Fotos (gravuras) antigas do Rio de Janeiro - XLV

Belíssimas gravuras (ilustrações) da "cidade maravilhosa", a nossa querida cidade do Rio de Janeiro 
 Paço Municipal (1887)
 Secretaria da Agricultura (1887)

Entrada da Rua Primeiro de Março (1887) 

Edifício da Caixa Econômica e do Monte do Socorro (1887)

Praia de Copacabana (1887)

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Fonte:1. Brazil Illustrado  Archivo de conhecimento uteis, anno 1, n. 10, 1887,
2. Brazil Illustrado  Archivo de conhecimento uteis, anno 1, n. 10, 1887,
3. Brazil Illustrado  Archivo de conhecimento uteis, anno 1, n. 05, 1887,
4. Brazil Illustrado Archivo de conhecimento uteis, anno 1, n. 04, 1887,
5. Brazil Illustrado  Archivo de conhecimento uteis, anno 1, n. 03, 1887,  disponíveis digitalmente no site da biblioteca: Brasiliana - USP

Anúncios antigos do depurativo TAYUYA

 Anúncios antigos do "poderoso" e "milagroso" depurativo TAYUYA: "depurativo e anti-reumático". Segundo anúncios, o medicamento seria eficaz contra os mais variados tipos de males físicos, tais como: úlceras, tártaros, eczemas, boubas, feridas, fissuras, dores, reumatismo, impurezas do sangue e até preventivo contra a temível sífilis. O depurativo "Tayuya" também faz parte da nossa história...

 Depurativo "TAYUYA" - Anúncios 1926 ("A Cigarra")

Depurativo "TAYUYA" - Anúncios 1923 ("O Malho")
Depurativo "TAYUYA" - Anúncios 1928 ("A Cigarra")
 Depurativo "TAYUYA" - Anúncios 1922 ("O Malho")

Depurativo "TAYUYA" - Anúncios 1923 ("O Malho")
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Fonte:
1. Revista "A Cigarra", edições de 1926 e 1928, disponível digitalmente no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo;
2. Revista "O Malho", edições de 1922 e 1923, disponível digitalmente no site da Biblioteca Nacional Digital do Brasil

Fotos (gravuras) antigas do Rio de Janeiro - XLIV

 Belíssimas ilustrações (gravuras, figuras, estampas, desenhos) da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro

Vista do Morro de Santo Antonio (1816)
Vista do Rio de Janeiro tomada da rua Senador Cassiano em Santa Teresa (1883)
  Litoral da cidade - entrada da barra, as montanhas (18??)
 Panorama da cidade de Rio de Janeiro  (1854)

Panorama da cidade de Rio de Janeiro (1854)

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Fonte:
1. Nicolas Taunay. Vista do Morro de Santo Antonio. 1816,
2. Georg Grimm. Vista do Rio de Janeiro tomada da rua Senador Cassiano em Santa Teresa. 1883, ambas: In: Carolina Martins Etcheverry: Vsões de Porto Alegre nas fotografias dos irmãos Ferrari (c.1888) e de Virgílio Calegari (c. 1912). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2007, disponíveis digitalmente no site: Domínio Público;
3. Ender, Thomas, - Litoral da cidade - entrada da barra, as montanhas, panorama do Rio de Janeiro.18--,
4. Desmons, Iluchar, Panorama da cidade de Rio de Janeiro: 1854,
5. Desmons, Iluchar, Panorama da cidade de Rio de Janeiro: 1854, todas disponíveis digitalmente no site da biblioteca: Brasiliana - USP

“Entre a nostalgia e o cinismo”

Um pouco da arte da Exposição “Entre a nostalgia e o cinismo”, publicada pela Biblioteca Brasiliana no  caderno "Cultura e Pensamento", que é um programa nacional de incentivo ao debate crítico, cujo propósito é ampliar os fóruns de reflexão e diálogo em torno de temas relevantes da agenda contemporânea. busca-se promover a circulação de idéias produzidas por intelectuais, artistas e pensadores da cultura com o intento não apenas de consolidar uma plataforma para a difusão dessas idéias como de propiciar a aproximação dos seus atores



WANG QINGSONG - "DREAM OF MIGRANTS" - Exposição “Entre a nostalgia e o cinismo”. FOTO ARTE 2007/divulgação.
 J.ERIGLEIDSON  (FOTO CLUBE CANDANGO) Série “Inspiração”. FOTO ARTE 2007/divulgação.
 RUI FAQUINI - Exposição “Breves  encontros kaiapós”. FOTO ARTE 2007/divulgação.
 
WANG QINGSONG - "LOOK UP! LOOK UP!" - Exposição “Entre a nostalgia e o cinismo”. FOTO ARTE 2007/divulgação.

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Fonte:

Revista "CULTURA E PENSAMENTO",  N.03 DEZEMBRO 2007, disponível digitalmente no site da biblioteca: Brasiliana - USP

Esculturas e Monumentos antigos do Brasil

Fotografias antigas de monumentos e esculturas que cercam a nossa história com seus encantos e seus respectivos sentidos históricos...
Uma das peças do grandioso monumento da Fundação de São Paulo, representando um grupo de índios trabalhando na construção da cidade ("A Cigarra", 1915)
"Amor Materno", escultura de Joseph Flossmann ("A Cigarra", 1914)
Monumento a Carlos Gomes quando na sua inauguração no dia 12 de outubro de 1922, nas proximidades do Teatro Municipal e no vale do Anhangabaú ("A Cigarra")
 
1. "O Canto", de R. Verlet; 2. "A Dansa", de R. Verlet  - lampadários elétricos de bronzes, feitos para o Teatro Municipal  do Rio de Janeiro ("Ilustração Brazileira", 1909) 
Monumento do Cristo Redentor (Fundação Joaquim Nabuco, de 1941)

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Fonte:
1. Revista "A Cigarra", edições de 1914, 1915 e 1922, disponível digitalmente no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo;
2. Revista "Ilustração Brazileira", edição de 1909,
3. Fundação Joaquim Nabuco, ambos disponíveis digitalmente no site: Domínio Público

A Arte de Rugendas

 Um pouco da bela e vasta arte de Rugendas
 Rugendas - "Família de fazendeiros
 Rugendas - "Engenho de Açúcar"
 Rugendas - "Habitantes de Goiás"
Rugendas - "Pouso de uma tropa"

Rugendas - "Costumes de São Paulo"
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Fonte:
"MEMÓRIA SOBRE A VIAGEM DO PORTO DE SANTOS À CIDADE DE CUIABÁ", de Luís d’Alincourt. Senado Federal. Brasília – 2006, disponível digitalmente no site: Domínio Público

Anúncios antigos de Pianos

 Anúncios antigos relacionados ao clássico instrumento musical, o piano
Anúncio da Casa Levy (de "O Echo", 1916), especializada no comércio de pianos, das marcas: Bechstein, Breyer, Excelsior, Gavean, Kallmann, Pleyel, Schiedmayer e Sohne

 Le pianola "Paderewski" - Anúncio de 1914
 Pianola "Metrostyle" - Anúncio de 1914

Piano e pianola "Steck" - Anúncio de 1914 

Piano "Brasil", marca nacional - Anúncio de 1929

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Fonte:
1. Revista "A Cigarra", edições de 1914 e 1929,
2. O Echo, edição de 1916, ambos disponíveis disponível digitalmente no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo

Raízes da Guerra do Contestado

Texto extraído do belíssimo livro "Guerra do Contestado", de autoria de Luiz Alves,  livro este que está disponível digitalmente no excelente site Domínio Público

Fanáticos da Irmandade de São Sebastião

Foram inúmeras as causas que acenderam o estopim que levou a “Guerra do Século, o famoso contexto do contestado. Após a queda da monarquia, o país estava completamente falido e sem nenhum recurso financeiro, porque os Imperadores sempre adotaram o regime Feudalista que enforcava mortalmente o panorama de igualdade social, levando os menos favorecidos a terem somente uma opção, trabalhar como escravos com uma mínima bonificação mensal aos protegidos do regime imperialista”.

A “lei do ventre livre” foi a primeira grande derrota dos senhores de engenho, que tiraria de suas mãos o filete de ouro, a futura mão-de-obra produtiva. Em 1888 a princesa Isabel legaliza a “lei Áurea”, abolindo todo e qualquer regime de escravidão. O que levou os senhores de engenho ao completo desespero, e consecutivamente ao princípio de sua falência econômica, privando-os dos luxos nos salões da corte imperial. Pois, a partir daquele momento humanitário histórico, teriam de pagar por seus serviços braçais, não obrigá-los a trabalhar e nem colocá-los no tronco para serem açoitados.

E na calada da noite em 1889, os parlamentares, políticos provincianos, empresários e comerciantes, ministros e os marechais das forças armadas compram dos Estados Unidos da América um regime republicano corrompido, corrupto e capitalista, que levaria toda a população brasileira a mais completa miséria social e econômica. A monarquia cai e toma posse o poder republicano. Parlamentares, ministros e os marechais julgavam ter em suas mãos um país rico e próspero, mas encontram um país em completa falência econômica e social. E, outra vez compram dos Estados Unidos da América a idéia de venda de títulos coronelistas aos senhores de engenhos, visando economicamente tirá-los desse buraco sem fim.

Em meio a todo esse caos da república, em 1893 o almirante Custódio de Melo revolta-se, tendo sob o seu comando vários navios de guerra ancorados em pontos estratégicos do Rio de Janeiro. Convoca todos os poderes na época a lutar por novas eleições republicanas, sob a ameaça de detonar os seus canhões contra tudo e todos. A revolta armada força o Presidente Marechal Floriano Peixoto e parlamentares, a convocarem eleições urgentemente, contendo no ambiente à podridão da manipulação de conveniência e o cheiro podre de corrupção.

Os Estados Unidos fazem a sua parte no acordo, faltando somente que o poder republicano do país fazer agora a sua parte. Nesse momento histórico se inicia o maior de todos os pecados capitais: empresas públicas e empresas privadas que comandavam a economia são vendidas aos empresários americanos. O país, que já estava naufragado na completa miséria econômica e social, acaba se transformando praticamente numa sucata ambulante e quase sem nenhum valor comercial. Os empresários americanos como sempre, são filantrópicos e humanitários com o resto do mundo, assim como as nuvens de gafanhotos são com as plantações, firmam um contrato com o poder republicano na construção de uma ferrovia do estado de São Paulo ao estado do Rio Grande do Sul, cobrando a simples bagatela de vinte contos de réis por quilômetro construído, depois reajustado por quarenta contos de réis, além de terem a posse de quinze quilômetros em ambos os lados da ferrovia, onde poderiam explorar todos os recursos naturais e povoar com emigrantes europeus.

Só que o governo republicano brasileiro se esquece que, dentro dos limites da ferrovia construída, e nesses trinta quilômetros, já moravam famílias que herdaram as propriedades de seus antepassados, pela própria lei natural e verdadeira eram os donos, não precisando de nenhum papel para provar que aquelas terras eram suas.

Na época da construção, chegam uma autoridade do governo, representante do grupo Farquhar e os seus pistoleiros, dizendo que a terra onde nasceu o seu bisavô, seu avô, seu pai, ele e todos os seus filhos não era mais sua, porque tinham comprado do governo e teria de sair das terras, porque já tinham vendido aos emigrantes estrangeiros. Caros leitores imaginem só como fica a cabeça de um simples caboclo, nascido e criado no sertão brasileiro. Com toda certeza, deixaria qualquer um que não tem sangue de barata, furioso e perderia a sua própria razão e até poderia levar o acontecimento às últimas conseqüências. E foi o que realmente aconteceu, desencadeando a “Guerra do Século”.

Veremos agora o outro lado da questão, a emigração de europeus no sul do país. O grupo Farquhar tinha feito um negócio da China, cria na Europa uma grande propaganda enganosa na venda de acres de terra num país de futuro. Os acres são comercializados a peso de ouro aos emigrantes, sendo que já estavam desanimados com a crise e a guerra em seu continente, havendo diversas nações falidas ou a beira da falência social e econômica.

Os emigrantes chegam ao sul do país em banheiras flutuantes, que o grupo chamava-o de navio, viajando na mesma situação deplorável dos navios negreiros que trouxeram escravos do continente africano. E quando os emigrantes chegam ao sul do país, dão de cara com a dura realidade, vendo à sua frente uma terra praticamente despida de recursos naturais, logicamente com um solo de grande riqueza em recursos agropecuários. Mas mesmo assim, uma terra virgem, que com certeza teria muito trabalho à frente para deixá-la igual à terra dos sonhos. E no decorrer de sua árdua batalha diária, em tornar a terra produtiva, surgem caboclos revoltados, dizendo que aquela propriedade era sua e a queriam de volta, e que se fosse preciso iriam até as últimas conseqüências.

Caros leitores, com quem os emigrantes iriam reclamar? O grupo Farquhar já estava construindo a ferrovia Madeira Mamoré no Amazonas, tiram e levam centenas de cargas de madeiras nobres em navios para o continente europeu e americano e que os seus legítimos proprietários se contentem com o osso que lhes deixaram. Iriam reclamar com o poder republicano na época? Sendo que os parlamentares e políticos provincianos estavam mais preocupados em gastarem a sua fortuna com a alta sociedade parisiense, com o status de novos milionários. Reclamar com o Presidente da Republica na época? O mesmo estava mais preocupado em saber qual cobra seria a que lhe morderia primeiro, porque as tentativas de golpes de estado eram uma constante. O presidente tinha uma nação falida em suas mãos, mesmo assim a concorrência era enorme. Como se não bastasse os parlamentares boicotaram o seu governo, ainda um conjunto de empresários brasileiros, europeus e americanos patrocinaram revoluções centralizadas, visando desestabilizar o atual governo. Isso sem contar com a rivalidade entre os marechais e almirantes nas forças armadas brasileira. Naquela época o nosso país enfrentava um verdadeiro caos interno, transformando-se numa “torre de babel” e tendo em seu poder uma grande “caixa de pandora”. O contrato do governo republicano com o grupo Farquhar consta que, o contratante forneceria toda mão-de-obra bruta na construção da ferrovia e para o desmatamento, nos estados de São Paulo até o Rio Grande do Sul. Os cargos administrativos ficariam com os empresários americanos, além de pagar vinte e após quarenta contos de réis, cedendo o direito de explorar o transporte na linha férrea por vinte anos, tendo exclusividade e direito na renovação do contrato. Como no Brasil existia pouca mão-de-obra bruta, devido ser tarefa dos escravos libertos e o governo não querer que essa bomba explodisse em suas mãos, pois os escravos libertos não eram confiáveis para a realização do serviço. A opção que lhe restou, foi fechar um acordo com marginais da sociedade de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e os jagunços de Conselheiro na guerra de Canudos, garantindo-lhes que seriam postos em liberdade se cumprissem a sua parte. Mas ao final da ferrovia, deixam um terço jogado a sua própria sorte e na completa miséria num sertão desconhecido, enquanto os parlamentares, republicanos e o grupo Farquhar saem transportando muitos baús abarrotados de ouro. A opção que restou a esses miseráveis, excluídos da sociedade foi adaptar-se nessa terra estranha, trabalhar para os emigrantes europeus ou servir de jagunços a algum coronel. Aos demais, restou ir para a terra que vertia leite e mel, melhor dizendo, o Arraial de Bom Jesus do Taquaruçú. Um dos principais pivôs no conflito do século, na minha humilde visão, foi o coronel Albuquerque - intendente da vila de Curitibanos. O coronel era um forte comerciante e dono de terras, possuindo uma fortuna bastante considerável. Era um homem que tinha ambição pelo poder provinciano e também um temperamento violento, se fosse contrariado. Era portador de uma mania obsessiva em perseguição política, julgando que os seus adversários políticos queriam lhe tomar o poder. E para complicar mais a situação o coronel era compadre do governador de Santa Catarina, também pivô do conflito armado. Se o coronel fosse pelo menos um pouco inteligente e se estivesse preocupado com a miséria social da vila, com toda certeza não teria acontecido o conflito no contestado.

Os coronéis Felippe Schimidt e Vidal Ramos, governadores de Santa Catarina, também tiveram uma expressiva participação nos assassinatos dos errantes do século, por terem enviado tropas de soldados estaduais para exterminar, a até então fanática irmandade pacífica. Outro ponto crucial foi à cobrança tributária, que gerou mais revolta entre os pequenos fazendeiros e comerciantes, ocasionados pelo desleixo de ambos os governos na demarcação de limites entre os dois estados sulistas. À frente dessa ociosidade dos governos paranaense e catarinense, acaba se transformado numa terra de ninguém, onde os pequenos fazendeiros e comerciantes teriam de pagar os seus impostos duas vezes.

Outros governantes que acenderam o estopim da revolta foram o Dr. Afonso Alves de Camargo e Carlos Cavalcânti do Paraná, que também ficaram ociosos com a demarcação de limites entre os estados, devido não cobrar dos parlamentares e nem do próprio Presidente da República, uma solução definitiva para o problema. E para alterar mais o fato conflituoso, Dr. Afonso prestava serviços de assistência jurídica ao grupo Farquhar, causa principal na revolta dos caboclos no contestado. O governador Afonso trabalhava pelos seus próprios interesses e particulares, ficando ocioso com a crescente miséria social no sertão, empurrando os sertanejos excluídos da sociedade corrupta e capitalista, a uma guerra impossível de vencer. Em suas visões, nem que para isso os cordeiros levassem o caso até as últimas conseqüências, foi o que de fato aconteceu, a guerra do século.

A onipresença da Igreja Católica Apostólica Romana nos sertões da área contestada foi outro motivo muito marcante que agravou o conflito. O santo, Frei Rogério, fez com toda certeza, a sua parte como apóstolo de Cristo, mas uma simples andorinha sozinha não faz verão diante da imensidão do sertão catarinense. Levaria vários anos para o santo padre visitar os vilarejos mais distantes, o povo ficaria à mercê de diversas superstições e de mitos espirituais que dominavam a crendice popular do humilde caboclo.

Como toda a população do contestado encontrava-se esquecida pela Igreja Católica, há muito tempo, se entregam às crendices populares diante de sua fragilidade espiritual. Nesse momento entram os benzedores e curandeiros, principia com o monge João Maria D’Agostin que peregrinou seis anos após a Revolução Farroupilha, entre os anos de 1851 a 1856. O monge era uma pessoa muito inteligente, receitava poções e chás naturais, aconselhava o humilde sertanejo e também fazia previsões. O santo monge segundos os depoimentos na época foi em direção à Sorocaba no estado de São Paulo, após nada mais consta de concreto.

Devido ao abandono da região do rio Iguaçu até os campos de Palmas, o ditador paraguaio Francisco Solano Lópes decide invadir e tomar o território em Novembro de 1864, visando presentear uma cortesã alemã que conheceu em Paris, inclusive possuir um eixo de ligação com o Oceano Atlântico, facilitando o comércio da nação emergente. O conflito se estende até Novembro de 1870 com a morte de Solano Lópes. Vários oficiais do alto comando, anos mais tarde viriam a proclamar a república no Brasil. Evitando novas invasões estrangeiras, povoam a região com emigrantes europeus, simpatizantes e familiares de políticos, inclusive centenas de oficiais e soldados que participaram na Guerra do Paraguai. Outro fato importante, nesse conflito foi os milhares de escravos negros, com a promessa de ganhar a sua liberdade.

Nos anos de 1893 a 1895 quando acontecia a Revolução Federalista, nascida no Rio Grande do Sul, tendo como objetivo que o marechal Floriano Peixoto destituísse o presidente Júlio de Castilhos, concedendo-lhes o sagrado direito político e financeiro na província, além de estar aliado ao saudosismo Monárquico. Aparece na área contestada outro monge de nome Atanás Marcaff, muito idêntico ao monge João Maria, o qual os sertanejos acreditavam ser o mesmo santo. O monge Atanás também era muito inteligente, benzia, receitava poções e chás naturais, aconselhava e fazia muitas previsões aos sertanejos. Os mais sépticos que não acreditavam ser o monge João Maria, julgavam que era a encarnação do santo profeta.

Aproveitando as peregrinações dos monges: João Maria D’Agostin e Atanás Marcaff, ou João Maria de Jesus na área do conflito, inesperadamente surge Miguel Lucena Boaventura, vulgo José Maria, intitulando-se irmão do santo profeta, mas na realidade era um benzedor místico vindo da vila de Campos Novos. José Maria era mais um visionário e fanático com as idéias monarquistas e revolucionárias, tinha um pouco de instrução intelectual, sabia usar as palavras ao que lhe convinha, conforme os seus revolucionários pensamentos. Sendo assim, incentivou o coração doentio e místico que os desesperançados sertanejos tinham, desencadeando a guerra do contestado. O José Maria foi um mal necessário no instante e que marcou o tempo de um povo esquecido pela Igreja e pelo poder republicano.

A notícia da construção da ferrovia percorreu os quatro cantos do país, sendo um colírio para os olhos de grileiros de terra e coronéis inescrupulosos. Como se não bastassem às ameaças de pistoleiros do grupo Farquhar, surgem diversos grileiros patrocinados por inúmeros coronéis, que os ameaçavam de morte se não deixassem as suas propriedades. E após, vendiam a um preço insignificante ao grupo Farquhar, com isso aumentando a tensão no contestado.

A miséria social na área contestada levava a população menos favorecida a um mar de sacrifícios diários, assim como todos os matutos caboclos do sertão. Muitos perderam a posse de terras, e ainda os republicanos queriam tirar também a sua dignidade, como ser humano. Pois na longa história do Brasil, todos os seus governantes olhavam sempre as suas ambições e gula pelo poder, e naquela época não iria ser diferente da atual.

Certos estavam os ditados populares antigos: “Todos os políticos são cegos porque nunca vêem as necessidades e os anseios da nação” ou “Todo político não tem cérebro porque depois de eleito esquecem as propostas de campanha e quem os elegeu”. O sertanejo não tinha nenhuma perspectiva melhor de vida, porque os governantes não lhes davam essa opção, tendo somente a escolha em sobreviverem as suas vidas miseráveis no presente que tinham à frente.

Caros amigos, as causas da guerra do contestado foram muitas, mas esse acontecimento histórico deixou inúmeras seqüelas que até nos dias de hoje nos apavora, mediante tanta injustiça sofrida por esse povo do sertão, com a sua humildade intelectual, sua simplicidade de vida que não continha quase nenhuma ambição. A meu ver, meus amigos, os eternos causadores da guerra do contestado montaram a mentira do século ao resto do país, forçando os jagunços a lutar por seus direitos violentados, construindo uma grande armadilha para eles em seus mínimos detalhes, jogando-os na descrença popular por mais de noventa anos.

Meus amigos, para que vocês tenham uma explícita idéia dos fatos, a imprensa dos Estados Unidos e os países da Europa deram muitas manchetes em seus jornais, como uma injustiça imperdoável ao que se estava fazendo com o povo humilde do sertão. Eram políticos corruptos e empresários desumanos que jogavam na lama o verdadeiro sentimento humano. Uns poucos historiadores são merecedores de créditos, se esforçaram ao máximo para reverter à situação, e hoje o Brasil e todo o mundo conhecem a história que anteriormente era: “Os errantes do século” e agora conhecida como: “Os injustiçados do século”.

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Fonte (texto e imagem)
Luiz Alves: “Guerra do Contestado”, livro publicado pelo próprio autor em 2009, e disponibilizado digitalmente no site: Domínio Público (Creative Commons License)

Os grandes funerais do Brasil - VIII


ALMIRANTE JÚLIO CESAR DE NORONHA
O almirante Julio César de Noronha foi uma das mais estimadas “relíquias” da nossa marinha. "Fazia parte dos quatro sobreviventes do combate naval do Riachuelo. Pertencia à oficialidade do navio capitanea, a fragata Amazonas, sob o comando heroico do legendário Barroso, que tinha a maior confiança na galhardia do então jovem tenente, e lhe confiava os postos mais importantes e arriscados, antes da batalha de 11 de Junho de 1865. Voltou do Paraguai como capitão-tenente. Subiu os dois postos por distinto merecimento. Comandando a corveta Vital de Oliveira, foi o primeiro oficial brasileiro que realizou uma viagem de circunavegação, e nesse feito paz soube mostrar não só  os seus profundos conhecimentos de perfeito navegador, como ainda a sua coragem indômita, afrontando os trágicos abismos dos mares bravios, notadamente os do Japão" (SIC, "O Malho", 1923)


Almirante Júlio Cesar de Noronha

Vários aspectos do funeral do almirante Júlio Cesar de Noronha, em 1923, no cemitério São Francisco Xavier
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Fonte:
Revista "O Malho", edição de 1923, disponível digitalmente no site da Biblioteca Nacional Digital do Brasil

Galeria dos Brasileiros Ilustres: Barão de Mauá

Em comemoração aos 500 anos do Brasil, o Conselho Editorial do Senado Federal, criado pela Mesa Diretora em 31 de janeiro de 1997, editou várias obras de valor histórico e cultural e de importância relevante para a compreensão da história política, econômica e social do Brasil e reflexão sobre os destinos do país. Dentre estas maravilhosas obras, disponíveis digitalmente para acesso público no site Domínio Público, encontra-se "Galeria dos Brasileiros Ilustres", de S. A. Sisson, do qual destacamos a figura ilustre do famoso Barão de Mauá, conforme segue...

Irineu Evangelista de Sousa, filho legítimo de João Evangelista de Sousa e de sua mulher D. Mariana de Sousa e Silva, nasceu a 28 de dezembro de 1813 na freguesia do Arroio Grande, distrito de Jaguarão, província de São Pedro do Rio Grande do Sul. No ano de 1822 veio para a corte concluir sua educação, estreando a sua carreira comercial ao ano de 1825 como caixeiro do negociante de fazendas Antônio José Pereira de Almeida. Apesar de sua tenra idade, tanta aptidão mostrou para o comércio e por tal forma se houve no desempenho de seus deveres, que retirando-se o Sr. Almeida à vida privada quatro anos depois, não se esqueceu de recomendar o seu jovem caixeiro a um amigo que estava no caso de aproveitar os seus serviços. Em 1829, pois, entrou Irineu Evangelista de Sousa para a muito acreditada casa comercial de Ricardo Carruthers, o qual, reconhecendo logo as felizes disposições de que era dotado, comprazeu-se em auxiliá-lo a desenvolvê-las, encarregando-o pouco depois da direção da sua casa de comércio à qual o associou no dia 1º de janeiro de 1836, e deixando-o à testa dos seus negócios quando no ano seguinte se retirou para a Europa.
Desde essa época a casa de Carruthers e Cia., da qual Irineu Evangelista de Sousa era sócio-gerente, tornou-se uma das principais desta corte pelo elevado crédito que lhe granjeara a sua hábil direção. Para dar maior desenvolvimento ainda a suas operações comerciais, empreendeu Irineu Evangelista de Sousa em 1840 uma viagem à Europa, estabelecendo durante sua estada ali uma casa em Manchester sob a firma de Carruthers, de Castro e Cia.
Regressando ao Rio de Janeiro em 1841, casou-se a 11 de abril desse mesmo ano com sua sobrinha D. Maria Joaquina de Sousa, que, conjuntamente com toda a sua família, fora buscar ao Rio Grande em 1835.
Querendo concorrer por sua parte para o progresso comercial da província onde nascera, estabeleceu no ano de 1845 uma casa no Rio Grande sob a firma de Carruthers Sousa e Cia. A atividade do seu espírito, porém, não se satisfez com tão pouco. No ano de 1846 fez a aquisição do belo estabelecimento de fundição e estaleiro da Ponta da Areia, elevando-o logo gradualmente da decadência em que se achava ao estado próspero e florescente que poucos anos depois o tornaram o primeiro estabelecimento desse gênero na América meridional. Nesse mesmo ano, tendo sido pelo corpo comercial do Rio de Janeiro eleito presidente da Comissão da Praça do Comércio, teve mercê do hábito de Cristo.
Em 1847, achando-se na cidade do Rio Grande, organizou ali a companhia rio-grandense de reboques a vapor, para facilitar o serviço da barra da província.
Por decreto de 24 de janeiro de 1850, foi agraciado com o oficialato da Ordem da Rosa, na qual foi elevado a comendador em 15 de maio de 1851 em remuneração dos serviços prestados na confecção dos regulamentos para a execução do Código Comercial. Nesse ano fundou em Nova Iorque uma casa comercial sob a firma de Carruthers Dixon e Cia., e revertendo nessa época ao país os avultados cabedais empregados no tráfico do escravocrata, em virtude da cessação desse ilícito comércio, iniciou Irineu Evangelista de Sousa o espírito de associação entre nós organizando nesse mesmo ano de 1851 o Banco do Brasil que tão assinalados serviços prestou a esta praça e que três anos depois, pela sua fusão com o Banco Comercial, serviu de núcleo à instituição de crédito que hoje funciona com o mesmo título e para cuja fundação poderosamente concorreu Irineu Evangelista de Sousa.
Logo em seguida foram por ele criadas: a de navegação e comércio do Amazonas e a de diques flutuantes.

Em 30 de abril de 1851, por ocasião da inauguração da primeira via férrea no Brasil, levada a efeito pelo seu gênio empreendedor, foi agraciado com o título de barão de Mauá. Em julho desse ano transferiu a propriedade do estabelecimento da Ponta da Areia a uma companhia que organizou e da qual é o principal acionista e administrador. Ainda nesse ano fundou nesta praça, com uma casa filial em Londres, a sociedade bancária em comandita sob a firma de Mauá Mac Fregor e Cia., que a despeito da injusta e desabrida guerra que por muito tempo sofreu, tem prosperado em bem dos interessados e da praça do Rio de Janeiro, que nela encontra sempre um poderoso auxiliar. 
Em julho de 1856, estabeleceu uma casa bancária em Montevidéu sob a firma de Mauá e Cia., que muitos bons serviços já tem prestado ao comércio da República Oriental, a cujo governo por várias vezes e em épocas bem críticas acudira o nosso distinto patrício com empréstimos de seus capitais, promovendo ainda por esta forma os interesses do Império.

Além destas empresas por ele mesmo criadas, o barão de Mauá tem concorrido com seus esforços, sua vasta inteligência e sua fortuna para a realização de todas quantas empresas de algum vulto existem no país.
Entre os concessionários da projetada estrada de ferro de São Paulo, figura ainda o nome do barão de Mauá, que pretende levar a efeito mais esse importante melhoramento por meio de capitais levantados em sua máxima parte fora do país.
Nas últimas eleições para deputado, o círculo do Rio Grande resolveu unanimemente, em sinal do apreço em que tem o seu distinto comprovinciano, dar-lhe um lugar na Câmara temporária, na qual já tivera assento como suplente desde o ano de 1855. Ali por várias vezes se tem feito ouvir o nobre barão, sempre que se trata de questões comerciais, pugnando pelos direitos da classe a que pertence e sustentando diferentes medidas tendentes a beneficiar a indústria do país.
O barão de Mauá é membro honorário do Instituto  Histórico e Geográfico do Brasil, tesoureiro do Hospício de Pedro II e sócio de muitas outras instituições de beneficência.

Seu talento não vulgar e seus serviços, a amenidade do seu trato e sua nunca desmentida probidade tornam-no um dos caracteres mais distintos de que o Brasil com razão se pode ufanar.

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Fonte: (imagem e texto):
"GALERIA DOS BRASILEIROS ILUSTRES", de S. A. Sisson. Volume I. Senado Federal. Brasília/DF, 1999, disponível digitalmente no site: Domínio Público

Anuncios antigos do ELIXIR DE INHAME

Anúncios antigos do famoso “Elixir de Inhame”, que tinha por lema: "Depura, fortalece e engorda."  O medicamento do tipo elixir (preparação líquida, açucarada ou glicerinada) também logrou enorme sucesso nas primeiras décadas do século XX, assim com o os fortificantes. O culto ao vigor físico, tão comum na época,  foi um, entre outros fatores, que colaboraram para o sucesso deste tipo de medicamento. O "Elixir de Inhame" inclui-se entre esta gama enorme de “remédios milagrosos”, que prometiam a cura para os mais variados tipos de enfermidades.

Elixir de Inhame - Anúncio de 1917 ("A Cigarra")

 Elixir de Inhame - Anúncio de 1922 ("Para Todos" )
 Elixir de Inhame - Anúncio de 1921 ( "A Cigarra")
 Elixir de Inhame - Anúncio de 1921 ("A Cigarra" )

Elixir de Inhame - Anúncio de 1929 ("A Cigarra" )
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Fonte:
1. Revista "Para Todos", edição de 1922, disponível digitalmente no site da Biblioteca Nacional Digital do Brasil;
2. Revista "A Cigarra", edições de 1917, 1921 e 1929, disponível digitalmente no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo