral Parlamentar - Departamento de Documentação e Informação. São Paulo, 2006, disponível digitalmente no Acervo da ALESP.

A Imigração no Brasil


Discorrendo sobre a importância dos imigrante no processo de histórico brasileiro, escreveu o professor Francisco de Assis Silva, em seu “História do Brasil”: “Para uma economia que sempre se assentou na exploração da força do trabalho escravo, a diminuição da oferta dessa mão-de-obra acarretaria sérios problemas, principalmente para os empreendimentos agrícolas.
Para os cafeicultores tornou-se urgente buscar uma solução para o agravamento da carência de mão-de-obra após a eliminação da fonte africana. A solução encontrada foi o incremento da imigração estrangeira.
Antes mesmo da independência ocorreram tentativas oficiais de fixar o trabalhador estrangeiro em terras brasileiras. Tanto o governo de D. João VI como o de D. Pedro I financiaram a vinda de europeus, que foram distribuídos em pequenas propriedades onde e formaram colônias de imigrantes.
Com raras exceções, essas colônias fracassaram porque a produção não podia concorrer com a das grandes propriedades, seja nos mercados internos, seja nos externos. Não tinham condições de produzir para exportação e se ressentiam da escassez de transportes para o escoamento dos produtos no mercado interno.
Além disso, até meados do século XIX as grandes fazendas eram auto-suficientes na produção de alimentos e a população livre urbana era insignificante. Dessa maneira, os colonos europeus se deparavam com um restrito mercado consumidor interno, incapaz de absorver a produção.
Vale notar também que os grandes proprietários, interessados em ter para si as melhores terras, não aprovavam a distribuição de áreas férteis aos colonos. Os latifundiários podiam até admitir a concessão de terras aos imigrantes, desde que fossem longe das estradas, nos longínquos sertões, onde a agricultura era quase impraticável.”

--

Sem dúvida, os imigrantes foram de uma extraordinária importância para a nossa história. As imagens, a seguir, constam em nossos periódicos, todas elas tratando de algum aspecto relacionado à imigração, principalmente, a luta do estrangeiro para se “incorporar” na nova terra. 


Agência Oficial de Colonização e Trabalho, em São Paulo ("O Immigrante, 1908)

A Hospedaria de Imigrantes em São Paulo ("O Immigrante, 1908)
Dormitório da Hospedaria de Imigrantes, em São Paulo ("O Immigrante, 1908)
Aspecto da Hospedaria de Imigrantes, em São Paulo ("O Immigrante, 1908)
A cozinha da Hospedaria de Imigrantes, em São Paulo ("O Immigrante, 1908)
Fazenda de café e casas de imigrantes ("O Immigrante", 1908)
Imigrantes em proximidades a suas casas ("O Immigrante, 1908)

Docas de Santos e a chegada de imigrantes ("O Immigrante, 1908)

 
Imigrantes em viagem a São Paulo  ("O Immigrante", 1908)

Imigrantes em viagem de trem a São Paulo  ("O Immigrante", 1908)

Plantação de abacaxis em Boituva/SP ("O Immigrante", 1908)

Plantação de fumo no núcleo "Campos Sales" ("O Immigrante, 1908)

Morada de imigrantes no núcleo "Campos Sales" ("O Immigrante, 1908)

Lote de um imigrante russo chamado Johan Behrsin, seis meses após sua chegada no núcleo "Nova Odessa"  ("O Immigrante, 1908)

O secretário da Agricultura de São Paulo, o dr. Carlos Botelho, em visita ao núcleo "Nova Odessa" ("O Immigrante, 1908)

Lote do colono Johan Meshgrahw ("O Immigrante, 1908)

Uma menina imigrante russa do núcleo "Nova Odessa" recitando um poema para o político Carlos Botelho ("O Immigrante, 1908)

Casa de um colono do núcleo "Jorge Tibiriçá" ("O Immigrante, 1908)

Um meio de transporte dos imigrantes do núcleo "Nova Odessa" ("O Immigrante, 1908)

Uma imigrante em sua casa  ("O Immigrante, 1908)
---

Citando a obra do filósofo e sociólogo George Simmel  intitulada “O Estrangeiro”, Paula de Brito Mota  faz menção de um trecho que versa sobre o modo como o estrangeiro era visto em São Paulo: “O estrangeiro é visto e sentido, então, de um lado, como alguém absolutamente móvel. Como um sujeito que surge de vez em quando  através de cada contato específico e, entretanto, singularmente, não se  encontra vinculado organicamente a nada e a ninguém, nomeadamente,  em relação aos estabelecidos parentais, locais e profissionais. E que se parece próximo, na medida em que a ele o outro da relação se iguala  em termos de cidadania, ou em termos mais social, em função da  profissão, criando laços internos entre as partes inter-relacionadas. O  estrangeiro parece mais distante, por outro lado, na medida em que esta igualdade conecta apenas os dois da relação de forma abstrata e geral,  não havendo assim laços de pertença. Na relação com um “estrangeiro”  ou “estranho”, em um sentido positivo, porém, o que existe é um não relacionamento. Nos contatos possíveis, ele, o estranho, é sempre  considerado alguém de fora, como um não membro do grupo, portanto,  as relações se dão a partir de um certo parâmetro de distanciamento  objetivo, mas partindo das características essenciais de que também ele  é um membro de um outro determinado grupo. Como tal, os contatos  com ele são, ao mesmo tempo, estreitos e remotos, na fragmentação  das relações por onde uma abstrata igualdade humana em geral se  encontra”.
"Em cada navio que parte da costa ocidental da Europa, embarcam numerosos estrangeiros com destino ao Brasil, onde encontraram largo campo de atividade, onde suas capacidades e energias serão recompensadas. A nossa gravura representa esses imigrantes entrando para o navio com suas modestas bagagens, em pitoresca confusão" (SIC, "Ilustração Brazileira", 1909)
Um casal de imigrantes italianos estabelecidos no Rio Grande do Sul no ano de 1872 ("Ilustração Brazileira, 1909)
Uma família de de imigrantes italianos estabelecidos no Rio Grande do Sul no ano de 1872 ("Ilustração Brazileira, 1909) 
 Pavilhão preparado para receber os imigrantes oriundos da Europa. No primeiro andar havia 150 quartos, em cada um dos quais ficariam uma família de imigrantes. Até o porão estava preparado para receber pessoas ("Ilustração Brazileira, 1909) 

Grupo de imigrantes na Ilha das Flores, no dia 12 de junho de 1909, a maioria de alemães, russos e polacos, todos destinados ao Estado do Paraná ("Ilustração Brazileira, 1909) 

Colônia italiana na "Societá Nazionale Dante Alighieri", vendo-se o poeta Raniero Nicolai declamando o poema "Elogio della vita" ("O Malho", 1923)

---

Em sua tese "Quando preferir um samba ao hino nacional é crime: integralismo, etnicidade e os crimes contra o estado e a ordem social (Espírito Santo - 1934-1945)",  Silvia Regina Ackermann, discorrendo sobre as condições da imigração, escreveu: "De meados do século XIX ao início do século XX, a imigração configurou-se  como solução para o problema da mão-de-obra. Para o Brasil, devido à falta de  trabalhadores após a desagregação das relações de trabalho escravistas e, para a Itália,  como solução para uma crise de desemprego. O movimento migratório italiano desse  período ocorreu em condições internas específicas, de transformações econômicas e  políticas, quando o capitalismo se inseria no campo, no momento  da unificação. Na  Itália, conforme observações de alguns  autores como Alvim, Cenni,  Trento, entre outros, existiam algumas condições que tornavam a imigração uma  possibilidade para mudança de vida. Alguns autores, como Alvim, descreveram as 36 péssimas condições de moradia  e de relações de trabalho, principalmente entre os  braccianti  e seus patrões, italianos da região Sul. Ao conhecê-las é possível entender  melhor o desejo manifesto de muitos em deixar o país rumo à América, ou como diziam 

os próprios imigrantes, de fare l’América!”   

Mapa do Estado de São Paulo com estatísticas dos imigrantes no ano de 1908, quando havia, segundo estimativas da época, cerca de 20.000.00, sendo: russos - 5.389.985, austro-húngaros - 675.916, alemães - 540.743, franceses - 536.464, espanhóis - 497.244, e italianos - 286.682. 

 Título de propriedade concedido a imigrante em São Paulo ("O Immigrante, 1908)
 Jornal dos imigrantes italianos "L'Amico del Lavoratore", de 1902
 Jornal "L'Immigrante", em linguagem italiana, de 1886

Jornal "Il Colono Italiano al Brasile", de italianos, em 1902
 Jornal "Le Courrier de l'Atat de S. Paul", dos imigrantes franceses, de 1908 

 ---

Fonte das imagens:
1. Revista "Ilustração Brazileira", edição de 1909, disponível digitalmente no site: Domínio Público;
2. Revista "O Immigrante", edição de 1908, disponível digitalmente no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo;
3. Revista "O Malho", edição de 1923, disponível digitalmente no site da Biblioteca Nacional Digital do Brasil

Fontes dos textos:
1. Francisco de Assis Silva: “História do Brasil: Colônia, Império e República”. Editora Moderna. São Paulo, 1992;
2. Silvia Regina Ackermann: "Quando preferir um samba ao hino nacional é crime: integralismo, etnicidade e os crimes contra o estado e a ordem social (Espírito Santo - 1934-1945)". Universidade Paulista Julio 
de Mesquita Filho – UNESP. São Paulo, 2007;
3. Paula De Brito Mota: "A cidade de São Paulo de 1870 a 1930: café, imigrantes, ferrovia, indústria". Pontifícia Universidade Católica de Campinas. São Paulo, 2007.

Fotos antigas de São Paulo - XL

A história da capital paulista  através de antigas fotografias publicadas no belíssimo Acervo Histórico da Assembléia Legislativa de São Paulo, disponível digitalmente na Internet.
SÃO PAULO - Neste retrato de Militão Augusto de Azevedo, feito em 1862, vê-se o estado do calçamento da Rua da Cruz Preta (atual Quintino Bocaiuva), onde nasceu o poeta Álvares de Azevedo
SÃO PAULO - A estação de Vila Mariana da linha de carris de São Paulo a Santo Amaro (Arquivo da Eletropaulo).
  SÃO PAULO - Calçamento da rua de São Bento, em 1862
SÃO PAULO - Nesta imagem de 1912, de autoria de Aurélio Becherini, pode-se ver os carroceiros responsáveis pelo transporte da carne na cidade de São Paulo defronte o prédio do Matadouro da Vila Clementino.

SÃO PAULO - Nesta imagem de 1907 da antiga Catedral da Sé, pode-se ver o relógio instalado em 1842

---
Fonte:
“São Paulo A imperial Cidade e a Assembléia Legislativa Provincial”. Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo - Secretaria Geral Parlamentar - Departamento de Documentação e Informação. São Paulo, 2006, disponível digitalmente no Acervo da ALESP.

Holocausto: Crime contra a humanidade - II

Em seu importante livro "Holocausto: Crime contra a humanidade", a historiadora Maria Luiza Lucci Carneiro, escreve que o Holocausto pode ser definido "como o produto de uma mente maquiavélica e calculista que, subsidiada pelo aparelho burocrático do Estado, espalhou o ódio contra judeus, ciganos, comunistas e outras tantas minorias. Todos foram rotulados de impuros, no sentido mais amplo da palavra: impuros por sua raça, por suas idéias políticas ou por sua cultura". Ainda segundo ela: "Não se tinha visto, em toda a história da humanidade, uma catástrofe com tamanhas dimensões. Dificilmente o ser humano poderia imaginar que um homem no caso Adolf Hitler seria capaz de engendrar um plano tão diabólico para matar milhões de pessoas, principalmente os judeus."
As imagens, a seguir, fazem parte do imenso acervo fotográfico do Holocausto nazista, e foram todas extraídas do United States Holocaust Memorial Museum, assim como os suas respectivas legendas. O objetivo de sua divulgação, é de não deixar no esquecimento este horroroso crime, que não é apenas contra um povo, mas contra toda a humanidade.

Sobreviventes de Ampfing, um sub-campo do complexo de concentração de Dachau, logo após sua libertação pelos Estados Unidos. Alemanha, 4 de maio de 1945 (National Archives and Records Administration, College Park, Md)
Prisioneiros no trabalho escravo na fábrica da Siemens. Campo de Auschwitz, Polônia, 1940-1944 (Federation Nationale des Deportes et Internes Resistants et Patriots)
Escovas de cabelo das vítimas, encontradas logo após a libertação do campo de Auschwitz. Polônia, depois de 27 de janeiro de 1945 (Dokumentationsarchiv des Oesterreichischen Widerstandes)

Prisioneiros durante inspeção no campo de concentração de Buchenwald. O uniforme que eles usavam tinha tarjas triangulares de classificação e números de identificação. Buchenwald, Alemanha, 1938-1941 (US Holocaust Memorial Museum)
Câmara de gás no campo principal de Auschwitz logo após a liberação. Polônia, janeiro de 1945 (Dokumentationsarchiv des Oesterreichischen Widerstandes)
Experiências médicas realizadas no campo de concentração de Dachau para determinar as altitudes máximas que os pilotos alemães poderiam suportar. Alemanha, 1942 (National Archives and Records Administration, College Park, Md.)
Uma das muitas pilhas de cinzas e ossos encontradas pelos soldados dos Estados Unidos no campo de concentração de Buchenwald. Alemanha, 14 de abril de 1945 (National Archives and Records Administration, College Park, Md.)
Judeus eslovacos trabalham na construção de uma estrada em um campo de trabalhos forçados. Tchecoslováquia, provavelmente em 1941 (Czechoslovak News Agency)
Foto da perna desfigurada de uma sobrevivente de Ravensbrueck usada para a investigação dos crimes de guerra. Helena Hegier (Rafalska) foi sujeita a experiências médicas em 1942. Esta fotografia foi requisitada como evidência para a acusação no Julgamento dos Médicos em Nuremberg. As cicatrizes da desfiguração são resultado das incisões feitas por equipes médicas e que eram propositalmente infectadas com bactérias, sujeira e cacos de vidro (DIZ Muenchen GMBH, Sueddeutscher Verlag Bilderdienst)

Prisioneiro tendo a cabeça raspada no campo de concentração de Sachsenhausen. Alemanha, 1942 (Federation Nationale des Deportes et Internes Resistants et Patriots)

---

Referência Bibliográfica:
Maria Luiza Lucci Carneiro. "Holocausto, Crime contra a humanidade". Editora Ática, 2000.