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Teoria da “imaculada” evolução


Ressalvando as devidas exceções, um bom número daqueles que estão envolvidos ideologicamente com a Teoria da Evolução, de algum modo fazem transparecer um comportamento bem típico de sectários religiosos. Quer fazer um teste? Pergunte-lhes quais as falhas da Teoria da Evolução!
A resposta certamente coincidirá com esta observação de J. Shoray (da Universidade de Chicago): "Não existe causa tão completamente imune às críticas em nossos dias como a da evolução”.

Para esses casos costumo "invocar" Fernando Pessoa:


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



É isso!

Teoria da Evolução: um enunciado histórico

MAYR:
"A Biologia evolutiva, ao contrário da física e da química, é uma ciência histórica - o evolucionismo tenta explicar eventos e processos que já ocorreram. Leis e experimentos não são técnicas apropriadas para a explicação de tais eventos e processos. Em vez disso, é preciso construir uma narrativa histórica, que consista numa reconstrução experimental de um cenário em particular que tenha levado aos eventos que se está tentando explicar” (MAYR, E. O impacto de Darwin no pensamento moderno. Scientific American Brasil. Edição Especial (17):92-98. 2006).

POPPER:
Em seu livro “A Miséria do Historicismo”, Karl Popper, refutando a ingênua pretensão de T. H. Huxley em atribuir à Evolução o status de “lei”, reduz o darwinismo a seu único papel verdadeiramente merecido: "A hipótese tem, melhor dizendo, o caráter de um enunciado histórico particular (singular ou específico)". Sendo assim, para Popper tal hipótese (a hipótese evolutiva) tem a rigor, o mesmo status do enunciado histórico do tipo: "Charles Darwin e Francis Galton possuíam um mesmo ancestral – ambos eram netos de uma dada pessoa”. Já em sua “Autobiografia Intelectual”, ele denomina o darwinismo de “Programa Metafísico de Pesquisa”. E explica o motivo: “É metafísico por não ser suscetível de prova” (p. 180).
É isso!

Animais do futuro

No ano passado, foi realizada na França uma exposição denominada "Animais do Futuro", que procurava mostrar como seria a fauna do planeta terra daqui há alguns milhões de anos, com base numa projeção feita a partir das mudanças climáticas e dos movimentos das placas terrestres e, é claro, "em tudo que se conhece de evolução" atualmente. O resultado pode ser visto nos exemplos, a seguir, extraídos do site BBC.
É viver para ver!!!((rs))



Visitantes observam "lula-macaco". Descendente da lula, evoluiria para animal terrestre. Como seus ancestrais, não possuiria esqueleto e manteria oito braços e dois tentáculos com ventosas. Viveria em florestas densas e possuiria visão desenvolvida, com olhos situados em duas espécies de hastes.
Este seria o descendente do macaco uacari de cara vermelha, da Amazônia. Em 5 milhões de anos, a floresta tropical seria susbstituída pela savana e os uacaris desceriam das árvores, que não existiriam mais. Não usariam mais as caudas para se balançar entre os galhos e sim para se comunicar.
O "oisson", existiria dentro de 200 milhões de anos, descendente dos peixes-voadores. As nadadeiras dos peixes-voadores permitem planar em uma distância de até 100 metros. As de seus descendentes se tornariam verdadeiras asas. Como o beija-flor, poderia voar rápido e permanecer imóvel no ar.
Lesma com 30 cm de altura existiria em 200 milhões de anos. A água seria um elemento tão raro que a pele se tornaria dura e com escamas, como a de um réptil. Para conservar sua umidade corporal, ele não poderia mais se arrastar para se deslocar, se moveria pulando.
Criaturas marinhas dotadas de uma concha e inúmeras patas longas. Com a extinção de boa parte dos animais marinhos, esses descendente dos crustáceos (caranguejos, camarões, lagostas) teriam pés flexíveis e articulados, carapaça protetora e passariam a ter uma cauda flexível para nadar.


O "tortunossauro" evoluiria a partir da tartaruga gigante. Esse réptil, em 100 milhões de anos, seria o maior animal terrestre, com sete metros de altura. Maior do que um dinossauro, seu peso, de 120 toneladas, seria 40 vezes maior do que o de um elefante. Perderia a maior parte de sua carapaça.
Este animal seria semelhante aos grandes pássaros terrestres. Devido às suas patas potentes, ele seria um dos caçadores mais rápidos da Amazônia. Ele encontraria sua comida no chão e somente utilizaria suas asas curtas para se equilibrar ao correr, como um avestruz.
O "grande planador azul" seria um passáro que viveria nos picos das montanhas. Como ele passaria a maior parte do tempo nos ares, a evolução lhe dotaria de dois pares de asas, com 15 metros de comprimento. Para se proteger do Sol, ele possuiria plumagem azul metálica, para refletir a luz.

Enquanto o ancestral desse roedor, a capivara, apresenta um pêlo mais denso, o "cuirasson" possui em suas costas uma carapaça com escamas, com pêlos duros e espessos, semelhantes aos do porco-espinho.
Textos das ilustrações, site da BBC


É isso!

Pequenas diferenças, grandes negócios


Embora os percentuais de comparação de semelhança genética entre o homem o chimpanzé sejam todos ilusórios do ponto de vista da própria realidade genética, a galerinha de Darwin sempre faz uso deles a fim de afirmar o “fato” como de fato um "fato" acima de qualquer fato. Todavia, sequer há consenso nos resultados dessas pesquisas, conforme exemplos a seguir:


1ª PESQUISA:For example: Marks J. 2002. What It Means to Be 98% Chimpanzee: Apes, People, and Their Genes. University of California Press, Berkeley. 325 pages.Resultado: 98% de semelhança

2ª PESQUISA:
Wildman DE, Uddin M, Liu G, Grossman LI, Goodman M. 2003. Implications of natural selection in shaping 99.4% nonsynonymous DNA identity between humans and chimpanzees: Enlarging genus Homo. Proceedings of the National Academy of Sciences (USA) 100:7181-7188.Resultado: 99,4% de semelhança

3ª PESQUISA:
Fujiyama A, Watanabe A, Toyoda A, Taylor TD, Itoh T, Tsai S-F, Park H-S, Yaspo M-L, Lehrach H, Chen Z, Fu G, Saitou N, Osoegawa K, de Jong PJ, SutoY, Hattori M, Sakaki1 Y. 2000. Construction and Analysis of a Human-Chimpanzee Comparative Clone Map. Science 295:313-134.
Resultado: 98,77% de semelhança

4ª PESQUISA:
Britten, R.J. 2002. Divergence between samples of chimpanzee and human DNA sequences is 5% counting indels. Proceedings of the National Academy of Sciences (USA) 99:13633-13635.
Resultado: 95% de semelhança

5ª PESQUISA:
The Chimpanzee Sequencing and Analysis Consortium. 2005. Initial sequence of the chimpanzee genome and comparison with the human genome. Nature 437:69-87.
Resultado: 96% de semelhança.
É isso!

Arte Simialista

Se antes o que nos separava dos símios era irrisória cifra de 1% de diferença genética, agora, finalmente, eles nos superaram!
Que se cuidem Da Vinci, Monet, Picasso, Van Gogh, Renoir, Munch, entre outros muitos mestres da pintura universal. Se não, vejamos... ((rs))

Fonte:Freakingnews



É isso!

Pontualismo VS Neodarwinismo

O que teria levado Stephen Jay Gould e Niles Eldredge a criar o Pontualismo (ou Teoria do Equilíbrio Pontuado)?

Vamos as alternativas. Escolha uma:

a) - O Equilíbrio Pontuado foi uma reação dos darwinistas contra o ensino do criacionismo nas escolas americanas;




b) - O Equilíbrio Pontuado nasceu com o intuito de colaborar na manutenção dos status epistêmico da Teoria Sintética ou Neodarwinismo;


c) - O Equilíbrio Pontuado foi apenas um modo que os darwinistas encontraram a fim de melhor explicar o ritmo lento da evolução ou gradualismo;


d) - O Equilíbrio Pontuado fundamentou seus conceitos no Adaptacionismo e na defesa irrestrita da Seleção Natural como veículo central da Teoria da Evolução;

e) - O Equilíbrio Pontuado é, na verdade, uma crítica incisiva à ortodoxia gradualista do Neodarwinismo, bem como uma contestação enérgica ao Adaptacionismo e uma tentativa de salvar o darwinismo do caos epistêmico.


É isso!

Estórias darwinistas: “o outro lado do suicídio”


Estando a folhar o livro "A Beleza da Fera", de Natalie Angier, deparei-me com um título que sintetiza muito bem a capacidade imaginativa da galera de Darwin, especialmente a turminha "Evo Psy", que usa e abusa dos pressupostos evolutivos a fim de explicar os mais variados tipos de comportamentos humanos. Neste caso específico a fantasia recai sobre um assunto deveras complexo, o qual tem suscitado os mais controversos debates: o suicídio.

Inicia a autora:

“Numa análise direta, o suicídio afronta as leis da natureza e fere o poderoso instinto que comanda todos os seres a lutarem por suas vidas até que não mais possam lutar”. E continua:

“No entanto, através de uma contabilidade evolutiva racional, o suicídio não pode ser explicado inteiramente como uma aberração violenta ou uma patologia humana
que fique além dos fluxos e apelos da seleção natural e da adaptação”. E não pára por aí:

“A taxa, dizem alguns geneticistas evolutivos
é muito grande para ser explicada através de fórmulas corriqueiras como doença social ou ocorrências casuais de doenças psiquiátricas”. E, agora, vejamos onde exatamente ela quer chegar:

"Em vez disso, a persistência do suicídio em altas taxas na maior parte das culturas mundiais revela um componente evolutivo subjacente, uma possível racionalização darwinista para um ato que muito freqüentemente parece irracional.”

Ou seja: na ausência de uma explicação convincente do ponto de vista científico, enfia-se aí um dos mais variados componentes evolutivos e pronto! Depois me criticam por encontrar material para humor no darwinismo!

Mas, vejam só a explicação de Natalie Angier acerca da questão:

Apesar de tudo, pode haver explicações plausíveis na história da evolução para, ao menos, alguns atos autodestrutivos.

Um sem-número de teóricos propõe que o impulso de se matar pode ser uma expressão de um instinto na direção do auto-sacrifício, para o bem dos parentes que sobrevivem, ou porque esses parentes serão salvos de suas próprias mortes, ou porque se beneficiarão generosamente dos recursos que lhes caberão agora.



Os parentes sobreviventes vão, por sua vez, passar adiante os genes da vítima sacrificial. Para usar um exemplo curto e simplista, um hominídeo na selva pode ter aumentado sua sobrevivência genética sacrificando-se a um leopardo que de outra forma teria abatido seis de seus irmãos ou irmãs. No entanto, como vivemos em grupos sociais complexos, tal impulso para o martírio pode, em algumas ocasiões, apresentar-se em formas complexas e distorcidas, sobrecarregando miseravelmente as psiques, mesmo daqueles que não têm famílias para beneficiar-se de suas mortes ou para assegurar a sobrevivência de seu legado genético.”

“Em outro cenário, o suicídio é visto não como hereditário, mas como a mais trágica decorrência de outra característica que pode derivar-se da seleção natural: a tendência à depressão. Alguns teóricos darwinistas dizem que temperamentos extremamente melancólicos são comuns demais para resultarem apenas de patologia. Eles acham que surtos de depressão podem ser úteis, forçando as pessoas a um tipo de hibernação emocional e dando-lhes tempo para refletir sobre seus erros. Mas tal estratégia, se mantida ou repetida por muito tempo, se torna não adaptativa, ou mesmo fatal, transformando-se na assustadora doença chamada depressão profunda.”

Fonte:
Natalie Angier. “A Beleza da Fera: novas formas de ver a natureza da vida”. Editora Rocco, 1998.

Portanto, da próxima vez que voce tiver alguma dificuldade para entender certos fenômenos relacionados ao comportamento social humano (quem sabe um pouco de melancolia num daqueles dias chuvosos de inverno), não hesite em enfiar neles a S
eleção Natural. Sim, afinal, ela é o remédio para todos os males, com exceção, é claro, daqueles relacionados às fantasias dessa galerinha ouriçada de Darwin!

Bom, mas “para não dizer que não falei de flores”, vai aqui as palavras de um darwinista não-dogmático e um crítico contumaz da sociobiologia:


“Qual é a evidência direta do controle genético sobre comportamento sociais humano específicos?

No momento, a resposta é nenhuma. (Não seria impossível, em tese, obter-se tal prova através de experiências padronizadas e controladas de culturas, só que não criamos gente em tupos de Drosophila, nem estabelecemos linhagens puras ou controlamos o meio ambiente para uma educação invariável).”

Fonte:
Stephen Jay Goul. “Darwin e os Grandes Enigmas da Vida, p. 251.

É isso!

Eu li isso... (Adrian Desmond e James Moore)


"Mas foram as estatísticas de Malthus que mais impressionaram Darwin em sua vida de abundância. Malthus calculava que, sem controle, a humanidade poderia duplicar sua população em apenas 25 anos. Mas não duplicava; se o fizesse, o planeta seria devastado. A luta pelos recursos desacelerava o crescimento e um catálogo horripilante de mortes, doenças, guerras e fome colocavam a população em cheque.

Darwin percebeu que uma luta idêntica ocorria em toda a natureza e compreendeu que essa luta poderia ser transformada em uma força verdadeiramente criativa.
Ele havia pensado que nasciam apenas indivíduos suficientes para manter uma espécie estável. Agora aceitava que também as populações selvagens procriavam além de seus meios. Como os arquitetos da lei dos pobres, a natureza não exibia caridade; os indivíduos tinham de se restringir e lutar, como as gangues cada vez maiores de pessoas que viviam dos montes de lixo de Londres, com a fome sempre os olhando no rosto.
Darwin obteve de Malthus uma compreensão única. Outros, como o botânico Augustin de Candolie, haviam escrito sobre as plantas que viviam “em guerra umas com as outras”. Mas ninguém, disse Darwin, transmitia “o combate das espécies” de modo tão forte quanto Malthus.’ Mesmo de Candolie falava apenas de uma espécie combatendo outra por espaço — ninguém sugerira que esta era uma guerra civil travada entre membros da mesma espécie."

Adrian Desmond & James Moore: "A Vida de um Evolucionista Atormentado: Darwin". Geração Editorial. São Paulo, 1995.

Entrevistando Darwin:


"Religiosidade, fé e crença em Deus"


Veja também:




As “respostas” de Darwin, a seguir, foram todas extraídas do seu livro “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, da tradução para o português de autoria de Attílio Cancian e Eduardo Nunes Fonseca, publicado pela Hemus Editora.

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H.D.:
Mister Charles Darwin, hoje eu gostaria de tratar com o senhor acerca de uma questão que tem suscitado os mais ferrenhos debates nos últimos tempos: religião, fé e crença em Deus. Como senhor explica essa tendência humana à religiosidade?

CHARLES DARWIN:
"Não existe prova de que o homem originariamente fosse dotado da nobre fé na existência de um Deus onipotente. Pelo contrário, existe ampla prova, fornecida não por viajantes ocasionais, mas por homens que residiram por muito tempo entre os selvagens, de que exis­tiram numerosas raças, e ainda existem, as quais não têm ideia de um ou de mais deuses, e que em sua língua não têm palavras para exprimir esta ideia" (p. 115).

H.D.:
Mas como isso se deu exatamente?

CHARLES DARWIN:
"Conforme mostrou Tylor, é também pro­vável que os sonhos tenham sido os primeiros a dar origem à ideia dos espíritos, visto que os selvagens de fato não distin­guem entre as impressões subjetivas e objetivas. Quando um selvagem sonha, crê que as imagens que lhe aparecem prove­nham de longe para se deterem diante dele; ou então: "o espírito do sonhador divaga durante suas viagens e volta para casa com a lembrança daquilo que viu. Mas enquanto as faculdades da imaginação, da curiosidade, da razão, etc. não tiverem alcançado um desenvolvimento completo na mente do homem, os seus sonhos não levarão a crer nos espíritos mais do que um cão acredita" (p. 115).

H.D.:
Certo. E como o senhor analisa esta questão entre os povos que o senhor denomina de selvagens?

CHARLES DARWIN:"A tendência que os selvagens possuem de imaginar que os objetos naturais e as causas são animados de essências espi­rituais ou viventes talvez possa ser ilustrada por um pequeno fato que certa vez presenciei: o meu cão, um animal adulto e muito sensível, num dia quente e tranquilo achava-se num prado; a uma pequena distância uma leve aragem de vez em quando movia uma sombrinha aberta; se alguém tivesse estado aí por perto o cão nem teria ligado para este detalhe. No en­tanto, toda vez em que a sombrinha se movia ligeiramente, o cão arreganhava os dentes e latia. Creio que deve ter pergun­tado, de maneira rápida e inconsciente, se o movimento sem causa aparente não estaria indicando a presença de algum es­tranho agente animado, e que nenhum forasteiro tinha o direito de estar no seu território.
A crença em agentes espirituais poderia facilmente levar à fé numa ou mais divindades. Com efeito, os selvagens atri­buem aos espíritos as mesmas paixões, o mesmo amor pela vingança ou então as mais simples formas de justiça bem como os mesmos sentimentos que eles mesmos experimentam. Sob este aspecto parece que os habitantes da Terra do Fogo se acham numa situação intermediária, visto que, quando o cirur­gião a bordo do "Beagle" abateu um pato selvagem novo, York Minster exclamou na maneira mais solene: "Oh, Sr. Bynoe, muita chuva, muita neve, muito vento", e isto era evidente­mente uma punição atribuída ao fato de ter desperdiçado ali­mento destinado aos homens" (p. 116).

H.D.:
Então esse sentimento religioso nutrido pelo homem pode ser comparado com algum instinto animal?

CHARLES DARWWIN:
"Nenhum ser poderia experimentar uma emoção tão complexa sem avançar nas suas faculdades intelectuais e morais pelo menos até um certo nível modera­damente elevado. Não obstante, vemos um pálido sinal de aproximação a este estado da mente no profundo amor que um cão tem por seu dono, associado com a completa submissão, modo e talvez outros sentimentos. O comportamento que um cão tem quando volta ao seu dono e, como posso acrescen­tar, também o de um si mio para com o seu guarda amado, depois de transcorrida uma ausência, é muito diferente daque­le que externa para com os seus próprios companheiros. Nesse último caso os transportes de alegria às vezes parecem ser menores e o senso de paridade se revela em toda ação. O prof. Braubach vai tão longe a ponto de sustentar que um cão con­sidera o seu dono como um Deus” (p. 117).

H.D.:
Que mudanças o senhor pode apontar na forma de crença primitiva da atual, por exemplo?

CHARLES DARWIN:
“As mais elevadas formas de religião — a grande ideia de um Deus que abomina o pecado e que ama a justiça — era desconhecida durante os períodos primitivos” (p. 173).

H.D.:
A fé em Deus então evoluiu gradualmente assim como outros instintos?

CHARLES DARWIN:
"A fé em Deus tem sido muitas vezes considerada não só como a maior, mas como a mais completa distinção entre homem e animais inferiores. Contudo, conforme temos visto, é impossível sustentar que esta crença seja inata ou instintiva no homem. Por outro lado, a fé num agente espiritual onipresente parece universal e deriva, aparentemente, de um considerável progresso da razão humana e de um ainda maior avanço das suas faculdades de imaginação, curiosidade e maravilhamento. Sei que a fé instintiva em Deus tem sido usada por muitas pessoas como argumento da sua existência, mas este argumento está fora de questão, pois que assim seríamos levados a crer na existência de muitos espíritos cruéis e ma­lignos, só em pouco mais poderosos que o homem; com efeito, a crença nestes últimos está bastante mais propagada do que aquela numa divindade benfazeja. A ideia de um Criador universal e benigno não parece que só surgiu na mente hu­mana quando o homem se elevou mediante uma longa cultura. Quem acredita na procedência do homem de alguma for­ma inferior organizada, naturalmente perguntará como é que isto tem relação com a crença da imortalidade da alma” (p. 704).

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É isso!



Evolução em tempo real - XIII



Aos fundamentalistas que vivem exigindo provas de "evolução em tempo real", vão aqui uma porrada de exemplos que comprovam definitivamente que a Teoria da Evolução é um fato acima de qualquer suspeita. Portanto, voces não precisam mais esperar alguns milhões de anos para ver uma dessas belíssimas transformações evolutivas.
Toma aí seus bestas!!! ((rs))


Fonte:
Wort 1000




É isso!