As teorias racistas de Cesare Lombroso

Quando se fala de Charles Darwin e da Teoria da Evolução, um dos assuntos que mais suscitam discussões diz respeito às extrapolações do darwinismo para a esfera social: as idéias do naturalista inglês influenciaram ou não no estabelecimento de ideologias racistas, como a eugenia, por exemplo?

Um pretexto corriqueiramente utilizado por alguns darwinistas quando na defesa do autor de “A Origem do Homem e a Seleção Sexual” diz que, assim como não se pode culpar
Santos Dumont pelo uso do avião nas guerras, da mesma forma não se pode atribuir culpa a Darwin pelo “mau uso” da Teoria da Evolução.

Todavia, não vejo a questão com tamanha simplicidade; ademais, neste tipo de argumento sempre está imbuído a visão e os interesses daquele que a defende. Há uma enorme diferença em se definir
Francisco Solano Lopes aqui no Brasil e lá no Paraguay. Metaforicamente é mais ou menos como aquela velha história do vencido e do vencedor. Sim, do mesmo modo que não se pode culpar Marx pelas atrocidades cometidas por Stalin, da mesma forma não se pode condenar Darwin pela prática da eugenia. No entanto, o que deve ser enfatizado aqui não são “armas” mas as “munições” que as tornam aptas para matar ou destruir. Neste aspecto o buraco é mais embaixo.

E em meio a toda esta discussão, um nome que desponta para tornar a questão ainda mais acalorada refere-se ao médico italiano Cesare Lombroso (1835-1909), que também fez uso na sua Antropologia, ao seu próprio modo, dos pressupostos naturalistas arraigados na Teoria da Evolução como fora inicialmente concebida, ou seja, a evolução como progresso.

O método empregado por Lombroso para descobrir e até mesmo sentenciar um suposto criminoso pode ser resumido da seguinte forma:

1. Uso da Teoria da Evolução no seu sentido linear, ou seja, a evolução como progresso. O homem vai se modificando física, intelectual e socialmente ao longo das eras.
2. Associação entre delinqüência e a loucura: “para se combater a delinqüência faz-se necessário estudar o delinqüente”.
3. Estudos com supostos delinqüentes prisioneiros.
4. Craneometria. Comparação de crânios de supostos delinqüentes com animais considerados inferiores.
5. Influência do grande baluarte da Teoria da Evolução na Alemanha, o cientista Ernst Haeckel, com seu lema “a ontogenia recapitula a filogenia”.
6. Uso da embriologia, com a qual se estudava os “estágios inferiores” pelos quais havia passado o homem.
7. Busca por traços atávicos no suposto delinquente, traços esses que correspondessem a estágios primitivos da evolução humana.
8. Conclusões baseadas em formatos e anormalidades cranianas.
9. O conceito de transmissão hereditária da delinqüência.
10. Utilização da Seleção Natural a fim de se explicar as características dos supostos criminosos. Por exemplo, nas primeiras sociedades uma característica comum era o desejo de matar.
11. A delinqüência como uma característica nata da pessoa.
12. Relação entre infantilidade/imaturidade/delinqüência.

As imagens, a seguir, do Museo Cesare Lombroso (Itália) estão todas relacionadas com os trabalhos criminológicos de Lombroso: fotografias com supostos criminosos, seus objetos e crânios:

Fonte das imagens
:
Thenautilus





É isso!

3 comentários:

  1. Não entendi qual o "racismo" nas teorias de Lombroso. Todos os criminosos que Lombroso estudou eram brancos europeus. Racismo por que? Bandido é raça?
    Aliás, sem essa de "supostos criminosos": as máscaras de cera reproduziam a face de criminosos condenados na prisão e foram doadas a Lombroso em 1906. fonte: https://farm4.staticflickr.com/3951/15404388340_45676b9d0f_b.jpg

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    1. "Racismo consiste no preconceito e na discriminação com base em percepções sociais baseadas em diferenças biológicas entre os povos." Wiki

      Abraços...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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