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O "fenômeno" neo-ateísta


O mercado editorial religioso nunca entrou em crise. Recentes pesquisas realizadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade São Paulo, revelaram um crescimento neste âmbito de 27,98%. Um exemplo atual de sucesso em venda neste setor diz respeito à biografia do dono da Rede Record, Edir Macedo, intitulado “O Bispo - A História Revelada de Edir Macedo", que teve edição esgotada logo no início de seu lançamento.

Todavia, não é apenas na esfera religiosa que este crescimento editorial se fez sentir nos últimos anos; a crítica à religião também se converteu num grande negócio. Em todo o mundo, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, autores como Richard Dawkins têm feito sucesso digno de um Paulo Coelho ou de uma Stephenie Meyer. Além de seu livro de auto-ajuda ateísta “The God Delusion” (traduzido em português como “Deus, um Delírio"), muitos outros ocupam espaço nas grandes livrarias, alimentando a desilusão de um grande número de pessoas pela religião. Por exemplo:

Christopher Hitchens: “God Is Not Great: How Religion Poisons Everything”.

Sam Harris: “Letter to a Christian Nation”.
Daniel Dennett: “Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon”.
Victor J. Stenger: “God: The Failed Hypothesis: How Science Shows that God Does not Exist”.
Fernando Savater: “La vida eterna”.
Adela Cortina e Amelia Valcárcel: “Hablemos de Dios”.
Michel Onfray : “Tratado de Ateologia”.
André Comte-Sponville: “A alma do Ateísmo” etc.

Qual seria a explicação para que livros deste teor alcance tanto sucesso, transformando-se em verdadeiros best-sellers mundial? Apenas uma boa estratégia de marketing editorial explicaria o fenômeno?

Bem. Embora o ateísmo não seja um fenômeno assim tão recente (Epicuro, por exemplo, que viveu antes de Cristo, tinha o seu "quê" de ateu), sabe-se que seu arranco deu-se com mais ênfase a partir do chamado “Iluminismo”, movimento filosófico iniciado a partir do século XVIII, cuja característica principal era a confiança no progresso e na razão. Numa tentativa de afastar as antigas superstições religiosas, muitos intelectuais ligados a este movimento tornaram-se verdadeiros ativistas do “não-deus”.

De lá para cá, o ateísmo ganhou terreno, atingindo seu auge com o materialismo dialético de Marx e Engels. Hoje, apesar do fracasso do socialismo russo, a descrença em Deus, não propriamente no Deus da Bíblia, tem se mantido em constante crescimento. Países antes fortemente influenciados pela religião, tais como França, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos etc., apresentam um índice sempre em expansão.

Contudo, não obstante muitos ateus justifiquem sua descrença em Deus pelo viés científico, na verdade, o que realmente impera é a aversão à religião. O passado podre de uma religião que torturou e matou milhares de vítimas inocentes, é, entre outros, um dos grandes fatores que conduz uma pessoa à situação de ateísta. Ademais, os escândalos que muitas religiões tornam públicos diariamente ao redor do mundo, a falta de ação social por parte destas instituições, o conformismo com o pensamento dominante, a alienação quanto aos direitos do homem, também contribuem para que o ateísmo seja de certa forma até maior do que algumas seitas religiosas.

Além disso, a religião em si traz deveres e obrigações. Muitas delas, por exemplo, impõem fortes restrições a seus fiéis, privando-os até mesmo do simples ato de assistir TV. Em conseqüência disso, muitas pessoas, por verem na religião um estorvo para a consumação dos seus instintos, buscam excluir o “proibido”, para assim praticarem o tudo ou o nada que lhes sejam aprazíveis. E, como a religião, pelo menos na maioria dos países do Ocidente, não têm mais o apoio da força secular para impor seu estatuto doutrinário, isso de algum modo contribui para que muitos decidam por renegar a tradição de seus pais, como se estivessem com isso se "rebelando" contra o "sistema opressor”.

Há também o fato de que muitos ativistas do neo-ateísmo atual, por seu elevado status na sociedade e por seu grande potencial financeiro, tem investido fortemente na propagação de seus ideais, tendo ainda o amplo de certos setores da mídia de um modo geral.

É preciso, porém, diferenciar este novo ateísmo daquele ateísmo “clássico”, que sempre se manteve “na gaveta”, e para o qual não havia um líder carismático ou uma espécie de papa às avessas, como é o caso de Richard Dawkins para os novos ateístas. Esta nova vertente ateísta, ao contrário da outra, não está fundamentada em convicções filosóficas, mas na simples birra aos dogmas religiosos.

Deus, para estes novos ateus, tornou-se apenas um pretexto e não à própria causa de sua militância. Eles não se tornaram ateus pelo profundo exame das obras dos grandes filósofos ateus; não passaram a militar em conseqüência de alguma certeza filosófica mais apurada, mas pela simples revolta contra o “sistema”, que pode ser sintetizado no só termo: religião. Sentem-se oprimidos ao mesmo tempo em que acreditam serem intelectualmente superiores aos crentes, quando, sequer leram os "ateus clássicos", como Nietzche e Diderot. Em vez disso deliram extáticos e estáticos ante a figura do ideólogo Richard Dawkins, vendo-o como o protótipo do cientista perfeito. A maioria pouco conhece “A Origem das Espécis", de Darwin, mas sabe de cor até extensos trechos de “Deus, um Delírio”. Por sua peculiar característica extremista, este novo ateísmo metamorfoseou para uma espécie de dogma semelhante àqueles vivenciados pela religião na Idade Média, comportando aversamente em si o mesmo fundamentalismo existente algumas vertentes religiosas atuais. O lema desses novos ateus pode ser sintetizado nos seguintes enunciados: Deus não existe. Eu odeio a Deus. Eu odeio os crentes. Eu odeio os criacionistas. E viva Darwin!
Por tudo isso não me sentiria seguro caso minha vida dependesse da decisão de um desses fervorosos ateus. Lamentavelmente.

É isso!

A utopia de Dawkins


Acabei de receber o livro "O Anjo de Darwin: Uma crítica seráfica a Deus, um Delírio", de John Cornwell, publicado pela Editora Imago. Como tenho por hábito, primeiro "dou uma geral" no livro e só depois passo a degluti-lo. E nessa rápida espiada deparei-me com o título "A Utopia de Dawkins", do qual transcrevo, aqui, alguns considerações interessantíssima. Todo o livro funciona como um conselheiro seráfico (de serafim, angelical) ao autor de Deus, um Delírio. Uma proposta interessante. Vejamos...

Algumas palavras, agora, sobre sua Utopia. Você fez uma pro­messa entusiástica de felicidade definitiva, contanto que seus leitores confiem em você. Você quer que eles acreditem em um paraíso que será deles quando a religião finalmente for varrida da face da Terra. Você lhes oferece uma versão da famosa canção de John Lennon, "Imagine":

"Imagine... um mundo sem religi
ão. Imagine o mundo sem ataques suicidas, sem o 11/9, sem o 7/7 londrino, sem as Cruzadas, sem caça às bruxas... sem as guerras entre israelenses e palestinos, sem massacres sérvios/croatas/muçulmanos, sem a perseguição de judeus como 'assassinos de Cristo', sem os 'problemas' da Irlanda do Norte... sem o Talibá para explodir estátuas antigas...”

Sua lista me parece bastante boa (embora alguns dos seus exem­plos possam ter sido o resultado de tens
ões seculares), mas ela omite dois períodos catastróficos da história recente: a União Soviética de Stalin e a Alemanha de Hitler. Talvez devêssemos nos preocupar o rato de o stalinismo e o nazismo terem revelado o tipo de mundo que surge quando a religião concorda não simplesmente com qualquer coisa, mas com a ciência como ideologia, combinada com ateísmo militante?

Você pretende de fato substituir a religião pela ciência, não é mesmo? "Se o desaparecimento de Deus deixar uma lacuna," você diz a seus leitores, "... Meu caminho inclui uma boa dose de ciência, o empenho honesto e sistemático de descobrir a verdade sobre o mundo real." Estarei eu detectando aqui um eco das palavras de Cristo: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida"?

[...]

N
ão deveria nos preocupar, no entanto, o fato de a ciência triunfalista ter se associado, no século passado, ao totalitarismo? Não deveríamos nos inquietar, mesmo só um pouquinho, por a ciência ter sustentado filosofias políticas que visavam escravizar a humanidade em lugar de promover a liberdade? Seria talvez o caso de rsiarmos ansiosos com relação às tecnologias que a ciência gerou, causando a poluição do planeta a ponto de ameaçar sua própria sobrevivência? E o que dizer das armas de destruição em massa? Quanto às explicações, temos aquelas que as filosofias "cientísticas", materialistas e deterministas apresentaram defendendo a desconstruçao da pessoa humana e do livre-arbítrio. Não deveríamos estar preocupados com tudo isso num mundo baseado na ciência e no ateísmo militante?"

Fonte:
John Cornwell. "O Anjo de Darwin". Imago Editora. Rio de janeiro, 2008, p. 75-77.



Pessoalmente penso que o livro de Dawkins, Deus, um Delírio, funciona como um livro de auto-ajuda para ateus desconsolados e profundamente magoados com a religião. Ele oferece um certo consolo emocional num mundo em que Deus simplesmente se "recusa a ir embora". O ateu radical é como aquele religioso que procura de todos os modos "fugir do pecado" para preservar sua consciência. Só que o "pecado", para o ateu, são, por exemplo, os feriados religiosos, os cânticos gospels das rádios piratas, a poderosa influência cultural da Bíblia etc. Não é tão fácil assim ser ateu, e a liberdade que Dawkins oferece é tão fugaz quanto sua utopia.

É isso!

Dos delírios de Dawkins - I


“Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem”
(DEUS, UM DELÍRIO, p. 23).

Tomei por bem aceitar o "desafio" de Dawkins!


Vejamos até que ponto os “argumentos contundentes e muito bem embasados para questionar a tese do design inteligente e a própria existência de Deus” são capazes de persuadir um “fundamentalista religioso”!

Bom. Quem já leu o ateu Nietzsche, com seu estilo audacioso e linguagem cheia de cores, talvez desista de Dawkins já no início do seu “Delírio”. Bom, mas talvez Dawkins não tenha lido Nietzsche. Sendo assim, é sempre bom dá-lhe um desconto! ((rs))

É certo que todos conhecem a profundidade de um pires!

Pois é...

(Todas as citações a seguir, em negrito, fazem parte do livro "Deus, um Delírio", de Richard Dawkins, publicado pela Companhia das Letras).

E vamos aos pires...

“E nunca me canso de chamar a atenção para a aceitação tácita, por parte da sociedade, da rotulação de crianças pequenas com as opiniões religiosas de seus pais. Os ateus precisam se conscientizar da anomalia: a opinião religiosa é o tipo de opinião dos pais que — por consenso quase universal — pode ser colada em crianças que, na verdade, são pequenas demais para saber qual é sua opinião. Não existe criança cristã: só filhos de pais cristãos. Use todas as oportunidades para marcar essa posição”
(p. 12, 13).

Oh, sim!
O indiozinho não é índio, é apenas uma criança; o filho de cigano não é cigano, é apenas uma criança. Sim, porque se seus pais não fossem índios e ciganos, elas certamente não receberiam os “rótulos” de índios e ciganos. Talvez até fossem ateus ou pequenos dawkinianos, porém índios e ciganos, jamais!

O que seria, afinal, mais proveitoso? Incentivar uma criança a dançar ao ritmo de “Jesus Alegria dos homens” (de Bach) ou estimulá-la desde pequena a ler pequenas porções literárias do grande Richard Dawkins ou, quem sabe, oferecer-lhe "Darwin em Quadrinhos"?

Para
Dawkins há apenas duas alternativas aos pais católicos que têm filhos pequenos e que gostam de freqüentar os templos nos fins de semana: desistir de ir à missa ou deixar o garotinho de 5 anos em casa sozinho, quem sabe aprendendo soletrar D-A-W-K-I-N-S! Sim, afinal, levá-lo à igreja seria uma violência “comparável até ao abuso sexual” (sic).

Na verdade, aprofundidade dos argumentos do senhor Dawkins nos leva a ponderar seriamente sobre a possibilidade de deixemos à mercê dos nossos pequeninos o direito de escolherem, quando enfermos, o remédio que quiserem tomar, a roupa que quiserem vestir, a escola que quiserem freqüentar e assim por diante... Uma anarquia juvenil a serviço da ciência, quem sabe!

A par disto, deveriam os pais católicos, estando com seus filhos, evitar benzerem-se ao passar frente a um templo, a fim de “preservar” o sacrossanto direito de escolha de cada um deles? Devem os religiosos transformar suas orações em rituais secretos, distantes dos filhos, a fim de que estes não sejam “contaminados” pelos “maléficos” ritos religiosos?

Vamos supor que um pai religioso proíba o seu filho de imitar seus gestos religiosos em benefício de sua futura capacidade de escolha. Qual seria a possibilidade desta criança em imitá-lo mesmo em face à proibição? Todos conhecem o jargão popular que diz que “o fruto proibido é mais apetecido!”




E vamos aos pires...

Fazendo uso de uma retórica bastante encontradiça em certos tipos discursos, que consiste em apresentar os argumentos contrários e, em seguida, refutá-los,
Dawkins procura transmitir a falsa impressão de que tais argumentos poucos dizem acerca da realidade dos fatos. Mas, será isso mesmo?

Vejamos alguns pontos extraídos de resenhas, que, segundo
Dawkins, são os mais negativos contra sua obra. Comecemos por este:


"VOCÊ É TÃO FUNDAMENTALISTA QUANTO AQUELES QUE CRITICA"


- Quem, eu? indagaria Dawkins!

-
“Não, por favor, é fácil demais confundir uma paixão capaz de mudar de opinião com fundamentalismo, coisa que nunca farei ” (p. 13).

- Oh, sim! Eu não tenho o perfil fundamentalista de Kurt Wise. Eu posso naturalmente mudar de opinião. Posso até aceitar críticas ao meu estimado e idolatrado darwinismo! Mas, pode mesmo?

Façamos então uma ligeira comparação:

KURT WISE:

"...se todas as evidências do universo se voltarem contra o criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, mas continuarei sendo criacionista, porque é isso que a Palavra de Deus parece indicar " (citado por Dawkins).

RICHARD DAWKINS:
“Se eu estou correto, isso significa que mesmo que não exista qualquer prova factual para a teoria de Darwin, é certamente justificável aceitá-la acima de todas as outras teorias” (“The Blind Watchmaker”, p. 337).

O quê?
Parece que Dawkins anda esquecendo aquilo que escreve! ((rs))

Ou seja, qualquer semelhança entre DAWKINS
, um ATOR e um HIPÓCRITA a etimologia grega explica. Sim, porque quem conhece ainda que superficialmente a postura militante pró-ateísmo de Dawkins, dificilmente acreditará nesta sua manifestação de fingidas virtudes.

Bom, mas dizem que Lênin, ao sentir a chegada da “indesejada das gentes”, exclamou: “Cometi um grande erro. A sensação de viver perdido num oceano de sangue derramado por inumeráveis vítimas, persegue-me!”

E Dawkins
então continua...

“Cristãos fundamentalistas são apaixonadamente contra a evolução, e eu sou apaixonadamente a favor dela. Paixão por paixão, estamos no mesmo nível. E isso, para algumas pessoas, significa que somos igualmente fundamentalistas”
(p. 13).

Se o texto se finalizasse por aqui, estaríamos, eu diria, diante de um fato inusitado, digno de uns bons encômios ao zoólogo inglês. Todavia, porém, contudo, entretanto... Segue ele:

"Mas, parafraseando um aforismo cuja fonte eu não saberia precisar, quando dois pontos de vista contrários são manifestados com a mesma força, a verdade não está necessariamente no meio dos dois. É possível que um dos lados esteja simplesmente errado. E isso justifica a paixão do outro lado.
Os fundamentalistas sabem no que acreditam e sabem que nada vai mudar isso” (p. 13).

Aqui ele descreve com exímia maestria a sua própria postura diante daquilo que o conduz!

E faz menção de Kurt Wise, acrescentando:


"A diferença entre esse tipo de compromisso apaixonado com os fundamentos bíblicos e o compromisso igualmente apaixonado de um verdadeiro cientista com as evidências é tão grande que é impossível exagerá-la. O fundamentalista Kurt Wise declara que todas as evidências do universo não o fariam mudar de opinião. O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que "acredite" na evolução, sabe exatamente o que é necessário para fazê-lo mudar de opinião: evidências”.


Sinceramente eu não entendo como certas pessoas são incapazes de vislumbrar ainda que minimamente a tamanha impostura de Richard Dawkins! Sim, porque uma pessoa a qual, na ânsia por respeitabilidade científica para sua crença no Darwinismo Universal, chega a colocar a seleção natural na mesma posição de uma divindade, sinceramente só pode estar de pilhéria!

E, aqui, mais outro argumento que
Dawkins tenta refutar:


"VOCÊ SEMPRE ATACA O QUE HÁ DE PIOR NA RELIGIÃO E IGNORA O QUE HÁ DE MELHOR"


"Você persegue oportunistas grosseiros e incendiários como Ted Haggard, Jerry Falwell e Pat Robertson, em vez de teólogos sofisticados como Tillich ou Bonhoeffer, que ensinam o tipo de religião em que acredito.

Se o predomínio fosse só dessa espécie sutil e amena de religião, o mundo sem dúvida seria um lugar melhor, e eu teria escrito outro livro.
A melancólica verdade é que esse tipo de religião decente e contido é numericamente irrelevante. Para a imensa maioria de fiéis no mundo todo, a religião parece-se muito com o que se ouve de gente como Robertson, Falwell ou Haggard, Osama bin Laden ou o aiatolá Khomeini. Não se trata de testas-de-ferro; são todos influentes demais e todo mundo hoje em dia tem de lidar com eles”
(p.11).

Não tenho dúvida de que esta resposta de
Dawkins faria muito sentido caso ele estivesse se referindo ao que a religião fez, por exemplo, durante a Idade Média. Todavia, afirmar que a boa religião de hoje “é numericamente irrelevante”, além de uma nítida demonstração de desonestidade, revela na mesma proporção uma jibóica falta de conhecimento acerca do que realmente se passa nos círculos religiosos em geral!

Mas é claro!
Dawkins está apenas preocupado em provar que a religião é má. Daí as constantes referências a exemplos do tipo jihadistas. Obviamente não se pode esperar honestidade de alguém que "ingenuamente" foi capaz de escrever que não acredita que haja um ateu no mundo que demoliria Meca — ou Chartres, a York Minster ou Notre Dame, o Shwedagon, os templos de Kyoto ou, claro, os Budas de Bamiyan (p. 259).




Em "The Atheist Syndrom", por exemplo, John Koster revela:

“Hitler e Stalin assassinaram mais vítimas inocentes do que as que morreram em todas as guerras religiosas na história da humanidade. Eles não assassinaram essas vítimas enganados pela idéia de salvar as suas almas ou punir os seus pecados, mas por serem competidores na questão do alimento e obstáculos ao “progresso evolutivo”.


Muitos humanitários, cristãos, judeus, ou agnósticos compreenderam a relação entre as idéias de Nietzsche e as equipes de assassinato em massa e os crematórios de Hitler. Poucos, porém, voltaram um passo atrás fazendo a ligação com Darwin, o “cientista” que inspirou diretamente a teoria do super-homem de Nietzsche e o corolário nazista de que alguns indivíduos são subumanos. A evidência estava toda ali — o termo neodarwinismo foi usado abertamente para descrever as teorias raciais nazistas.


A expressão “seleção natural”, como aplicada a seres humanos, foi encontrada na Conferência de Wannsee no principal documento do Holocausto...
Podemos ver os eventos na Alemanha de Hitler e na Rússia de Stalin como uma coleção sem sentido de atrocidades que tiveram lugar porque os alemães e os russos são pessoas perversas, nada parecidas conosco. Ou podemos compreender que a imposição das teorias de Huxley e Darwin, de que a-vida-é-patológica, de depressão clínica disfarçada em ciência, desempenhou um papel crítico na era das atrocidades. E que isso nos sirva de aviso. As pessoas têm de aprender a deixar de pensar em seus semelhantes como se fossem máquinas e aprender a pensar neles homens e mulheres possuidores de uma alma...” (p.187-189.).

E, para finalizar, vão aqui estes pertinentes comentários de Alister McGrath, em “O Delírio de Dawkins":

“A visão ingênua e pueril de
Dawkins de que os ateus nunca cometem crimes em nome do ateísmo tropeça nas cruéis pedras da realidade. Um exemplo será suficiente. Em seu excelente estudo sobre Peter Tutea (1902-1991), intelectual e dissidente romeno de confissão cristã, o pesquisador de Oxford Alexandru Popescu documenta a degradação física e mental que Tutea sofreu devido à perseguição sistemática à religião na Romênia, ocorrida durante a era soviética e até a queda e execução de Nicolae Ceausescu. Durante esse período, Tutea passou 13 anos como prisioneiro por crime de consciência e 28 anos em prisão domiciliar. Seu relato pessoal é muitíssimo elucidativo para os que desejam compreender o poder da fé religiosa para consolar e manter a identidade pessoal exatamente sob as formas de perseguição que Dawkins acredita não existir. Dawkins nega o lado mais sombrio do ateísmo, o que o torna um crítico da religião menos que confiável. Possui uma fé fervorosa e inquestionável na bondade universal do ateísmo, que ele recusa sujeitar a um exame crítico.


Sim, existe muita coisa errada na religião contemporânea e muito a ser corrigido, mas o mesmo se aplica ao ateísmo, que precisa se sujeitar a um auto-exame, a um julgamento moral e intelectual que os sistemas religiosos estão dispostos a aplicar a si.

A verdade dos fatos é que os seres humanos são capazes tanto de violência quanto de excelência moral — e que ambos podem ser provocados por visões de mundo, religiosas ou não. Não se trata de uma constatação confortável, mas nos alerta para as faltas e os perigos de identificar qualquer grupo de pessoas como a fonte da violência e dos males da humanidade. Isso pode ajudar a criar um bode expiatório, mas nunca a fazer avançar a causa da civilização" (p. 11,112).

É isso!

Eu li isso... (Stephen Jay Gould)


“Para Dawkins, a evolução é uma batalha entre genes, cada um procurando fabricar mais cópias de si mesmo. Os corpos são apenas os lugares onde os genes se agregam por algum tempo, são receptáculos temporários, máquinas de sobrevivência manipuladas pêlos genes e descartadas para o lixo geológico, tão logo se tenham reduplicado e mitigado sua sede insaciável de mais cópias de si mesmos nos corpos da geração seguinte:

Somos máquinas de sobrevivência — veículos robotizados, cegamente programados para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes...
Eles pululam em enormes colónias, em segurança no interior de pesados e gigantescos robôs... estão em vocês e em mim; eles nos criaram, corpo e mente; e sua preservação é a razão última para a nossa existência.
[...]
"Dawkins sabe tão bem quanto vocês ou eu que os genes não planejam nem esquematizam; não atuam como agentes argutos da sua própria preservação. Dawkins está apenas perpetuando, de maneira mais colorida, uma estenografia metafórica usada (talvez insensatamente) por todos os escritores populares que escrevem sobre a evolução, incluindo eu próprio (embora moderadamente, espero).

[...]

”Todavia, há uma falha fatal no ataque de Dawkins. Não importa quanto poder queira atribuir aos genes, uma coisa não lhes pode imputar — visibilidade direta da seleção natural. A seleção simplesmente não pode ver os genes e escolher diretamente entre eles; ela tem de usar os corpos como intermediários. O gene é um pedaço de DNA escondido no interior da célula. A seleção vê os corpos, favorece alguns deles porque são mais fortes, melhor isolados, são mais precoces na sua maturação sexual, ferozes em combate ou mais bonitos de se olhar”.

[...]

“Não há nenhum gene "para" esses pedaços inequívocos de morfologia, como sua rótula esquerda ou suas unhas. Os corpos não podem ser atomizados em partes, cada uma delas construída por um gene individual. Centenas de genes contribuem para a construção de muitas partes do corpo, e sua ação é canalizada através de uma série caleidoscópica de influências ambientais: embrionárias e pós-natais, internas e externas. As partes de um corpo não são genes traduzidos, e a seleção nem sequer trabalha diretamente sobre elas.

[...]
“Dawkins precisará de outra metáfora: genes conspirando, formando alianças, mostrando deferência por uma hipótese de se juntarem num pacto, aferindo os ambientes prováveis. Mas, quando amalgamamos tantos genes e os ligamos em cadeias hierárquicas de ação mediadas por ambientes, chamamos o objeto resultante de corpo”.

[...]

“Penso, em resumo, que o fascínio gerado pela teoria de Dawkins é fruto de alguns maus hábitos do pensamento científico ocidental — das atitudes (perdoem-me o jargão) que denominamos atomismo, reducionismo e determinismo: a ideia de que os todos podem ser compreendidos por decomposição em unidades "básicas"; de que as propriedades das unidades microscópicas podem gerar e explicar o comportamento de resultados macroscópicos; de que todos os acontecimentos e objetos têm causas previsíveis, definidas e determinadas. Essas ideias têm sido eficazes no estudo de objetos simples, constituídos por poucos componentes e sem a influência de uma história anterior. Tenho absoluta certeza de que meu fogão se acenderá quando eu o ligar (e acendeu).
"As leis dos gases, construídas a partir das moléculas, levam-nos até as propriedades previsíveis de volumes maiores. Mas os organismos são muito mais do que amálgamas de genes. Têm uma história que não podemos desprezar; suas partes interagem de maneiras complexas. Os organismos são construídos por genes atuando em concerto, são infuenciados pêlos ambientes e traduzidos em partes que a seleção vê e partes que ela não vê. As moléculas que determinam as propriedades da água constituem uma pobre analogia dos genes e dos corpos. Posso não ser o senhor do meu destino, mas minha intuição da totalidade provavelmente reflete uma verdade biológica."

Fonte:Stephen Jay Gould. “O Polegar do Panda. Editora Martins Fontes . São Paulo, 1989, p. 77, 78.

Dawkins no Orkut

Veja também:

Poucos lugares na Internet são tão férteis para pérolas quanto o Orkut. No que diz respeito ao darwinismo e suas variadas vertentes, aí, como diria no popular, a coisa vira esculhambação. Tome-se, por exemplo, as diversas comunidades relacionadas ao tema e de como Darwin é abordado nelas, nos seus fóruns de debates. Ali há de tudo: encômios intempestivos, bajulações excessivas, lisonjas apaixonadas e outras manifestações típicas da galerinha ouriçada de Darwin. Especificamente em relação a Dawkins, a situação só tende a piorar, como se pode observar neste exemplo de comunidade (SIC):
10 Mandamentos em Versão Moderna.
1- Não faça aos outros o que não quer que façam com você
2- Em todas as coisas, faça de tudo para não provocar o mal
3- Trate os outros seres humanos, as outras criaturas e o mundo em geral com amor, honestidade, fidelidade e respeito4- Não ignore o mal nem evite administrar a justiça, mas sempre esteja disposto a perdoar erros que tenham sido reconhecidos por livre e espontânea vontade e lamentados com honestidade
5- Viva a vida com um sentimento de alegria e deslumbramento
6- Sempre tente aprender algo de novo
7- Ponha todas as coisas à prova; sempre compa
re suas idéias com os fatos, e esteja disposto a descartar mesmo a crença mais cara se ela não se adequar a eles
8- Jamais se autocensure ou fuja da dissidência; sempre respeite o direito dos outros discordar de você
9- Crie opiniões independentes com base em seu próprio raciocínio e em sua experiência; não se permita ser dirigido pelos outros
10- Questione tudo
Mais ético que aquele de 2000 anos atrás.
Uau!!! ((rs))
Agora, vejam o título e o teor deste tópico, de outra comunidade dedicada ao zoólogo inglês (Richard Dawkins fans)...
É o fundamentalismo neo-ateísta absurdamente escancarado:


Transcrição (ipisis litteris) do fórum acima:

Pela destruição imediata de monumentos religiosos

É um absurdo que, sendo o nosso Estado "laico", o contribuinte tenha que custear a manutenção de lixos como o Cristo Redentor, a Estátua do Pe. Cícero, as igrejolas "históricas" mineiras e baianas, a Catedral da Sé, a igrejona de Aparecida etc. Devemos exigir a imediata destruição de todos eles. O Estado não pode continuar custeando esse absurdo e deixar outros milhões e milhões de brasileiros morrerem de fome!!!!


É isso! ((rs))

"Os cães de Darwin"

Thomas Huxley: "o bulldog de Darwin"

Richard Dawkins: "o poodle de Darwin"


É isso! ((rs))

Delírios de Dawkins


Dawkins chega perigosamente perto, em sua busca por respeitabilidade científica para sua crença no Darwinismo Universal, de colocar a seleção natural do lado de Deus. Ela não é mais uma teoria científica que necessita de rigores habituais da prova e da refutação, mas um conjunto de crenças.”

Deveras!
Quem já leu um dos seus livros de militância prol darwinismo, do tipo, “Deus, um delírio”, não terá muita dificuldade em concluir que há por parte dele um desejo exagerado em escrever a história do mundo a partir do ano de 1859, tal como fizeram os cristãos com o nascimento de Cristo, e os muçulmanos em relação à Hégira (a fuga de Maomé para Iatreb em 622). A data do lançamento do livro “A Origem das Espécies”, 1859, é, pois, para Dawkins, um marco histórico que supera a derrubada do Império Romano, a Queda da Bastilha, a Revolução Francesa, a ida do homem à lua, entre outros eventos de proporções universais. No seu livro propriamente citado, ele deixa isso bem explícito, ao atribuir a Darwin uma espécie de “grito da independência contra ignorância universal", algo semelhante à Declaração dos Direitos do Homem. Se não, vejamos...

Pense nisso. Em um planeta, e possivelmente um único planeta no universo inteiro, moléculas que normalmente não formariam nada mais complicado que um pedaço de pedra reúnem-se em grupos de matéria do tamanho de pedras, de uma complexidade tão inacreditável que são capazes de correr, pular, nadar, voar, enxergar, escutar, capturar e comer outros pedaços animados de complexidade; capazes em alguns casos de pensar esentir, e de apaixonar-se por outros pedaços de matéria complexa. Hoje entendemos em termos básicos como o truque funciona, mas somente desde 1859. Antes de 1859 isso teria parecido esquisitíssimo. Hoje, graças a Darwin, é só muito esquisito. Darwin pegou a janela da burca e a arregaçou, deixando entrar uma torrente de compreensão cujo caráter inovador e fascinante, e cujo poder de elevar o espírito humano, talvez tenha sido inédito — exceto talvez a percepção copérnica de que a Terra não era o centro do universo” (Deus, um delírio, p. 373. Companhia das Letras, 2007).

É isso!

Ser ou não ser... para que questionar?

Pensamentos aplicados ao darwinismo

Em relação a Charles Darwin:
“Quanto mais alto alguém está, mais dificuldade terá em manter o equilíbrio.”
Autor Desconhecido
Em relação aos memes de Dawkins:
“Com um pouco de agilidade mental e algumas leituras em segunda mão, qualquer homem encontra as provas daquilo em que deseja acreditar...”
Bertrand Russell
Em relação ao gradualismo aplicado às máquinas moleculares:“É fácil falar com clareza quando não se vai dizer toda a verdade”.
Rabindranath Tagore

Em relação aos críticos do Tedeísmo:
“Não devemos dar demasiada atenção ao que os críticos dizem. Nunca foi erguida uma estátua em honra de um crítico.”
Sibelius
“Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumere pelo menos 10 dos seus.”
Autor Desconhecido
Em relação à unanimidade da TE na Biologia:
“A verdade não está do lado de quem mais grita.”
Tagore
Em relação aos darwinistas desalentados pelos constantes fracassos do darwinismo:
“Quem não sabe suportar contrariedades nunca terá acesso às coisas grandiosas.”
Provérbio Chinês“Dificuldades reais podem ser resolvidas; apenas as imaginárias são insuperáveis.”

Theodore N. Vail“Se de noite chorares por teres perdido o sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas.”
R. Tagore
“Nada de desgosto nem de desânimo; se acabas de fracassar, recomeça”
Marco Aurélio
Em relação aos que criticam este Blog:
“Não existe nenhuma coisa séria que não possa ser dita com um sorriso”.
Alejandro Casona

Em relação aos que esperam pelos elos-que-faltam:
“Eu chorava por não ter sapatos até que um dia encontrei um homem que não tinha pés.”
Autor desconhecido
Em relação à “sobrevivência do mais forte”:“Uma ave deve voar, mesmo que o céu esteja cheio de abutres.”
Autor desconhecido“Os fortes são mais fortes quando lutam sozinhos.”
Autor desconhecido
Em relação à militância ateísta de Richard Dawkins:“Os fanatismos que mais devemos recear são aqueles que podem confundir-se com a tolerância.” Fernando Arrabal

Em relação aos teóricos darwinistas:
“É lento ensinar por teorias, mas breve e eficaz fazê-lo pelo exemplo.”
Sêneca
Em relação à situação atual do gradualismo:
“Nenhuma situação é de tal modo grave que não seja suscetível de piorar...”
Frederico II“Nos momentos de crise, só a inspiração é mais importante que o conhecimento.”
Albert Einstein“Pra quem está se afundando, jacaré é tronco.”
Autor Desconhecido
Em relação ao adaptacionismo a la Dr. Pangloss:
“Passarinho que anda com morcego, dorme de cabeça para baixo.”
Autor Desconhecido
Em relação à galerinha miúda de Darwin:
“Perguntem aos jovens: eles sabem sempre tudo.”
Provérbio chinês
Em relação aos professores darwinistas:
“Quando ensinares ensina também a duvidar daquilo que ensinas.”
José Ortega y Gasset
Em relação ao darwinismo como um todo:
“Não acredito na sabedoria coletiva da ignorância individual.”
T. Carlyle
Em relação à árvore da vida de Darwin:
“Não há nenhuma árvore que o vento não tenha sacudido.”
Provérbio hindu
Em relação aos supostos estágios intermediários de determinados órgãos como as penas:“Os primeiros passos são inúteis quando não se percorre o caminho até o fim.”
Shank-ara
Em relação ao acaso no darwinismo:
“Se eu conservar no coração um ramo verde, um pássaro virá pousar nele.”
Provérbio Chinês“Não corra atrás das borboletas; plante uma flor em seu jardim e todas as borboletas virão até ela.”
D. Elhers

Em relação aos caçadores de fósseis:
“Os esqueletos dos reis são apenas esqueletos.”
Mikhail Naimy
Em relação aos darwinistas inseguros de suas verdades:“Cachorro mordido por cobra até de lingüiça tem medo”
Autor Desconhecido
Em relação à hipótese da ancestralidade comum universal:
“Hipótese é uma coisa que não é, mas a gente faz de conta que é, pra ver como seria se ela fosse.” Autor Desconhecido
Em relação ao interesse da galera de Darwin em mostrar a verdade dos fatos:
“Não deixe para amanha o que se pode fazer no dia seguinte.”
Autor Desconhecido
Em relação às dificuldades epistêmicas do darwinismo:
“Ser ou não ser... PARA QUE QUESTIONAR?”
Autor Desconhecido

Em relação à esperança do darwinista pelos elos perdidos:“Para quem sabe esperar, tudo vem a tempo.”
Clément Marot


É isso!